quem corre pra viver toda aventura (quando pode) foge de qualquer confusão
terça-feira, 13 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
o que acabou não cessa de começar: amor
meus ombros viraram uma asa delta desde que você me apareceu. sobrevôo a cidade, ninguém vai partir. cobriram os aeroportos de festas. os vigilantes das bagagens começaram a dançar, os cães farejadores se roçam e o próprio raio-x se acelerou ao ponto de criar uma batida, destroçou os vidros e o sol come por dentro da sala de embarque. sim, fui eu, ele meu, imperador. o nome do rei é Tempo e ele dá morangos às carabinas.
os frutos imitam o sangue nas propriedades de uma boca. alguém em mim aprenderia a amar tudo o que é incerteza e a descobrir todas as ultrapassagens da lógica. cheguei na selva : o que eu sinto é verde e denso e úmido e não é você. escuta: uma lógica que não é silêncio. é hiato. o esquecimento é uma produtividade. tenho vivido.
somos todos pessoas, impressionantes as coisas que precisamos dizer para nos lembrarmos.
os frutos imitam o sangue nas propriedades de uma boca. alguém em mim aprenderia a amar tudo o que é incerteza e a descobrir todas as ultrapassagens da lógica. cheguei na selva : o que eu sinto é verde e denso e úmido e não é você. escuta: uma lógica que não é silêncio. é hiato. o esquecimento é uma produtividade. tenho vivido.
somos todos pessoas, impressionantes as coisas que precisamos dizer para nos lembrarmos.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
o que é o tempo

clarisse: HAHAHAHAHAHAHAH
esse comentario a 5 anos atras nao teria acontecido!!!
eu: hahahahahha não mesmo
em nenhum sentido
se ele me abraçasse por trás hahahah never
o q é o tempo, não é minha filha
pra ver a voz
o B me explicou dia desses que nós ouvimos a própria voz diferente do que os outros ouvem porque escutamos a vibração no osso, nos ossos.
coloquei o rosto, o ouvido no peito dele e o ouvi falar. então escutei duas vezes a voz.
será que há algum lugar do corpo de outro que se encostamos ouvimos a voz que o outro ouve ao falar? em que haja coincidência.
talvez procurar o lugar seja o amor.
coloquei o rosto, o ouvido no peito dele e o ouvi falar. então escutei duas vezes a voz.
será que há algum lugar do corpo de outro que se encostamos ouvimos a voz que o outro ouve ao falar? em que haja coincidência.
talvez procurar o lugar seja o amor.
Marcadores:
amor
criar compostagem
deito-me às 2h30. durmo às 4h30. levanto às 5h30. como. volto a dormir. acordo 12h30. não consigo entender quando chega às 16h30 e não vivi nem metade do dia.
encontro antes de dormir mil coisas. parece que é essa a viagem, viver como se fosse um hotel de mim mesma. fechei os olhos e noitei que dou muito foco aos órgãos da barriga. porque pensei que a pele também é um órgão. os ossos são um órgão? então fiquei desconcentrando a informação pra todo o corpo, conversei com meus pés durante horas. mas com eles até que é fácil conversar. pensei então nos músculos, tendões. eu estava por dentro de tudo. pra conversar não é preciso se mexer. então pensei que os gatos também são assim, se concentram na barriga. as patas são pra movimentar. os órgãos, não os chamam "vitais"? estarei então concentrada em viver?
encontro antes de dormir mil coisas. parece que é essa a viagem, viver como se fosse um hotel de mim mesma. fechei os olhos e noitei que dou muito foco aos órgãos da barriga. porque pensei que a pele também é um órgão. os ossos são um órgão? então fiquei desconcentrando a informação pra todo o corpo, conversei com meus pés durante horas. mas com eles até que é fácil conversar. pensei então nos músculos, tendões. eu estava por dentro de tudo. pra conversar não é preciso se mexer. então pensei que os gatos também são assim, se concentram na barriga. as patas são pra movimentar. os órgãos, não os chamam "vitais"? estarei então concentrada em viver?
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
mas não sorrimos à toa
os dias se encontram como pontos finais, ou desenham um arco, é, melhor assim: um arco. antes de dormir e ao acordar, parece que as energias coincidem, as forças que sinto, vontades e clarezas - - - enquanto o meio é um tremendo meio. as madrugadas e manhãs: paredes de um canyon, todas as tardes: abismo desértico, isso de nariz entupido, o vento tão chato. lá no meio da rua, no meio do banco, o caixa do banco era outro, não era o de sempre, e fez anedota com o meu nariz, com meu responder "oi" ao não entender (se eu fizesse cara feia toda vez que um português me diz "força" ah se eu fizesse), me ofereceu um comprimido e a tarde ventava imensa, não era brasil, não era brasil. minha capa de chuva parecia de cobre porque não chovia, era ontem o dia da chuva, hoje era só vento e sair contra revelia. - - - - -
-------- acordei que nem contei: não tinha pão, abri uma lata de pêssego em calda joguei sucrilhos e linhaça, meu dia começou assim. agora terminou com iogurte de pêssego, aí estão os ciclos de sucrilhos, todos terminados, passando pela tarde com espinafre, frango, arroz integral e cenoura, não li o nietzsche que eu tenho que ler (antes quando não tinha, eu lia), respondi uns 3 ou seis emails, todos eles contando da minha técnica de exaustão (eu gosto disso, de ter muitos emails todos os dias, respondo a cada um deles e antes de dormir faço a minha oração compaixão com os escritores destinatários compaixão que eles nos levem à sério e não e percebam que sou só remetente de palavras que me remeteram em vigores lombos adestrados e vazios escrever, nunca te metas com um escritor se quiseres um par leal com as palavras um escritor vai dizê-las vai dizer-te tudo que pensa vai trançá-lo até o extase e depois BANG acabado BANG BANG BANG vai meter na tua caixa palavras de um ódio frio e ameno sempre estará do outro lado se revigorando com elas sempre maravilhado com as caixinhas de montar com a propriedade das palavras de provocarem misturarem incitarem CLARÕES - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - pois que palavra essencial é amor é amizade é eu e és tu - - - - - - voltamos) como um método de sucumbir para depois levantar, pensei como somos jovens, como somos jovens, como somos jovens, COMO SOMOS JOVENS, e de repente passa e não seremos jovens e não poderei mais usar a minha técnica infalível do recomeçar derrubando a arrogância no salão dos espirros recobrindo a humildade com catarro eu não poderei contar-te cem mil coisas - - - - - só duas ou três que te parecerão cem mil coisas de tanto que te acompanharão pelos incêndios e insônias, e ao plantar os pés de alface - sonífereas e insípidas- do teu cotidiano. -- - - - - - - - então descubro que com tanto contágio do meu amor querente passaste para mim seu vivo ostra de ser modos, agora sou eu que enclausurada estou numa rocha, e é ele, o sempre outro, o sempre vivo outro, que se aproxima da rocha e olha a mim mexilhão, com todos os olhos d miúdo que nunca tinha visto tais seres colados às rochas marinhas, e sem enciclopédia ou discovery channel, tenta ver-me e, maravilhado, quiçá, oxalá e colchão, o miúdo ama as pérolas e sabe mastigá-las com os dentes até parti-las, como eu, um dia, também contigo tentei.
