sonhei que o Algarve era bombardeado por Israel. eu e o Bernardo, a gente assistia na televisão. eram os algarvios que tinham começado. e os israelenses eram cruéis. as coisas voavam pelos ares em terracota e amarelo. comíamos milho em lata esperando o melhor.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
armário e jardim
ontem estava no banco de trás do carro do meu pai e ele me pedia pra descer no mercadinho - - - o antigo kira onde duda e eu esperávamos que nos pegassem da escola (os espaços mudam de rota) - - - e comprar uma camiseta pra ele cuidar do jardim.
e hoje eu descia a escada e encontrava com a minha mãe, que abria as portas de todos os armários da cozinha da casa em que cresci e, furiosa, lançava os tuppewares e suas tampas para os ares.
e hoje eu descia a escada e encontrava com a minha mãe, que abria as portas de todos os armários da cozinha da casa em que cresci e, furiosa, lançava os tuppewares e suas tampas para os ares.
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caderno público de sonhos
sábado, 15 de maio de 2010
talvez os olhos marujos mais foscos
esquecer é sempre começar. entre os movimentos, o salto. você já reparou que ainda sou o novo (na sua vida)? força marítima.
ou querer escrever sobre algo. herberto helder. impressão de silêncio intransponível, casamento de si consigo, agitação de fundo, desnível e fábula.
ou querer escrever sobre algo. herberto helder. impressão de silêncio intransponível, casamento de si consigo, agitação de fundo, desnível e fábula.
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sweet comic valentine
sexta-feira, 14 de maio de 2010
guardião
dormi imensamente, como desde ficar muito doente não fazia. eu costumava ficar muito doente uma vez por ano, nos últimos 5. quando era menor eram duas vezes por ano, talvez uma por semestre. mas então resolvi que não, virei uma pessoa forte como os dentes-de-leão que crescem no mato balançam com o vento, se assopram, ficam só o caule e desaparecem.
essa noite sonhei com estradas, caminhos, viagens. estava com um amigo que não vejo há muitos anos. quase não falávamos. havia um cachorro enorme, negro e babão que morava dentro do carro antigo de funeral que dirigiamos. a música era k7 e boa, cantávamos. era sempre sol que iluminava o asfalto ao ponto de brilhar também as mais amarelas das flores banais. era tudo um interior sem tamanho.
chegávamos numa cidade com casas todas brancas e nada acontecia. essa letargia do espaço era o maior prazer. ou como se a vida fosse pra sempre férias, verão, caminho e solução. prazer nas forças. acordei meio muda, como se as palavras se saltassem e eu ficasse olhando, feito botar sal na comida.
e depois fui no correio.
essa noite sonhei com estradas, caminhos, viagens. estava com um amigo que não vejo há muitos anos. quase não falávamos. havia um cachorro enorme, negro e babão que morava dentro do carro antigo de funeral que dirigiamos. a música era k7 e boa, cantávamos. era sempre sol que iluminava o asfalto ao ponto de brilhar também as mais amarelas das flores banais. era tudo um interior sem tamanho.
chegávamos numa cidade com casas todas brancas e nada acontecia. essa letargia do espaço era o maior prazer. ou como se a vida fosse pra sempre férias, verão, caminho e solução. prazer nas forças. acordei meio muda, como se as palavras se saltassem e eu ficasse olhando, feito botar sal na comida.
e depois fui no correio.
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domingo, 2 de maio de 2010
città piu bella
por que é tão comum pessoas inteligentes ficarem cínicas? é uma estratégia de defesa nefasta. procurei esses dias no dicionário essa última palavra e é como a vez que sonhei "gosta de trepar com lápides", mas piorado. mas é sério: inteligência é um muito de saber fazer baliza, contrabalancear, ver os lados das questões, bambolê, como o tal do pássaro voando por entre as árvores e que não bate com o bico em nenhuma delas. e descobre sempre um novo-mesmo caminho. mas um cínico assina: "dessa árvore conheço tanto que nem tocarei na casca." é um horror, porque fica uma gente inexperimentada. e fútil.
#
o breno pediu pra eu não antecipar mais os poemas do novo livro no blogue!... e ele tem razão. o breno é muito meu amigo.
mas verso pode antecipar?
"descalcificar a cidade"
ainda não sei onde vou usar. mas percebi que minha noção da relação cidade-claustrofobia mudou completamente desde que vivo em Lisboa. sinto isso aqui, sim, também sentia (mais) em São Paulo. mas: veja bem: em São Paulo era rangente e urgente berrar contra contra. é uma cidade em ebulição que te ferve junto a mão. aqui tá tudo mais arruinado, mas é bonito e mais pacífico. tem uma música do Deolinda que ela canta
que a saudade
mais que um crime
é um castigo
e prisão por prisão
temos Lisboa
.
é por aí, até quando, não sei.
mas eu acho que meu verso ainda não usado tem mais haver é com isso aqui:
#
o breno pediu pra eu não antecipar mais os poemas do novo livro no blogue!... e ele tem razão. o breno é muito meu amigo.
mas verso pode antecipar?
"descalcificar a cidade"
ainda não sei onde vou usar. mas percebi que minha noção da relação cidade-claustrofobia mudou completamente desde que vivo em Lisboa. sinto isso aqui, sim, também sentia (mais) em São Paulo. mas: veja bem: em São Paulo era rangente e urgente berrar contra contra. é uma cidade em ebulição que te ferve junto a mão. aqui tá tudo mais arruinado, mas é bonito e mais pacífico. tem uma música do Deolinda que ela canta
que a saudade
mais que um crime
é um castigo
e prisão por prisão
temos Lisboa
.