-------- acordei que nem contei: não tinha pão, abri uma lata de pêssego em calda joguei sucrilhos e linhaça, meu dia começou assim. agora terminou com iogurte de pêssego, aí estão os ciclos de sucrilhos, todos terminados, passando pela tarde com espinafre, frango, arroz integral e cenoura, não li o nietzsche que eu tenho que ler (antes quando não tinha, eu lia), respondi uns 3 ou seis emails, todos eles contando da minha técnica de exaustão (eu gosto disso, de ter muitos emails todos os dias, respondo a cada um deles e antes de dormir faço a minha oração compaixão com os escritores destinatários compaixão que eles nos levem à sério e não e percebam que sou só remetente de palavras que me remeteram em vigores lombos adestrados e vazios escrever, nunca te metas com um escritor se quiseres um par leal com as palavras um escritor vai dizê-las vai dizer-te tudo que pensa vai trançá-lo até o extase e depois BANG acabado BANG BANG BANG vai meter na tua caixa palavras de um ódio frio e ameno sempre estará do outro lado se revigorando com elas sempre maravilhado com as caixinhas de montar com a propriedade das palavras de provocarem misturarem incitarem CLARÕES - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - pois que palavra essencial é amor é amizade é eu e és tu - - - - - - voltamos) como um método de sucumbir para depois levantar, pensei como somos jovens, como somos jovens, como somos jovens, COMO SOMOS JOVENS, e de repente passa e não seremos jovens e não poderei mais usar a minha técnica infalível do recomeçar derrubando a arrogância no salão dos espirros recobrindo a humildade com catarro eu não poderei contar-te cem mil coisas - - - - - só duas ou três que te parecerão cem mil coisas de tanto que te acompanharão pelos incêndios e insônias, e ao plantar os pés de alface - sonífereas e insípidas- do teu cotidiano. -- - - - - - - - então descubro que com tanto contágio do meu amor querente passaste para mim seu vivo ostra de ser modos, agora sou eu que enclausurada estou numa rocha, e é ele, o sempre outro, o sempre vivo outro, que se aproxima da rocha e olha a mim mexilhão, com todos os olhos d miúdo que nunca tinha visto tais seres colados às rochas marinhas, e sem enciclopédia ou discovery channel, tenta ver-me e, maravilhado, quiçá, oxalá e colchão, o miúdo ama as pérolas e sabe mastigá-las com os dentes até parti-las, como eu, um dia, também contigo tentei.
Marcadores:
nunca ame umx escritorx
terça-feira, 8 de junho de 2010
play with fire
sim e isso é tanto, mas as coisas se vão embora também nossas células se trocam quantas novas é tudo já renovado, resetado em quantos anos? onde será que estaremos daqui 20 anos? que pessoas nos tocarão? se esse ano é Hilda Hilst a maior escritora que já li quem será em 2030?
"Ai Senhor, tu tens igual a nós o fétido buraco? Escondido atrás mas quantas vezes pensado, escondido atrás, todo espremido, humilde mas demolidor de vaidades, impossível ao homem se pensar espirro do divino tendo esse luxo atrás, discurseiras, senado, o colete lustroso dos políticos, o cravo na lapela, o cetim nas mulheres, o olhar envesgado, trejeitos, cabeleiras, mas o buraco ali, pensaste nisso? Ó buraco, estás aí também, no teu Senhor?"
não sei dos lugares adiante, tão pouco tu sabes, e sigo, segues, somos seguidos.
dia desses duas moscas zumbiram em seqüencia no meu ouvido, mas não as pude ver. estive certa por dois segundos e tremi: É A LOUCURA.
que coisa forte que é.
alazão, alazão, acalma-te.
"Ai Senhor, tu tens igual a nós o fétido buraco? Escondido atrás mas quantas vezes pensado, escondido atrás, todo espremido, humilde mas demolidor de vaidades, impossível ao homem se pensar espirro do divino tendo esse luxo atrás, discurseiras, senado, o colete lustroso dos políticos, o cravo na lapela, o cetim nas mulheres, o olhar envesgado, trejeitos, cabeleiras, mas o buraco ali, pensaste nisso? Ó buraco, estás aí também, no teu Senhor?"
não sei dos lugares adiante, tão pouco tu sabes, e sigo, segues, somos seguidos.
dia desses duas moscas zumbiram em seqüencia no meu ouvido, mas não as pude ver. estive certa por dois segundos e tremi: É A LOUCURA.
que coisa forte que é.
alazão, alazão, acalma-te.