é por aí, até quando, não sei.
mas eu acho que meu verso ainda não usado tem mais haver é com isso aqui:
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no mais, voltando ao cinismo, lembrei da personagem da psiquiatra no Persona que diz para a atriz interpretada pela Liv Ullmann e sua crise de silêncio, que na vida não há separação entre parecer/encenação e ser/realização.
#
e uma frase do Deleuze, diz algo como que a potência da modernidade é a produção de simulacros.
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agora que sou sincera
quinta-feira, 29 de abril de 2010
hey, resposta
é uma mudança paradigmática, certamente. talvez uma saída do texto como da internet. tantos usamos minúsculas, usarei, serão meus emails assim. mas no poema abaixo e, até segundo acontecimento espontâneo, em todos os novos, quero marcar que foram herberto helder, hilda hilst e iosif brodskii que me convenceram a usar maiúsculas. pelo ritmo, e suas outras possibilidades de clareza e pontuação, não foi ninguém não. nem eu mesma, aconteceu.
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poemas do destino do mar
quarta-feira, 28 de abril de 2010
II
Desde os dezesseis anos estou neste estacionamento.
Viagens, lustres, dinheiro: nada: se fecho os olhos o que vejo são vagas.
Não me balizaram. Fui eu mesma
vim viver aqui, não acredito mais, neste ângulo entre paredes.
Esperava deste parque aquele por quem a vida corria.
Ir com ele. Como um cometa,
uma pedra que me arrastava do centro, toda lançada,
natural como as baratas que sobrevivem desde os dinossauros.
Um arco e duas flechas. Sismo veio
todo o mundo do juízo, todo o meu poder de confissão.
Encontros de concreto, folhas de eucalipto caindo, putrefação.
Do que restou interessa a voracidade da alegria
um falar mais honesto emergirá na superfície
a pérola homem que cresce por dentro das ostras, das minhas coxas
transtorna o cotidiano
que vivia feito um pombo preso no túnel e depois alcançou a plataforma do metrô.
Mas os pombos não migram e prendem nas patas as linhas das pipas.
Do emaranhado solto o medo no meio e desfaço a tua relíquia.
Não é a primeira vez que lanço um pássaro sobre ti.
Desde os dezesseis anos estou neste estacionamento.
Viagens, lustres, dinheiro: nada: se fecho os olhos o que vejo são vagas.
Não me balizaram. Fui eu mesma
vim viver aqui, não acredito mais, neste ângulo entre paredes.
Esperava deste parque aquele por quem a vida corria.
Ir com ele. Como um cometa,
uma pedra que me arrastava do centro, toda lançada,
natural como as baratas que sobrevivem desde os dinossauros.
Um arco e duas flechas. Sismo veio
todo o mundo do juízo, todo o meu poder de confissão.
Encontros de concreto, folhas de eucalipto caindo, putrefação.
Do que restou interessa a voracidade da alegria
um falar mais honesto emergirá na superfície
a pérola homem que cresce por dentro das ostras, das minhas coxas
transtorna o cotidiano
que vivia feito um pombo preso no túnel e depois alcançou a plataforma do metrô.
Mas os pombos não migram e prendem nas patas as linhas das pipas.
Do emaranhado solto o medo no meio e desfaço a tua relíquia.
Não é a primeira vez que lanço um pássaro sobre ti.
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poemas do destino do mar
terça-feira, 27 de abril de 2010
quem conseguiu me perder
o que eu esperava era no parque de estacionamentos por um minuto avistar aquele por quem a vida corria. como uma estrela, uma pedra que me arrasava de energia, toda retirada, baratinava. sismo, relíquia. mas então veio todo o mundo do juízo , todo o meu poder de confissão. essa crença de que um falar profundo atingirá por toda superfície a pérola homem que cresce por dentro das ostras, das minhas coxas. transtornando o cotidiano como um pombo que ficou preso na plataforma do metrô, entre a estação de mim mesma e da mulher.
#
eu poderia fazer um livro de poemas de novo, ventríloquo. mas não é um livro de poemas. (depois disso até cifrei com um número no título: I) é um livro de um coração pra imensidão partido/ revolto. e que se pergunta onde para onde? o que pode vir e afirmar, sem que fique para trás?
#
quanto às citações, referências, reverências: de novo, têm me fatigado. a sucessão recorrente de dados, citações, como se abreviassem a vida. / e eu não conseguisse ler a cifra. ou fossem enganações partimentadas em frente a toda realidade. realidade = caótica, constante, absoluta. é. tudo é precário. às vezes na rua penso como esse velho conseguiu por tanto tempo?
#
eu poderia fazer um livro de poemas de novo, ventríloquo. mas não é um livro de poemas. (depois disso até cifrei com um número no título: I) é um livro de um coração pra imensidão partido/ revolto. e que se pergunta onde para onde? o que pode vir e afirmar, sem que fique para trás?
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quanto às citações, referências, reverências: de novo, têm me fatigado. a sucessão recorrente de dados, citações, como se abreviassem a vida. / e eu não conseguisse ler a cifra. ou fossem enganações partimentadas em frente a toda realidade. realidade = caótica, constante, absoluta. é. tudo é precário. às vezes na rua penso como esse velho conseguiu por tanto tempo?
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uw
domingo, 25 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
acho que o que mais dói na desilusão não é o inesperado; mas que já estava tudo ali, desde antes: claro. claro e menor, mais misturado, mas ali. é sempre isso o que mais me impressiona quando releio meus diários, como eu já sabia do que viria. hoje isso me entristeceu pacas. mas não sei se isso aumenta a minha parvoice ou sabedoria. se tenho vontade de perceber cada vez menos o que já sei, e nunca me impedir de lançar ao risco, ao erro, ou se confio, finamente, que tenho um radar e me protejo, daqui pra sempre, por onde voar. espero que não seja isso o que significa amadurecer.
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agora que sou sincera
quarta-feira, 21 de abril de 2010
corazón que yo comando y no
"Não chegar ao ponto em que não se diz mais EU, mas ao ponto em que já não tem qualquer importância dizer ou não dizer EU. Não somos mais nós mesmos. Cada um reconhecerá os seus. Fomos ajudados, aspirados, multiplicados. (...) Desde que se atribui um livro a um sujeito, negligencia-se este trabalho das matérias e a exterioridade de suas correlações. Fabrica-se um bom Deus para movimentos geológicos. (...) Não há diferença entre aquilo de que um livro fala e a maneira como é feito. Não se perguntará nunca o que um livro quer dizer, significado ou significante, não se buscará nada compreender num livro, perguntar-se-á com o que ele funciona, em conexão com o que ele faz ou não passar intensidades, em que multiplicidades ele se introduz (...) Um livro existe apenas pelo fora e no fora. (...) Escrever nada tem a ver com significar, mas com agrimensar, cartografar, mesmo que sejam regiões ainda por vir. (...) A lei do livro é a da reflexão, o Uno que se torna dois. Como é que a lei do livro estaria na natureza, posto que ela preside a própria divisão entre mundo e livro, natureza e arte?"
Dos inícios do "Mil platôs", Deleuze e Guattari.
terça-feira, 20 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
o amor é um sono que chega para o pouco ser que se é
cesariny
cesariny
a mais ninguém
a indelicada gratidão
de um fim de tarde
encostava como em você
como se o horizonte inatravessável
fosse azul fosse outro
um cruzeiro que brilhasse embalando o oceano
pelo teu olhar olhava o céu claro
fosse o teu adeus
que caminhava até a foz.
(escrever de novo o que é isso que se diz aqui)
#
tomei chuva ao pé de Alfama procurando por onde morar. só percebi que chovia quando a água já tinha escorrido do guarda-chuva amarelo nas minhas costas, por dentro do casaco. a saia ficou pesada de água e os pés empapados.
depois vimos uma pomba doente embaixo do arco-íris que montou sobre o Tejo e lembrei de ter visto uma pomba andando na plataforma do metro no Marquês. há pombas e pombas.
#
e como não sei onde vou morrer
ou mesmo morar daqui 25 anos
(5 não digo, que é pra não ter ansiedade)
me deito no lençol todo branco
não me esforço
só vejo nas minhas unhas um pouco sujas
a limpeza áspera das tuas mãos.
#
e é tudo tão calmo agora. você não imagina quando alguém entra na sua vida. e que tudo entrado vai ser colocado. e que tudo colocado vai ser transformado. e depois isso tudo fica. e depois a gente fica em tudo. é pra isso que a gente vive. é isso que a gente quer. se não, é menos do que querer. e menos do que querer, é muito menos do que viver. e menos do que viver, nem morte é.
a indelicada gratidão
de um fim de tarde
encostava como em você
como se o horizonte inatravessável
fosse azul fosse outro
um cruzeiro que brilhasse embalando o oceano
pelo teu olhar olhava o céu claro
fosse o teu adeus
que caminhava até a foz.
(escrever de novo o que é isso que se diz aqui)
#
tomei chuva ao pé de Alfama procurando por onde morar. só percebi que chovia quando a água já tinha escorrido do guarda-chuva amarelo nas minhas costas, por dentro do casaco. a saia ficou pesada de água e os pés empapados.
depois vimos uma pomba doente embaixo do arco-íris que montou sobre o Tejo e lembrei de ter visto uma pomba andando na plataforma do metro no Marquês. há pombas e pombas.
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e como não sei onde vou morrer
ou mesmo morar daqui 25 anos
(5 não digo, que é pra não ter ansiedade)
me deito no lençol todo branco
não me esforço
só vejo nas minhas unhas um pouco sujas
a limpeza áspera das tuas mãos.
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e é tudo tão calmo agora. você não imagina quando alguém entra na sua vida. e que tudo entrado vai ser colocado. e que tudo colocado vai ser transformado. e depois isso tudo fica. e depois a gente fica em tudo. é pra isso que a gente vive. é isso que a gente quer. se não, é menos do que querer. e menos do que querer, é muito menos do que viver. e menos do que viver, nem morte é.
sábado, 17 de abril de 2010
aqueles que nunca atravessaram o horizonte de si mesmos
não sei se é sorte
ou cruzeiro
um dos melhores modos de parecer fazer parte de algo, ou: um dos melhores meios de inspirar confiança: para si é sempre para o outro: parecer integrado, reiterado, pertencente, não desviar os olhos: sequer não pousá-los.
revolucionário mesmo é de repente frustrar o outro ao não defender o que gosta como o que é bom
ou alguém muoito esnobe a quem pergunto
por que a cultura é tão trajada?
por que há balões cor de dourados pendurados no teto?
com que cor de roupa estás?
você não, ali no fundo.