Marcadores:
nunca ame umx escritorx
domingo, 6 de junho de 2010
não vês que teu mal é perdição? e que descanso além d'em exaustão só há no amor?
que idéia convulsa a que tens do amor, des-vivida, se nas encruzilhadas dos teus imaginários os amores são cães que se encontram, e latem, e saltam atrás das rodas enquanto atravessam a rua e se coçam de poeira na sarjeta
no que coube a mim enterrei todas as cordilheiras, achava. mas viramos as fronteiras de nós mesmos, não é preciso nem voltar-se pras costas e essas coisas sobem em (todos) nós como trepadeiras, fortalezas. que espécie de orgulho é esse que não permite uma pessoa deitar ao lado de outra pessoa. e só isso. um compartimento sem rigidez, um caber-nos.
se eu tivesse olhos nas costas também acharia que o terremoto (quando vier) virá por trás de mim?
que sabe me explicar perfeitamente/ e não me entende / e não entende nada (...)/ e nunca o ato mero/ de compor uma canção foi tão desesperadamente necessário
nem duas palavras consigo escrever sem me sentir improvável, precária, falante. quero o amor pelo ritmo, seja lá isso o que for. amor, excedente.
que idéia convulsa a que tens do amor, des-vivida, se nas encruzilhadas dos teus imaginários os amores são cães que se encontram, e latem, e saltam atrás das rodas enquanto atravessam a rua e se coçam de poeira na sarjeta
no que coube a mim enterrei todas as cordilheiras, achava. mas viramos as fronteiras de nós mesmos, não é preciso nem voltar-se pras costas e essas coisas sobem em (todos) nós como trepadeiras, fortalezas. que espécie de orgulho é esse que não permite uma pessoa deitar ao lado de outra pessoa. e só isso. um compartimento sem rigidez, um caber-nos.
se eu tivesse olhos nas costas também acharia que o terremoto (quando vier) virá por trás de mim?
que sabe me explicar perfeitamente/ e não me entende / e não entende nada (...)/ e nunca o ato mero/ de compor uma canção foi tão desesperadamente necessário
nem duas palavras consigo escrever sem me sentir improvável, precária, falante. quero o amor pelo ritmo, seja lá isso o que for. amor, excedente.
terça-feira, 1 de junho de 2010
alforria blues
em um dia otimista
se eu escrevesse tanto quanto lavo a louça, já tinha ganhado o nobel
1/3 da vida é faxina outro terço a gente passa dormindo ou comendo o outro terço
se eu escrevesse tanto quanto lavo a louça, já tinha ganhado o nobel
1/3 da vida é faxina outro terço a gente passa dormindo ou comendo o outro terço
quinta-feira, 27 de maio de 2010
meus lábios estão partidos e acho que me apaixonei. preciso fazer uma lista das coisas que me importam e dar pra ele. abacate com limão ardeu minha boca. a água do banho estava quente e me queimou os pés. nunca ganhei um anel de alguém, ao que parece, ainda estou livre. e se um dia nosso amor me encher de dúvidas, não saberei como resolvê-las.
vitalidade
o espelho: dividir o corpo em heterônimos.
o mundo: espalhar os heterônimos em cores.
as cores: repartir os espelhos com todos.
o mundo: espalhar os heterônimos em cores.
as cores: repartir os espelhos com todos.
diria nessa manhã que já é tarde
XIV
Uma viagem sem fim, Túlio, eu te proponho
Um percorrer o mundo, vagaroso, uns caminhares
Largos, entre a montanha e o vale, e acertos
Entre nós dois, nós viajores, nós repensando
Os rios,
E um campo de papoulas nos tomando, um frêmito
Luminoso,
Agudos, inquietantes no entender dos outros,
Lúdicos como convém a cálidos amantes.
Viagem de madrugada milenares, Sírius intensa,
Tudo ao redor papoulas e cerejas, como convém
A mim, louca de lucidez, e como a ti, Túlio,
Comigo, te convém.
[Hilda Hilst, do "O poeta inventa viagem, retorno, e sofre de saudade" no Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão.]
XIV
Uma viagem sem fim, Túlio, eu te proponho
Um percorrer o mundo, vagaroso, uns caminhares
Largos, entre a montanha e o vale, e acertos
Entre nós dois, nós viajores, nós repensando
Os rios,
E um campo de papoulas nos tomando, um frêmito
Luminoso,
Agudos, inquietantes no entender dos outros,
Lúdicos como convém a cálidos amantes.
Viagem de madrugada milenares, Sírius intensa,
Tudo ao redor papoulas e cerejas, como convém
A mim, louca de lucidez, e como a ti, Túlio,
Comigo, te convém.
[Hilda Hilst, do "O poeta inventa viagem, retorno, e sofre de saudade" no Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão.]
Marcadores:
amigos amigos negócios reparte
domingo, 23 de maio de 2010
o fim da história
se essa história acabar como está, certamente. certamente minha fatal memória será das promessas cumpridas em frustrações, sucessivamente.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
o problema da internet a todo momento, do uso da internet a todo momento é que ela é uma permeabilidade extensa que inibe outras permeabilidades. por exemplo o som dessa mesa sem o ruído do computador. porque a madeira da mesa não grita, mas vive. desligado aqui, posso encontrar a fibra da minha própria mesa de estar. sem esperar pelo e-mail de ninguém. quantas vidas ainda se tem, nessa? quero uma outra vida, e que ela seja desconectada.
os livros que atravessaram
os livros que me atravessaram até agora reencontrei com eles
em realidade eu só sei fazer uma correspondência entre uma coisa e outra
e ver
brilhar eu gosto das coisas que brilham e são quentes
gosto de ver e de olhar sem ver
aqui fica tão seco
os livros que atravessaram o Atlântico enviados pelo meu pai, os livros
livros que eu escolhi livros que eu roubei da minha estante de livros no embu
eu a cada dia mais gosto dos livros porque eu no começo não gostava deles
é preciso abrir os livros
e eu gosto de pessoas e de música
que vem até mim, os livros não chegam a tanto sem meu impulso
e meus impulsos são corriqueiros
eu gostava de escrever porque era o que me acontecia porque alguma coisa pra contar ou simplesmente dançar porque escrever é perder toda a atenção e esquecer o rosto em cima de alguma coisa que é uma chama
e eu nunca nem pensava que isso um dia daria em um livro e que depois eu ia querer fazer outro livro
(fase em que agora me encontro_ _ as moedas também estão ali nessa fase pra correrem esse risco de serem minhas até que eu precise tanto delas que darei a outro, em troca)
mas tudo isso porque eu quero dizer, eu quero dizer, eu quero dizer
que os livros atravessaram do Brasil pra cá durante um mês e ainda assim chegaram úmidos por dentro, da carne do meio das páginas, os livros que estavam úmidos será que é essa a hora de com algodão secá-los da úmida solidão do que está escrito mas, veja bem, eu vejo.
eu que já disse que gosto de ver senti o cheiro da umidade brasileira e, digo mais, tenho alergia
faz uma semana que leio, leio, leio. pra depois escrever, escrever. entendi muita coisa essa semana. entendi, por exemplo, a importância da transmissão. também porque esquentou maravilhosamente esquentou. e eu fiquei feliz. eu fiquei tão feliz esses últimos dias com a vida mesmo e só.
depois pensei que me aconteceram umas coisas maravilhosas nos últimos dias.
e de repente me deu um medo e medo é vontade de poupar tudo.