escondeu. se toda roupa é um código de esconder aqueles que se vestem com mais atenção estão escondendo na brincadeira?
ou tudo que escondemos é definitivamente uma simulação que está na roupa?
eu, a mulher-cavalo, azul marinho e vermelho-de-terra. cowboy e fertilidade.
jouer, joyeux, julee.
não sei se é sorte
ou cruzeiro
um dos melhores modos de parecer fazer parte de algo, ou: um dos melhores meios de inspirar confiança: para si é sempre para o outro: parecer integrado, reiterado, pertencente, não desviar os olhos: sequer não pousá-los.
revolucionário mesmo é de repente frustrar o outro ao não defender o que gosta como o que é bom
ou alguém muoito esnobe a quem pergunto
por que a cultura é tão trajada?
por que há balões cor de dourados pendurados no teto?
com que cor de roupa estás?
você não, ali no fundo.
escondeu. se toda roupa é um código de esconder aqueles que se vestem com mais atenção estão escondendo na brincadeira?
ou tudo que escondemos é definitivamente uma simulação que está na roupa?
eu, a mulher-cavalo, azul marinho e vermelho-de-terra. cowboy e fertilidade.
jouer, joyeux, julee.
pensam de espinho para espinho
pessoas vem e vão. não sei, mas com algumas me esforço mais. outras, é explicitamente tão natural a aproximação, a ruptura. eu tive a maior necessidade de dizer que no espaço, as coisas só acontecem no tempo. ontem um arrepio de andar pelo bairro alto, como duas semanas atrás na vila madalena. não re-encontrei ninguém que não fosse o arrepio. e uma das melhores coisas que me aconteceu na vida foi ler anna akhmatova. e então, pela segunda vez, esqueci o livro no brasil.
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agora que sou sincera
sol
havia um tempo em que decalcar o silêncio, anulando-o, era a entrada para o estar em mim. de algum modo ainda é assim, só realizo o que me acontece quando escrevo. mas a correspondência, ou a europa, me trouxeram alguma espécie de reserva. essa reserva, temo, como uma gordura do pensamento, delícia e resto, é o que não vacila em se acumular. no entanto, um corpo forte. isso, ou a confusão espontânea entre o que vivo e traço. ou alguma incerteza do meio-fio, experiência da palavra como trânsito, fronteira, irrigação. ou complemento da necessidade do sentido. nunca sei mesmo se o que escrevo tem transparência suficiente para o entendimento. ou se é só uma sonoridade transitada que fica. sei que preciso matar em mim para escrever. para dar o conhecimento que tenho da palavra. é preciso matar para escrever. superego, inveja alheia, constrangimento do outro, o nome disso que mato, não sei. e o arquétipo do ceifador, a morte, o fogo não é brando. é um fogo de ontem, que não conseguiram controlar ao anoitecer. no entanto, minha vida segue sem você, sem escrita, sem estudo, sem trabalho. fui ao brasil, quando voltei, estava tudo aqui. e algo nas drogas já não me interessa tanto. e algo na idéia de brasil me interessa mais. e algo em portugal é o que vivo. seja aqui ou lá, há muita gente boa que me acompanha. desses quero a carne comida. não a aliteração da ausência. saber que os tenho comigo. e que em portugal não se sabe usar a minha língua. nem no brasil. uma língua de fronteira, nós produzimos encontros. sua solidão não me interessa. se estamos a todo momento brincando de cegos. guio a palavra que me guia. terra-terra-terra. this land is your sea. meu fenômeno é a lealdade. minha bandeira , pirataria do amarelo.
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agora que sou sincera
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Cântico dos cânticos de salomão
eu era um mar de melancolia um coração pedra-bruta
meu amor nos meus braços adormece
mil maravilhas do mundo ele encarna
PIRÂMIDES DO EGITO
QUINTA AVENIDA MURALHA DA CHINA
MACHUPICCHU TITICACA
TRAFALGAR CATARATAS
MANHATTAN
seu corpo é gazeta ilustrada que folheio da primeira à última página
"JÁ RAIOU A LIBERDADE"
ele é meu
vento de viração barravento turbilhão doida canção de orfeurepresenta Tróia que um dia o tédio de Helena varreu
corisco que lampeja e lambe o lajedo da minha casinha sertaneja
ele é chave geral de usina elétrica tomada acesa incendiada
ele é minha cimitarra sarracena adaga afiada espada bárbara
ele é meu SOL minha luz minha brasa meu braseiro meu brasil tição
conquistador do pólo navio quebra-gelo que me derrete o coração
sou a sede de um rio corrente caçando o SAL do oceano ardente
SENEGAL
MADAGASCAR
HONG KONGMADAGASCAR
[do waly.]
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amigos amigos negócios reparte
sexta-feira, 9 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
acho que chamavam sorte
ou fado-do-destino? deve haver no campo n'algum lugar uma flor a quem alguém chama assim.
por enquanto percebi que simplesmente minha vida mudou e que agora sou um transatlântico
mas um transatlântico bordado na fronha de um miúdo que dorme e baba no travesseiro
a saliva dele é o meu oceano
por enquanto percebi que simplesmente minha vida mudou e que agora sou um transatlântico
mas um transatlântico bordado na fronha de um miúdo que dorme e baba no travesseiro
a saliva dele é o meu oceano
sábado, 3 de abril de 2010
domingo, 28 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
a possibilidade de reter, não alavancar. tornar a estratosfera do ruído um azul de paisagem. encostar o ouvido no que quer ser dito: escalonar a respiração. determinar um. esquecer dois. viajar três. quatro mais quatro são encontros que ainda quero ter.
saio mais uma vez em festa toda de azul-marinho. a lua. olha ela lá. de ninguém. não vai explodir nada. enquanto a terra rompe comigo, flutuo. se é preciso entender: estou bem. ou: fico um saco vazio e vou ler bernardo soares e não acho que ele seja um em crise.
#
vou quando soares a luz. réptil por turno. de manhã montanha, gavião no umbigo, olhos que rasgam. teu corpo tem a doçura da minha procura. da próxima vez que te perguntarem se você está, vem.
saio mais uma vez em festa toda de azul-marinho. a lua. olha ela lá. de ninguém. não vai explodir nada. enquanto a terra rompe comigo, flutuo. se é preciso entender: estou bem. ou: fico um saco vazio e vou ler bernardo soares e não acho que ele seja um em crise.
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vou quando soares a luz. réptil por turno. de manhã montanha, gavião no umbigo, olhos que rasgam. teu corpo tem a doçura da minha procura. da próxima vez que te perguntarem se você está, vem.
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quinta-feira, 25 de março de 2010
estávamos esperando por um ônibus e eu te abraçava e você me recebia ternamente e depois fazia uma cara feia de não me toques, então o ônibus chegava, subíamos nele. sentávamos juntos e começavamos a subir a montanha. então a vista lá embaixo era linda, tipo o rio de janeiro, então eu pensava no autocarro todo articulado que a via expressa era estreita demais e corríamos riscos , acidentes. então o vagão tropeçava em si mesmo e capotava, na parte em que você estava: eu já estava de fora e olhava que você tinha virado um pote de gelatina, um potezinho de iogurte: você tinha virado um pote de iogurte!! então enquanto chegava o resgate eu abria a tampa do pote (você) e pensava "pronto, agora podes ficar livre".
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quarta-feira, 24 de março de 2010
carambola, fruta do conde, cajú, no iogurte de coco coloco maracujá, o de graviola fica por si só, manga de manhã ao acordar, de madrugada goiaba, suco de milho na paulista, sorvete de papaya, antes de cupuaçu; desconfio que estou no brasil.
ou: esteja cá já.
na rua dos pinheiros penso na rua da rosa; na rua da rosa penso na dos pinheiros,
apesar de que é tudo questão de flora,
(ainda não fui ver minha gata)
é diferente a minha consciência da gata desde que
sou como um esquiador
descendo com um pé em cada cordilheira
pensando bem a gata também se equilibra em cada muro
ou: esteja cá já.
na rua dos pinheiros penso na rua da rosa; na rua da rosa penso na dos pinheiros,
apesar de que é tudo questão de flora,
(ainda não fui ver minha gata)
é diferente a minha consciência da gata desde que
sou como um esquiador
descendo com um pé em cada cordilheira
pensando bem a gata também se equilibra em cada muro
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terça-feira, 23 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
e quando a porta se abre, quem é que sai?
cavalinho, cavalinho
and we're going to the north
(but not so far not so north)
we have a horse together
our horse is freedom
e nós atravessamos o atlântico nosso de cada dia
por ele com ele
cavalinho for freedom
we've got a TEMPESTADE
e o que nos perguntamos é:
o que esses peixes grandes querem comigo?
cavalinho, cavalinho.
cavalinho, cavalinho
and we're going to the north
(but not so far not so north)
we have a horse together
our horse is freedom
e nós atravessamos o atlântico nosso de cada dia
por ele com ele
cavalinho for freedom
we've got a TEMPESTADE
e o que nos perguntamos é:
o que esses peixes grandes querem comigo?
cavalinho, cavalinho.
segunda-feira, 15 de março de 2010
domingo, 14 de março de 2010
sonhei com a rua da casa em que cresci. de novo. na curva da rua do clube muitas madeiras, eu precisava de uma delas pra usar como freio ao descer a rua, de patins ou skate?, iria pregar num pé. só que em cima dos madeirites tinham muitas sujeiras e bichos. então eu chutava chutava chutava e de cima da madeira corriam aranhas todas para o outro lado, assustadas com o meu chute, até que uma menorzinha de todas pulou no meu ombro e eu senti uma picadinha pensei é nada. e continuei chutando. fui até a rua ver a altura da descida e no tornozelo uma dor radiava, essas dores que se espraiam num corpo. então: olhei o ombro e como uma estrela anêmona água-viva tinha estourado um canal de sangue por debaixo da minha pele. parecia um neurônio de sangue.
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quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
quando escrevi sobre a casa
minha amiga também encarnava uma
deitava o corpo junto ao papel
estou só
cheia de esquadros
nas gavetas
procuro uma guia
#
tinha dois espaços em si
os olhos e a aeronave
o recurso de dizer algo impactante
e a matilha toda, imensa, como um lago, a espera
coração já usei muito
agora o real é procedimento
por exemplo:
a massa do teto tem uns furos craquelados
de um ângulo um farol, talvez um leme
do que estou mais certa
é num pescoço de mulher, um colar arrebentado.