(não estou poupando nada a não ser umas gorduras)
(enquanto isso a música alta, percebo, 0h00 em Portugal)
(27, 28 graus)
(em Portugal, Portugal não rima com grau)
(nossa língua desigual)
(esses últimos dias fiquei sem falar com ninguém vou no parque deito e tenho certeza que estão falando flamengo, esfrego os ouvidos e é português. depois é flamengo de novo. e às vezes é mesmo, flamengo, tcheco, russo, alemão. então todos estão falando português de Portugal.)
(acho que esse verão viro basco, baco, basquiat)
e o Leon K. escreve contra a "comunicação preservativa". eu acho que ele é mesmo o meu padrinho. amém em russo?
os livros que me atravessaram até agora reencontrei com eles
em realidade eu só sei fazer uma correspondência entre uma coisa e outra
e ver
brilhar eu gosto das coisas que brilham e são quentes
gosto de ver e de olhar sem ver
aqui fica tão seco
os livros que atravessaram o Atlântico enviados pelo meu pai, os livros
livros que eu escolhi livros que eu roubei da minha estante de livros no embu
eu a cada dia mais gosto dos livros porque eu no começo não gostava deles
é preciso abrir os livros
e eu gosto de pessoas e de música
que vem até mim, os livros não chegam a tanto sem meu impulso
e meus impulsos são corriqueiros
eu gostava de escrever porque era o que me acontecia porque alguma coisa pra contar ou simplesmente dançar porque escrever é perder toda a atenção e esquecer o rosto em cima de alguma coisa que é uma chama
e eu nunca nem pensava que isso um dia daria em um livro e que depois eu ia querer fazer outro livro
(fase em que agora me encontro_ _ as moedas também estão ali nessa fase pra correrem esse risco de serem minhas até que eu precise tanto delas que darei a outro, em troca)
mas tudo isso porque eu quero dizer, eu quero dizer, eu quero dizer
que os livros atravessaram do Brasil pra cá durante um mês e ainda assim chegaram úmidos por dentro, da carne do meio das páginas, os livros que estavam úmidos será que é essa a hora de com algodão secá-los da úmida solidão do que está escrito mas, veja bem, eu vejo.
eu que já disse que gosto de ver senti o cheiro da umidade brasileira e, digo mais, tenho alergia
faz uma semana que leio, leio, leio. pra depois escrever, escrever. entendi muita coisa essa semana. entendi, por exemplo, a importância da transmissão. também porque esquentou maravilhosamente esquentou. e eu fiquei feliz. eu fiquei tão feliz esses últimos dias com a vida mesmo e só.
depois pensei que me aconteceram umas coisas maravilhosas nos últimos dias.
e de repente me deu um medo e medo é vontade de poupar tudo.
(não estou poupando nada a não ser umas gorduras)
(enquanto isso a música alta, percebo, 0h00 em Portugal)
(27, 28 graus)
(em Portugal, Portugal não rima com grau)
(nossa língua desigual)
(esses últimos dias fiquei sem falar com ninguém vou no parque deito e tenho certeza que estão falando flamengo, esfrego os ouvidos e é português. depois é flamengo de novo. e às vezes é mesmo, flamengo, tcheco, russo, alemão. então todos estão falando português de Portugal.)
(acho que esse verão viro basco, baco, basquiat)
e o Leon K. escreve contra a "comunicação preservativa". eu acho que ele é mesmo o meu padrinho. amém em russo?
segunda-feira, 17 de maio de 2010
"a pior crise desde a 2a guerra mundial"
sonhei que o Algarve era bombardeado por Israel. eu e o Bernardo, a gente assistia na televisão. eram os algarvios que tinham começado. e os israelenses eram cruéis. as coisas voavam pelos ares em terracota e amarelo. comíamos milho em lata esperando o melhor.
Marcadores:
caderno público de sonhos
domingo, 16 de maio de 2010
armário e jardim
ontem estava no banco de trás do carro do meu pai e ele me pedia pra descer no mercadinho - - - o antigo kira onde duda e eu esperávamos que nos pegassem da escola (os espaços mudam de rota) - - - e comprar uma camiseta pra ele cuidar do jardim.
e hoje eu descia a escada e encontrava com a minha mãe, que abria as portas de todos os armários da cozinha da casa em que cresci e, furiosa, lançava os tuppewares e suas tampas para os ares.
e hoje eu descia a escada e encontrava com a minha mãe, que abria as portas de todos os armários da cozinha da casa em que cresci e, furiosa, lançava os tuppewares e suas tampas para os ares.
Marcadores:
caderno público de sonhos
sábado, 15 de maio de 2010
talvez os olhos marujos mais foscos
esquecer é sempre começar. entre os movimentos, o salto. você já reparou que ainda sou o novo (na sua vida)? força marítima.
ou querer escrever sobre algo. herberto helder. impressão de silêncio intransponível, casamento de si consigo, agitação de fundo, desnível e fábula.
ou querer escrever sobre algo. herberto helder. impressão de silêncio intransponível, casamento de si consigo, agitação de fundo, desnível e fábula.