#
lembro dos cachorros que corriam
meus cachorros que escapavam
iam viver naquela rua
voltavam caramelos como o chão
e se eu ia lá mordiam-se as orelhas
e às vezes tinha que atirar cascalhos de mentira/ fingir/
que lançava pedras pra que eles corressem de mim
foi o modo de ficarmos juntos.
minha amiga também encarnava uma
deitava o corpo junto ao papel
estou só
cheia de esquadros
nas gavetas
procuro uma guia
#
tinha dois espaços em si
os olhos e a aeronave
o recurso de dizer algo impactante
e a matilha toda, imensa, como um lago, a espera
coração já usei muito
agora o real é procedimento
por exemplo:
a massa do teto tem uns furos craquelados
de um ângulo um farol, talvez um leme
do que estou mais certa
é num pescoço de mulher, um colar arrebentado.
#
lembro dos cachorros que corriam
meus cachorros que escapavam
iam viver naquela rua
voltavam caramelos como o chão
e se eu ia lá mordiam-se as orelhas
e às vezes tinha que atirar cascalhos de mentira/ fingir/
que lançava pedras pra que eles corressem de mim
foi o modo de ficarmos juntos.
terça-feira, 9 de março de 2010
catástrofe em paris
alavancaram mais uma situação crítica como o eixo da situação. escolheram as derradeiras ilhas para implodir a salvação. as ilhas do destino imaginário. entre os náufragos opto por ser o oráculo, escrever nada com nada e ficam me querendo a pele: a permeabilidade visionária. mas me sinto só num sono tão antigo quanto a escrita chinesa.
(às vezes preciso anunciar
uma gaivota ao mar
gaivota ao mar!)
naufragar os parênteses até cambaleando se tornarem canoas
ou teremos fé no que vem assim, inexperimentado?
(às vezes preciso anunciar
uma gaivota ao mar
gaivota ao mar!)
naufragar os parênteses até cambaleando se tornarem canoas
ou teremos fé no que vem assim, inexperimentado?
sei que tive, encontrei e até desfiz. estou confusa de dizer as datas. porque eu (era? hoje encontrei um fio de cabelo branco) quem me dizia antes que sabia o que tinha acontecido antes (ou, digo: eu só te contei certas coisas pra você entender com quem está vivendo).
(às vezes é preciso anunciar
uma gaivota ao mar
gaivota ao mar!
naufragar os parenteses até cambaleando se tornarem canoas
ou ter fé no que vem assim inexperimentado?
#
navio no. 2
levantei-me com o cavalo
os perigos da solidão a dois
um sonho que não sei contar
não rolo mais entre as pedras
dos sentidos, sou pelo vento,
pelo sopro tua voz me ilumina.
#
um coração que não tivesse centro
(às vezes é preciso anunciar
uma gaivota ao mar
gaivota ao mar!
naufragar os parenteses até cambaleando se tornarem canoas
ou ter fé no que vem assim inexperimentado?
#
navio no. 2
levantei-me com o cavalo
os perigos da solidão a dois
um sonho que não sei contar
não rolo mais entre as pedras
dos sentidos, sou pelo vento,
pelo sopro tua voz me ilumina.
#
um coração que não tivesse centro
segunda-feira, 1 de março de 2010
olá, eu gostaria de voltar pra casa/ mas eu não sei mais where home is
ENTÃO
eu quero morrer de dia eu quero morrer de noite de manhã eu também quero morrer ao pôr do sol não sou indiferente: morrer, sim, morrer determinadamente escolher por morrer também ao meio tarde eu quero morrer na fila do banco de diarréia eu quero morrer de fungos pelo corpo alucinógenos eu quero morrer
se continuar assim, precisando ficar cansada como preciso pra conseguir escrever vou morrer com 34 anos de velha
ou, aos 65, poderei dizer quando me entrevistarem: "passei 70% do tempo da minha vida absolutamente drogada". e poderão dizer como a poesia se aproximou novamente do rock and roll, my soul is empty, let me cry over your shadow
ENTÃO
eu quero morrer de dia eu quero morrer de noite de manhã eu também quero morrer ao pôr do sol não sou indiferente: morrer, sim, morrer determinadamente escolher por morrer também ao meio tarde eu quero morrer na fila do banco de diarréia eu quero morrer de fungos pelo corpo alucinógenos eu quero morrer
se continuar assim, precisando ficar cansada como preciso pra conseguir escrever vou morrer com 34 anos de velha
ou, aos 65, poderei dizer quando me entrevistarem: "passei 70% do tempo da minha vida absolutamente drogada". e poderão dizer como a poesia se aproximou novamente do rock and roll, my soul is empty, let me cry over your shadow
sábado, 27 de fevereiro de 2010
desde manhã venta mais forte e há uma vela acesa que me impede de escrever porque venta na folha
a folha é de papel o papel incendeia o meu pirata de sal, carbono e deus,
ganhei 4 grãos de café ontem à noite e gostava de escrever o cheiro que eles têm
(encavados na palma da minha mão, vivem, danço com eles dentro dos meus bolsos
talvez tê-los seja uma bússola para os próximos tempos)
mas enquanto não consigo empilho no meu umbigo e digo: um, dois, três
viro pra ele e pergunto "qual a profundidade do teu umbigo, em grãos de café?"
a folha é de papel o papel incendeia o meu pirata de sal, carbono e deus,
ganhei 4 grãos de café ontem à noite e gostava de escrever o cheiro que eles têm
(encavados na palma da minha mão, vivem, danço com eles dentro dos meus bolsos
talvez tê-los seja uma bússola para os próximos tempos)
mas enquanto não consigo empilho no meu umbigo e digo: um, dois, três
viro pra ele e pergunto "qual a profundidade do teu umbigo, em grãos de café?"
O que o vento está sentindo por mim? pensou, sem olhar ao redor, como aquelas pessoas que acompanham os guias de jornal.
Os últimos avanços da programática, quero dizer, da ciência, em busca do último romance publicado, a cura do câncer.
O melhor coração que eu tenho quando se enche até a borda transborda murmura litígio nem precisa ainda ser uma questão litigiosa mas com o perdão dos vossossauros sentimentos quem ainda está nessa de se sentir ferido tem que ver um condor nos teus olhos ou como bem disse meu amigo marcos visnadi os cachorros trepando num canil na rua no ventre os cães que trepam no meu ventre
os cães que trepam no meu ventre
não lêem a última programação semanal
todos os guias do mundo levam a um mesmo lugar
por favor me levem a algum lugar nenhum junto com ele
ele o rio, ele quem ri em mim, ele o ele que sou
focinho rosa, creolina nas juntas
mata-pulga e avião
é sempre possível um pouco mais - - - ele tem insônia numa noite eu atravesso a sala com um pote de salada de madrugada - - - fresquinha rúcula e alcatrão - - os dedos amarelos, aborígene - - feito, me olha: então? voltastes a escrever?
"sim", mas agora com crueldade.
Os últimos avanços da programática, quero dizer, da ciência, em busca do último romance publicado, a cura do câncer.
O melhor coração que eu tenho quando se enche até a borda transborda murmura litígio nem precisa ainda ser uma questão litigiosa mas com o perdão dos vossossauros sentimentos quem ainda está nessa de se sentir ferido tem que ver um condor nos teus olhos ou como bem disse meu amigo marcos visnadi os cachorros trepando num canil na rua no ventre os cães que trepam no meu ventre
os cães que trepam no meu ventre
não lêem a última programação semanal
todos os guias do mundo levam a um mesmo lugar
por favor me levem a algum lugar nenhum junto com ele
ele o rio, ele quem ri em mim, ele o ele que sou
focinho rosa, creolina nas juntas
mata-pulga e avião
é sempre possível um pouco mais - - - ele tem insônia numa noite eu atravesso a sala com um pote de salada de madrugada - - - fresquinha rúcula e alcatrão - - os dedos amarelos, aborígene - - feito, me olha: então? voltastes a escrever?
"sim", mas agora com crueldade.
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agora que sou sincera
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
me leva que eu vou
afobado, borderline, escasso. o que vai subir de imagem numa folha? penso ensaiar um ballet na entrada da primavera: como personagens: o samba, a sacudida, o carinho.
não é demais escrever 'carinho' e ficar olhando acontecer?
então quando eu amo é na garganta. você não percebe a luz que me cega dentro dos tímpanos? sempre rompendo pra ficarmos juntos
acesso
leve
acesso
(subiu um pouco a temperatura e choveu granizo -- será que é assim que fala em português? -- três vezes hoje. se o vidro da janela quebrasse ah se a janela)
no mais tenho pensado em: deus, destino, acaso. coisas que eu queria ser. desisti. escrevo porque é ainda o tanto que me flerta. e esse olhar sempre migrando pra lá e pra cá: dançando vaga sombra latitude: olá, vem dormir comigo.
não é demais escrever 'carinho' e ficar olhando acontecer?
então quando eu amo é na garganta. você não percebe a luz que me cega dentro dos tímpanos? sempre rompendo pra ficarmos juntos
acesso
leve
acesso
(subiu um pouco a temperatura e choveu granizo -- será que é assim que fala em português? -- três vezes hoje. se o vidro da janela quebrasse ah se a janela)
no mais tenho pensado em: deus, destino, acaso. coisas que eu queria ser. desisti. escrevo porque é ainda o tanto que me flerta. e esse olhar sempre migrando pra lá e pra cá: dançando vaga sombra latitude: olá, vem dormir comigo.
orgulho do papai
mamãe me deu dinheiro de aniversário
faça o que quiser com ele, disse, depois
guarda pra daqui meses comprar sua geladeira e seu colchão
(devia eu guardar, não devia?)
mas só consigo comprar livros, portugueses.
faça o que quiser com ele, disse, depois
guarda pra daqui meses comprar sua geladeira e seu colchão
(devia eu guardar, não devia?)
mas só consigo comprar livros, portugueses.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
::
de todas as pessoas que me compõe és somente mais uma.
apreendo a divagação do eterno. vim viver numa língua em que se diz "alma" sem muito delito. apresento-me para mim mesma em exílio. é do sufoco que renasço.
preciso sempre de algo incrível
de todas as pessoas que me compõe és somente mais uma.
apreendo a divagação do eterno. vim viver numa língua em que se diz "alma" sem muito delito. apresento-me para mim mesma em exílio. é do sufoco que renasço.
preciso sempre de algo incrível
(amor)
para sobreviver. estou sempre no movimento
de alga presa pelos dentes do coral, dançante.
::
digo "sempre" porque confrontei a morte desses dias.
::
queria ter um livro já escrito, para abrir-nos e entender.
mas também os livros nos decalcam pelo silêncio.
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digo "sempre" porque confrontei a morte desses dias.
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queria ter um livro já escrito, para abrir-nos e entender.
mas também os livros nos decalcam pelo silêncio.