Marcadores:
sweet comic valentine
sexta-feira, 14 de maio de 2010
guardião
dormi imensamente, como desde ficar muito doente não fazia. eu costumava ficar muito doente uma vez por ano, nos últimos 5. quando era menor eram duas vezes por ano, talvez uma por semestre. mas então resolvi que não, virei uma pessoa forte como os dentes-de-leão que crescem no mato balançam com o vento, se assopram, ficam só o caule e desaparecem.
essa noite sonhei com estradas, caminhos, viagens. estava com um amigo que não vejo há muitos anos. quase não falávamos. havia um cachorro enorme, negro e babão que morava dentro do carro antigo de funeral que dirigiamos. a música era k7 e boa, cantávamos. era sempre sol que iluminava o asfalto ao ponto de brilhar também as mais amarelas das flores banais. era tudo um interior sem tamanho.
chegávamos numa cidade com casas todas brancas e nada acontecia. essa letargia do espaço era o maior prazer. ou como se a vida fosse pra sempre férias, verão, caminho e solução. prazer nas forças. acordei meio muda, como se as palavras se saltassem e eu ficasse olhando, feito botar sal na comida.
e depois fui no correio.
essa noite sonhei com estradas, caminhos, viagens. estava com um amigo que não vejo há muitos anos. quase não falávamos. havia um cachorro enorme, negro e babão que morava dentro do carro antigo de funeral que dirigiamos. a música era k7 e boa, cantávamos. era sempre sol que iluminava o asfalto ao ponto de brilhar também as mais amarelas das flores banais. era tudo um interior sem tamanho.
chegávamos numa cidade com casas todas brancas e nada acontecia. essa letargia do espaço era o maior prazer. ou como se a vida fosse pra sempre férias, verão, caminho e solução. prazer nas forças. acordei meio muda, como se as palavras se saltassem e eu ficasse olhando, feito botar sal na comida.
e depois fui no correio.
Marcadores:
caderno público de sonhos
domingo, 2 de maio de 2010
città piu bella
por que é tão comum pessoas inteligentes ficarem cínicas? é uma estratégia de defesa nefasta. procurei esses dias no dicionário essa última palavra e é como a vez que sonhei "gosta de trepar com lápides", mas piorado. mas é sério: inteligência é um muito de saber fazer baliza, contrabalancear, ver os lados das questões, bambolê, como o tal do pássaro voando por entre as árvores e que não bate com o bico em nenhuma delas. e descobre sempre um novo-mesmo caminho. mas um cínico assina: "dessa árvore conheço tanto que nem tocarei na casca." é um horror, porque fica uma gente inexperimentada. e fútil.
#
o breno pediu pra eu não antecipar mais os poemas do novo livro no blogue!... e ele tem razão. o breno é muito meu amigo.
mas verso pode antecipar?
"descalcificar a cidade"
ainda não sei onde vou usar. mas percebi que minha noção da relação cidade-claustrofobia mudou completamente desde que vivo em Lisboa. sinto isso aqui, sim, também sentia (mais) em São Paulo. mas: veja bem: em São Paulo era rangente e urgente berrar contra contra. é uma cidade em ebulição que te ferve junto a mão. aqui tá tudo mais arruinado, mas é bonito e mais pacífico. tem uma música do Deolinda que ela canta
que a saudade
mais que um crime
é um castigo
e prisão por prisão
temos Lisboa
.
é por aí, até quando, não sei.
mas eu acho que meu verso ainda não usado tem mais haver é com isso aqui:
#
o breno pediu pra eu não antecipar mais os poemas do novo livro no blogue!... e ele tem razão. o breno é muito meu amigo.
mas verso pode antecipar?
"descalcificar a cidade"
ainda não sei onde vou usar. mas percebi que minha noção da relação cidade-claustrofobia mudou completamente desde que vivo em Lisboa. sinto isso aqui, sim, também sentia (mais) em São Paulo. mas: veja bem: em São Paulo era rangente e urgente berrar contra contra. é uma cidade em ebulição que te ferve junto a mão. aqui tá tudo mais arruinado, mas é bonito e mais pacífico. tem uma música do Deolinda que ela canta
que a saudade
mais que um crime
é um castigo
e prisão por prisão
temos Lisboa
.
é por aí, até quando, não sei.
mas eu acho que meu verso ainda não usado tem mais haver é com isso aqui:
#
no mais, voltando ao cinismo, lembrei da personagem da psiquiatra no Persona que diz para a atriz interpretada pela Liv Ullmann e sua crise de silêncio, que na vida não há separação entre parecer/encenação e ser/realização.
#
e uma frase do Deleuze, diz algo como que a potência da modernidade é a produção de simulacros.
Marcadores:
agora que sou sincera
quinta-feira, 29 de abril de 2010
hey, resposta
é uma mudança paradigmática, certamente. talvez uma saída do texto como da internet. tantos usamos minúsculas, usarei, serão meus emails assim. mas no poema abaixo e, até segundo acontecimento espontâneo, em todos os novos, quero marcar que foram herberto helder, hilda hilst e iosif brodskii que me convenceram a usar maiúsculas. pelo ritmo, e suas outras possibilidades de clareza e pontuação, não foi ninguém não. nem eu mesma, aconteceu.
Marcadores:
poemas do destino do mar
quarta-feira, 28 de abril de 2010
II
Desde os dezesseis anos estou neste estacionamento.
Viagens, lustres, dinheiro: nada: se fecho os olhos o que vejo são vagas.
Não me balizaram. Fui eu mesma
vim viver aqui, não acredito mais, neste ângulo entre paredes.
Esperava deste parque aquele por quem a vida corria.
Ir com ele. Como um cometa,
uma pedra que me arrastava do centro, toda lançada,
natural como as baratas que sobrevivem desde os dinossauros.
Um arco e duas flechas. Sismo veio
todo o mundo do juízo, todo o meu poder de confissão.
Encontros de concreto, folhas de eucalipto caindo, putrefação.
Do que restou interessa a voracidade da alegria
um falar mais honesto emergirá na superfície
a pérola homem que cresce por dentro das ostras, das minhas coxas
transtorna o cotidiano
que vivia feito um pombo preso no túnel e depois alcançou a plataforma do metrô.
Mas os pombos não migram e prendem nas patas as linhas das pipas.
Do emaranhado solto o medo no meio e desfaço a tua relíquia.
Não é a primeira vez que lanço um pássaro sobre ti.
Desde os dezesseis anos estou neste estacionamento.
Viagens, lustres, dinheiro: nada: se fecho os olhos o que vejo são vagas.
Não me balizaram. Fui eu mesma
vim viver aqui, não acredito mais, neste ângulo entre paredes.
Esperava deste parque aquele por quem a vida corria.
Ir com ele. Como um cometa,
uma pedra que me arrastava do centro, toda lançada,
natural como as baratas que sobrevivem desde os dinossauros.
Um arco e duas flechas. Sismo veio
todo o mundo do juízo, todo o meu poder de confissão.
Encontros de concreto, folhas de eucalipto caindo, putrefação.
Do que restou interessa a voracidade da alegria
um falar mais honesto emergirá na superfície
a pérola homem que cresce por dentro das ostras, das minhas coxas
transtorna o cotidiano
que vivia feito um pombo preso no túnel e depois alcançou a plataforma do metrô.
Mas os pombos não migram e prendem nas patas as linhas das pipas.
Do emaranhado solto o medo no meio e desfaço a tua relíquia.
Não é a primeira vez que lanço um pássaro sobre ti.
Marcadores:
poemas do destino do mar
terça-feira, 27 de abril de 2010
quem conseguiu me perder
o que eu esperava era no parque de estacionamentos por um minuto avistar aquele por quem a vida corria. como uma estrela, uma pedra que me arrasava de energia, toda retirada, baratinava. sismo, relíquia. mas então veio todo o mundo do juízo , todo o meu poder de confissão. essa crença de que um falar profundo atingirá por toda superfície a pérola homem que cresce por dentro das ostras, das minhas coxas. transtornando o cotidiano como um pombo que ficou preso na plataforma do metrô, entre a estação de mim mesma e da mulher.
#
eu poderia fazer um livro de poemas de novo, ventríloquo. mas não é um livro de poemas. (depois disso até cifrei com um número no título: I) é um livro de um coração pra imensidão partido/ revolto. e que se pergunta onde para onde? o que pode vir e afirmar, sem que fique para trás?
#
quanto às citações, referências, reverências: de novo, têm me fatigado. a sucessão recorrente de dados, citações, como se abreviassem a vida. / e eu não conseguisse ler a cifra. ou fossem enganações partimentadas em frente a toda realidade. realidade = caótica, constante, absoluta. é. tudo é precário. às vezes na rua penso como esse velho conseguiu por tanto tempo?
#
eu poderia fazer um livro de poemas de novo, ventríloquo. mas não é um livro de poemas. (depois disso até cifrei com um número no título: I) é um livro de um coração pra imensidão partido/ revolto. e que se pergunta onde para onde? o que pode vir e afirmar, sem que fique para trás?
#
quanto às citações, referências, reverências: de novo, têm me fatigado. a sucessão recorrente de dados, citações, como se abreviassem a vida. / e eu não conseguisse ler a cifra. ou fossem enganações partimentadas em frente a toda realidade. realidade = caótica, constante, absoluta. é. tudo é precário. às vezes na rua penso como esse velho conseguiu por tanto tempo?
Marcadores:
poemas do destino do mar,
uw
domingo, 25 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
acho que o que mais dói na desilusão não é o inesperado; mas que já estava tudo ali, desde antes: claro. claro e menor, mais misturado, mas ali. é sempre isso o que mais me impressiona quando releio meus diários, como eu já sabia do que viria. hoje isso me entristeceu pacas. mas não sei se isso aumenta a minha parvoice ou sabedoria. se tenho vontade de perceber cada vez menos o que já sei, e nunca me impedir de lançar ao risco, ao erro, ou se confio, finamente, que tenho um radar e me protejo, daqui pra sempre, por onde voar. espero que não seja isso o que significa amadurecer.
Marcadores:
agora que sou sincera
quarta-feira, 21 de abril de 2010
corazón que yo comando y no
"Não chegar ao ponto em que não se diz mais EU, mas ao ponto em que já não tem qualquer importância dizer ou não dizer EU. Não somos mais nós mesmos. Cada um reconhecerá os seus. Fomos ajudados, aspirados, multiplicados. (...) Desde que se atribui um livro a um sujeito, negligencia-se este trabalho das matérias e a exterioridade de suas correlações. Fabrica-se um bom Deus para movimentos geológicos. (...) Não há diferença entre aquilo de que um livro fala e a maneira como é feito. Não se perguntará nunca o que um livro quer dizer, significado ou significante, não se buscará nada compreender num livro, perguntar-se-á com o que ele funciona, em conexão com o que ele faz ou não passar intensidades, em que multiplicidades ele se introduz (...) Um livro existe apenas pelo fora e no fora. (...) Escrever nada tem a ver com significar, mas com agrimensar, cartografar, mesmo que sejam regiões ainda por vir. (...) A lei do livro é a da reflexão, o Uno que se torna dois. Como é que a lei do livro estaria na natureza, posto que ela preside a própria divisão entre mundo e livro, natureza e arte?"
Dos inícios do "Mil platôs", Deleuze e Guattari.
terça-feira, 20 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
o amor é um sono que chega para o pouco ser que se é
cesariny
cesariny
a mais ninguém
a indelicada gratidão
de um fim de tarde
encostava como em você
como se o horizonte inatravessável
fosse azul fosse outro
um cruzeiro que brilhasse embalando o oceano
pelo teu olhar olhava o céu claro
fosse o teu adeus
que caminhava até a foz.
(escrever de novo o que é isso que se diz aqui)
#
tomei chuva ao pé de Alfama procurando por onde morar. só percebi que chovia quando a água já tinha escorrido do guarda-chuva amarelo nas minhas costas, por dentro do casaco. a saia ficou pesada de água e os pés empapados.
depois vimos uma pomba doente embaixo do arco-íris que montou sobre o Tejo e lembrei de ter visto uma pomba andando na plataforma do metro no Marquês. há pombas e pombas.
#
e como não sei onde vou morrer
ou mesmo morar daqui 25 anos
(5 não digo, que é pra não ter ansiedade)
me deito no lençol todo branco
não me esforço
só vejo nas minhas unhas um pouco sujas
a limpeza áspera das tuas mãos.