Marcadores:
amor,
sweet comic valentine
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
a brutalidade das coisas práticas não pode tecer os meus dias e é por isso que crio sempre uma casa necessária e minha, onde cuido.
o tempo não me quer, é essa a totalidade dele e a minha tolice acreditar que vou inventá-lo quando ele, na verdade, é um inevitável. dele mesmo.
e toda a criação que eu fizer pra dentro, do texto, da resistência imaginária entre eu e o corpo do mundo, vai ser dragado pelo próprio tempo e ele mesmo vai dizer: inevitável. por isso não persigo mais a caça. por isso não me escondo mais.
não sei porque alguém assusta em resolver no campo, em jogar dardos, escrever ou chorar, ou seja, nas tantas formas de encontro, a mais, do que o amor fátuo, factual. a literatura tantas vezes trata somente disso. e não aguarde (de mim nunca) a palavra "sublimação", porque ela é rarefeita e o meu pensamento é material.
#
rosalinda, se tu fores à praia/ se tu fores ver o mar/ cuidado não te descaia/ o teu pé de catraia/ em óleo sujo à beira-mar
o tempo não me quer, é essa a totalidade dele e a minha tolice acreditar que vou inventá-lo quando ele, na verdade, é um inevitável. dele mesmo.
e toda a criação que eu fizer pra dentro, do texto, da resistência imaginária entre eu e o corpo do mundo, vai ser dragado pelo próprio tempo e ele mesmo vai dizer: inevitável. por isso não persigo mais a caça. por isso não me escondo mais.
não sei porque alguém assusta em resolver no campo, em jogar dardos, escrever ou chorar, ou seja, nas tantas formas de encontro, a mais, do que o amor fátuo, factual. a literatura tantas vezes trata somente disso. e não aguarde (de mim nunca) a palavra "sublimação", porque ela é rarefeita e o meu pensamento é material.
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rosalinda, se tu fores à praia/ se tu fores ver o mar/ cuidado não te descaia/ o teu pé de catraia/ em óleo sujo à beira-mar
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
comboio nunca voltará a ser trem
vejamos bem, então, da janela vejo uma porrada de cuecas penduradas, um céu azul com uma antena de televisão em cima de um prédio alto (6 andares é alto). também tenho que tomar banho, que tem hora pra pegar comboio.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
quando eu estava vindo pra cá (escrever) havia algo de sonoro: concreto então de ser poema. escrevi uns 3 de luz apagada tentando dormir, passaram como flashs de farol passavam no coqueiro em frente a minha casa.
então eu cheguei aqui e só tinha a tela e eu essa luz desencabida. e uma vontade corriqueira, corriqueira, do mundo ser um perigo só, e eu inteira humildade.
fui parar tantas vezes no fundo, eu queria dizer. que tem alguém em mim suportando os ombros e outro lado tá dançando mambo. se eu pudesse chegar em mim pelas costas me abraçava.
então: alarguei o peito como um pássaro. minha barriga é de gato: quer o mundo em si. já o pássaro estalou o peito. foi uma coisa impressionante, duas horas atrás. porque se não a gente entra pra dentro (inverno europeu aqui onde o creme de leite é desconjuntado, etc)
o bernardo me disse pra deixar correr, eu ia tentar dormir de novo, amanhã cedo a gente vai pra aveiro: minhas olheiras: O O como que desenha olheira com caracteres?
não sei dizer ainda muito mais do que isso, tá tudo refogado no meu precipício.
onde tem acento em precipicio? que é pra voar melhor.
então eu cheguei aqui e só tinha a tela e eu essa luz desencabida. e uma vontade corriqueira, corriqueira, do mundo ser um perigo só, e eu inteira humildade.
fui parar tantas vezes no fundo, eu queria dizer. que tem alguém em mim suportando os ombros e outro lado tá dançando mambo. se eu pudesse chegar em mim pelas costas me abraçava.
então: alarguei o peito como um pássaro. minha barriga é de gato: quer o mundo em si. já o pássaro estalou o peito. foi uma coisa impressionante, duas horas atrás. porque se não a gente entra pra dentro (inverno europeu aqui onde o creme de leite é desconjuntado, etc)
o bernardo me disse pra deixar correr, eu ia tentar dormir de novo, amanhã cedo a gente vai pra aveiro: minhas olheiras: O O como que desenha olheira com caracteres?
não sei dizer ainda muito mais do que isso, tá tudo refogado no meu precipício.
onde tem acento em precipicio? que é pra voar melhor.
my boat is full
let's play some music and say how to not say how anything, let's make love and some yellow children (never be without yellow, mom used to say), i was the perfect loud to you, if i had more soul to gave i'll give it, this for me is to live. to die with teeths, no way.
entregue derramada entrega assim si
nuca - - - - - - - . se transformam depressa demais.
pega o fogo de auxílio diz que não basta, não basta.
é pouco tudo. - - - em pouco tudo. - - - havia pouco tudo.
trago os traços pra cima - - - acordo
depois me deito, durmo pouco, volto a não pensar.
amo.
então esfrego, arranjo, canto
deus me livre de outro enjôo não quero mesmo nenhum cansaço
oxalá
meu futuro aconteça.
saca o lance? blues mobília, meu corpo.
nuca - - - - - - - . se transformam depressa demais.
pega o fogo de auxílio diz que não basta, não basta.
é pouco tudo. - - - em pouco tudo. - - - havia pouco tudo.
trago os traços pra cima - - - acordo
depois me deito, durmo pouco, volto a não pensar.
amo.
então esfrego, arranjo, canto
deus me livre de outro enjôo não quero mesmo nenhum cansaço
oxalá
meu futuro aconteça.
saca o lance? blues mobília, meu corpo.
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