#
e é tudo tão calmo agora. você não imagina quando alguém entra na sua vida. e que tudo entrado vai ser colocado. e que tudo colocado vai ser transformado. e depois isso tudo fica. e depois a gente fica em tudo. é pra isso que a gente vive. é isso que a gente quer. se não, é menos do que querer. e menos do que querer, é muito menos do que viver. e menos do que viver, nem morte é.
a indelicada gratidão
de um fim de tarde
encostava como em você
como se o horizonte inatravessável
fosse azul fosse outro
um cruzeiro que brilhasse embalando o oceano
pelo teu olhar olhava o céu claro
fosse o teu adeus
que caminhava até a foz.
(escrever de novo o que é isso que se diz aqui)
#
tomei chuva ao pé de Alfama procurando por onde morar. só percebi que chovia quando a água já tinha escorrido do guarda-chuva amarelo nas minhas costas, por dentro do casaco. a saia ficou pesada de água e os pés empapados.
depois vimos uma pomba doente embaixo do arco-íris que montou sobre o Tejo e lembrei de ter visto uma pomba andando na plataforma do metro no Marquês. há pombas e pombas.
#
e como não sei onde vou morrer
ou mesmo morar daqui 25 anos
(5 não digo, que é pra não ter ansiedade)
me deito no lençol todo branco
não me esforço
só vejo nas minhas unhas um pouco sujas
a limpeza áspera das tuas mãos.
#
e é tudo tão calmo agora. você não imagina quando alguém entra na sua vida. e que tudo entrado vai ser colocado. e que tudo colocado vai ser transformado. e depois isso tudo fica. e depois a gente fica em tudo. é pra isso que a gente vive. é isso que a gente quer. se não, é menos do que querer. e menos do que querer, é muito menos do que viver. e menos do que viver, nem morte é.
sábado, 17 de abril de 2010
aqueles que nunca atravessaram o horizonte de si mesmos
não sei se é sorte
ou cruzeiro
um dos melhores modos de parecer fazer parte de algo, ou: um dos melhores meios de inspirar confiança: para si é sempre para o outro: parecer integrado, reiterado, pertencente, não desviar os olhos: sequer não pousá-los.
revolucionário mesmo é de repente frustrar o outro ao não defender o que gosta como o que é bom
ou alguém muoito esnobe a quem pergunto
por que a cultura é tão trajada?
por que há balões cor de dourados pendurados no teto?
com que cor de roupa estás?
você não, ali no fundo.
escondeu. se toda roupa é um código de esconder aqueles que se vestem com mais atenção estão escondendo na brincadeira?
ou tudo que escondemos é definitivamente uma simulação que está na roupa?
eu, a mulher-cavalo, azul marinho e vermelho-de-terra. cowboy e fertilidade.
jouer, joyeux, julee.
não sei se é sorte
ou cruzeiro
um dos melhores modos de parecer fazer parte de algo, ou: um dos melhores meios de inspirar confiança: para si é sempre para o outro: parecer integrado, reiterado, pertencente, não desviar os olhos: sequer não pousá-los.
revolucionário mesmo é de repente frustrar o outro ao não defender o que gosta como o que é bom
ou alguém muoito esnobe a quem pergunto
por que a cultura é tão trajada?
por que há balões cor de dourados pendurados no teto?
com que cor de roupa estás?
você não, ali no fundo.
escondeu. se toda roupa é um código de esconder aqueles que se vestem com mais atenção estão escondendo na brincadeira?
ou tudo que escondemos é definitivamente uma simulação que está na roupa?
eu, a mulher-cavalo, azul marinho e vermelho-de-terra. cowboy e fertilidade.
jouer, joyeux, julee.
pensam de espinho para espinho
pessoas vem e vão. não sei, mas com algumas me esforço mais. outras, é explicitamente tão natural a aproximação, a ruptura. eu tive a maior necessidade de dizer que no espaço, as coisas só acontecem no tempo. ontem um arrepio de andar pelo bairro alto, como duas semanas atrás na vila madalena. não re-encontrei ninguém que não fosse o arrepio. e uma das melhores coisas que me aconteceu na vida foi ler anna akhmatova. e então, pela segunda vez, esqueci o livro no brasil.
Marcadores:
agora que sou sincera
sol
havia um tempo em que decalcar o silêncio, anulando-o, era a entrada para o estar em mim. de algum modo ainda é assim, só realizo o que me acontece quando escrevo. mas a correspondência, ou a europa, me trouxeram alguma espécie de reserva. essa reserva, temo, como uma gordura do pensamento, delícia e resto, é o que não vacila em se acumular. no entanto, um corpo forte. isso, ou a confusão espontânea entre o que vivo e traço. ou alguma incerteza do meio-fio, experiência da palavra como trânsito, fronteira, irrigação. ou complemento da necessidade do sentido. nunca sei mesmo se o que escrevo tem transparência suficiente para o entendimento. ou se é só uma sonoridade transitada que fica. sei que preciso matar em mim para escrever. para dar o conhecimento que tenho da palavra. é preciso matar para escrever. superego, inveja alheia, constrangimento do outro, o nome disso que mato, não sei. e o arquétipo do ceifador, a morte, o fogo não é brando. é um fogo de ontem, que não conseguiram controlar ao anoitecer. no entanto, minha vida segue sem você, sem escrita, sem estudo, sem trabalho. fui ao brasil, quando voltei, estava tudo aqui. e algo nas drogas já não me interessa tanto. e algo na idéia de brasil me interessa mais. e algo em portugal é o que vivo. seja aqui ou lá, há muita gente boa que me acompanha. desses quero a carne comida. não a aliteração da ausência. saber que os tenho comigo. e que em portugal não se sabe usar a minha língua. nem no brasil. uma língua de fronteira, nós produzimos encontros. sua solidão não me interessa. se estamos a todo momento brincando de cegos. guio a palavra que me guia. terra-terra-terra. this land is your sea. meu fenômeno é a lealdade. minha bandeira , pirataria do amarelo.
Marcadores:
agora que sou sincera
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Cântico dos cânticos de salomão
eu era um mar de melancolia um coração pedra-bruta
meu amor nos meus braços adormece
mil maravilhas do mundo ele encarna
PIRÂMIDES DO EGITO
QUINTA AVENIDA MURALHA DA CHINA
MACHUPICCHU TITICACA
TRAFALGAR CATARATAS
MANHATTAN
seu corpo é gazeta ilustrada que folheio da primeira à última página
"JÁ RAIOU A LIBERDADE"
ele é meu
vento de viração barravento turbilhão doida canção de orfeurepresenta Tróia que um dia o tédio de Helena varreu
corisco que lampeja e lambe o lajedo da minha casinha sertaneja
ele é chave geral de usina elétrica tomada acesa incendiada
ele é minha cimitarra sarracena adaga afiada espada bárbara
ele é meu SOL minha luz minha brasa meu braseiro meu brasil tição
conquistador do pólo navio quebra-gelo que me derrete o coração
sou a sede de um rio corrente caçando o SAL do oceano ardente
SENEGAL
MADAGASCAR
HONG KONGMADAGASCAR
[do waly.]
Marcadores:
amigos amigos negócios reparte
sexta-feira, 9 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
acho que chamavam sorte
ou fado-do-destino? deve haver no campo n'algum lugar uma flor a quem alguém chama assim.
por enquanto percebi que simplesmente minha vida mudou e que agora sou um transatlântico
mas um transatlântico bordado na fronha de um miúdo que dorme e baba no travesseiro
a saliva dele é o meu oceano
por enquanto percebi que simplesmente minha vida mudou e que agora sou um transatlântico
mas um transatlântico bordado na fronha de um miúdo que dorme e baba no travesseiro
a saliva dele é o meu oceano
sábado, 3 de abril de 2010
domingo, 28 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
a possibilidade de reter, não alavancar. tornar a estratosfera do ruído um azul de paisagem. encostar o ouvido no que quer ser dito: escalonar a respiração. determinar um. esquecer dois. viajar três. quatro mais quatro são encontros que ainda quero ter.
saio mais uma vez em festa toda de azul-marinho. a lua. olha ela lá. de ninguém. não vai explodir nada. enquanto a terra rompe comigo, flutuo. se é preciso entender: estou bem. ou: fico um saco vazio e vou ler bernardo soares e não acho que ele seja um em crise.
#
vou quando soares a luz. réptil por turno. de manhã montanha, gavião no umbigo, olhos que rasgam. teu corpo tem a doçura da minha procura. da próxima vez que te perguntarem se você está, vem.
saio mais uma vez em festa toda de azul-marinho. a lua. olha ela lá. de ninguém. não vai explodir nada. enquanto a terra rompe comigo, flutuo. se é preciso entender: estou bem. ou: fico um saco vazio e vou ler bernardo soares e não acho que ele seja um em crise.
#
vou quando soares a luz. réptil por turno. de manhã montanha, gavião no umbigo, olhos que rasgam. teu corpo tem a doçura da minha procura. da próxima vez que te perguntarem se você está, vem.
Marcadores:
agora que sou sincera,
amor,
nuvem
quinta-feira, 25 de março de 2010
estávamos esperando por um ônibus e eu te abraçava e você me recebia ternamente e depois fazia uma cara feia de não me toques, então o ônibus chegava, subíamos nele. sentávamos juntos e começavamos a subir a montanha. então a vista lá embaixo era linda, tipo o rio de janeiro, então eu pensava no autocarro todo articulado que a via expressa era estreita demais e corríamos riscos , acidentes. então o vagão tropeçava em si mesmo e capotava, na parte em que você estava: eu já estava de fora e olhava que você tinha virado um pote de gelatina, um potezinho de iogurte: você tinha virado um pote de iogurte!! então enquanto chegava o resgate eu abria a tampa do pote (você) e pensava "pronto, agora podes ficar livre".
Marcadores:
caderno público de sonhos
quarta-feira, 24 de março de 2010
carambola, fruta do conde, cajú, no iogurte de coco coloco maracujá, o de graviola fica por si só, manga de manhã ao acordar, de madrugada goiaba, suco de milho na paulista, sorvete de papaya, antes de cupuaçu; desconfio que estou no brasil.
ou: esteja cá já.
na rua dos pinheiros penso na rua da rosa; na rua da rosa penso na dos pinheiros,
apesar de que é tudo questão de flora,
(ainda não fui ver minha gata)
é diferente a minha consciência da gata desde que
sou como um esquiador
descendo com um pé em cada cordilheira
pensando bem a gata também se equilibra em cada muro
ou: esteja cá já.
na rua dos pinheiros penso na rua da rosa; na rua da rosa penso na dos pinheiros,
apesar de que é tudo questão de flora,
(ainda não fui ver minha gata)
é diferente a minha consciência da gata desde que
sou como um esquiador
descendo com um pé em cada cordilheira
pensando bem a gata também se equilibra em cada muro
Marcadores:
lusofonia
terça-feira, 23 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
e quando a porta se abre, quem é que sai?
cavalinho, cavalinho
and we're going to the north
(but not so far not so north)
we have a horse together
our horse is freedom
e nós atravessamos o atlântico nosso de cada dia
por ele com ele
cavalinho for freedom
we've got a TEMPESTADE
e o que nos perguntamos é:
o que esses peixes grandes querem comigo?
cavalinho, cavalinho.
cavalinho, cavalinho
and we're going to the north
(but not so far not so north)
we have a horse together
our horse is freedom
e nós atravessamos o atlântico nosso de cada dia
por ele com ele
cavalinho for freedom
we've got a TEMPESTADE
e o que nos perguntamos é:
o que esses peixes grandes querem comigo?
cavalinho, cavalinho.
segunda-feira, 15 de março de 2010
domingo, 14 de março de 2010
sonhei com a rua da casa em que cresci. de novo. na curva da rua do clube muitas madeiras, eu precisava de uma delas pra usar como freio ao descer a rua, de patins ou skate?, iria pregar num pé. só que em cima dos madeirites tinham muitas sujeiras e bichos. então eu chutava chutava chutava e de cima da madeira corriam aranhas todas para o outro lado, assustadas com o meu chute, até que uma menorzinha de todas pulou no meu ombro e eu senti uma picadinha pensei é nada. e continuei chutando. fui até a rua ver a altura da descida e no tornozelo uma dor radiava, essas dores que se espraiam num corpo. então: olhei o ombro e como uma estrela anêmona água-viva tinha estourado um canal de sangue por debaixo da minha pele. parecia um neurônio de sangue.
Marcadores:
caderno público de sonhos
Assinar:
Postagens (Atom)
