sábado, 20 de novembro de 2010

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

insônia

antes de dormir fico - tentando dormir fico - eu nunca tenho insônia - reconta a série de coisas pra fazer até o fim de novembro - eu ainda não dormi - amanhã a junta de freguesia em dezembro o flavio vem - preciso comprar cobertor pro flavio - o bernardo também não tem vamos juntos no ikea - capricórnio não desiste mesmo de organizar tudo -  depois essa dor nas omoplatas, semana passada era no maxilar - mas agora o remédio chinês deve fazer efeito - vou ficar mais tempo offline, 2011 - ixi, a polícia federal francesa tenho que levar as receitas - onde estão as receitas? na pasta azul grande junto com o histórico escolar - era bom comprar outra pasta dessas amanhã - nossa hoje fiquei tão cansada de andar por aí fazendo mil coisas amanhã vai ser pior - não consegui dormir ainda - gente tô ficando igual a minha mãe - porque naquela época eu consegui não ficar igual a minha mãe? - tinha um alvo que era vir morar em Portugal - daí eu vim, deu no que deu - é, o alvo é só um vulto - essa chuva, vou ouvi-la até me acalmar - ... - é bonitinha a chuva caindo - como será que era em Auschwitz ouvir a chuva caindo? - isso podia mesmo (consternada) dar um bom verso - em homenagem ao Paul Celan - é, um Dante, o Celan, é um Dante, e eu nunca li Dante - ok, então um Eliot - Eliot, Celan, Drummond - povinho fácil, né? - gentinha leve leve leve - será que eles pensavam em Auschwitz com essa dor? - é, meu pai é daquelas pessoas que tragou o universo e percebeu - casa 12 - meu pai entende essa dor - cavalo dado não se olha os dentes - eu posso colocar também um general nazista - é um soldado da SS melhor - mas que lado eu vou tomar dele? - talvez um soldado da SS vestido de cinta-liga de mulher e um prisioneiro de Auschwitz ouvindo a chuva cair - mas que coisa terrível eles transformavam gente em verme e até os vermes são mais bem tratados - a dor da duras ele voltou e vomitava tudo verde cagava tudo verde - a quantidade de frio e umidade que devia ser Auschwitz - devia chover bué pra caralho de chuva e aquelas horas de sono horas de insônia - que brutalidade - não tô nem pensando nos fornos ainda - por que eu resolvi pensar nisso agora? - o impacto da chuva - ou a chuva que não tem nada haver com Auschwitz - vão me transformar em estrela costurada no pano da roupa de alguém e chove em Auschwitz e eu não consigo dormir - minha língua bem que tá com gosto de pano amarelo - será que eu vou ficar doente? - tão típico, não tenho nem tempo pra isso - será que lá eu resistia melhor? - cada coisa que pode acontecer na vida de alguém - e eu aqui começo, de repente, a cantar VIVER Ê Ô Ê Ô - não tô pensando mais em Auschwitz, que horror - nem sei se ainda tá chovendo - será que amanhã vai molhar as caixas? - ai era melhor dormir e estar descansada amanhã pra tudo que tenho que fazer - mas que vontade de ouvir E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ - ai vou ligar o computador ai vou gastar essa insônia ai eu tentei de tudo - prende a respiração meu pai falava isso quando eu era criança e eu não conseguia dormir. funcionava - quem é a pessoa que você mais ama no mundo? - meu pai e a minha mãe - você gosta mais do seu pai ou da sua mãe?  - eu gosto de carne - ai que saudades do marcos - ano que vem ele vem - quem vem em dezembro é o flavio - em janeiro vem minha mãe e vem o meu pai - depois de amanhã tô com meu irmão - vai nascer minha sobrinha eu não vou estar lá - tanta gente pra ver em Paris - se eu apresentasse todos eles eles certamente não iam se dar bem - porque eu faço mais amigo do que macaco sobe em árvore - a vida que é a vida é -  sempre deeesejada - ai meu nariz entupiu de novo - atchim - quem inventou o amor? - se aparecesse agora, o amor, tinha que cair do telhado pra eu perceber - se deus vier, que venha armado - eu tô aqui até que bem, né? - não durmo, mas isso é pra depois - sim, alguma hora hei de dormir - mas só 5 horas essa noite de novo não agüento - ai calma, tem a 4a feira inteira pra isso - mas já dá menos do que  5 horas- vou fazer também o livro do "Temes a noite em que os nomes não se registram nos radares" - - -  é, acho que cheguei n'algum lugar - já posso, de novo, tentar dormir.

axé nóis tudo

mudar: essa espécie de remessa para o futuro: a organização do caos, o ano todo de pó atrás dos livros, desfeito. e se refaz: o grupo de roupas, vestidos, os utensílios de cozinha. as fotos que saem das paredes. tudo que é estágio de intervalo, ou resto: é lixo. e os esquecimentos todos, que se tendem a lembrar: dessa hora tenho medo. mas: contar que sou eu também que ali na frente desencaixoto mais esse começo.

domingo, 7 de novembro de 2010

o túnel e o acordeom








No dia 4 de dezembro vai inaugurar uma exposição minha com a Mayana Redin na Fundação, no Porto.

Eu vivo em Lisboa, a Mayana em Porto Alegre, e não nos conhecemos pessoalmente.
A tentativa do encontro produziu essa de fazermos túnel, túneis.






















A primeira edição d'"O túnel e o acordeom" lá estará, entre outros trabalhos.






















Estejam convidados desde já.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

eu hoje que só reparei que muitas vezes a maior sobriedade é a facilidade do acesso ao fora.

eu tenho um texto que tem que acabar. estou me comunicando com ele.

amor

o mais importante, me parece ser garantir a permeabilidade, sem medo. isso pode ser uma poética, mas falo da respiração. ou me diga a mim mesma: não vão te arrancar o estômago se você quiser colocar todo o seu desejo nas coisas do seu próprio corpo, e se fizeres isso a olhar para o outro lado, o resultado será cinismo com crueldade ou ansiedade se for só pelo desespero. então a gente aceita o convite do amigo pra nadar.

e eu já distingui uma vez ter que fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo de fazer as coisas com correria. sem prazer eu não faço nada que preste. é o mundo que está ao contrário, você não reparou? onde você está uma hora dessas? atrás do mundo sou eu quem estou. vem.


quinta-feira, 28 de outubro de 2010



não sei se é bobagem, mas cada vez mais acho que as coisas são como acontecem, as mais cotidianas coisinhas. os encontros desmarcados, os caminhos escolhidos, os sonos bem dormidos. talvez isso seja  calmaria no meio de um mundo escorado pra se terem expectativas e ao mesmo tempo que vou ficando mais torcível, isto é, maleável, também mais levo sem revidar. talvez tudo seja mesmo uma questão entre dureza, duração e amabilidade. amar a habilidade de durar, amolecer, encobrir os astros de sonhos que depois se aceleram em frases, precipícios. o risco disso é que várias vezes eu acho mesmo que está tudo bem, mas alguém há de fazer justiça, que depois não era bem assim que eu estava. tenho como céu aquele precipício dentrão, em escorpião. de todo modo, amanhã um tanto antes do almoço tem encontro pra gente conseguir a casa mais gira de Lisboa, então eu vou dormir, porque o mundo gira, a Lusitânia roda e eu aqui, já é hora, adormeço.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

a única coisa que tende a não mudar é o movimento - - - quando eu tive um blogue que era o samba sobre o movimento eu já sabia disso (e assim me orgulho de mim mesma jovenzinha), se é que a máxima é uma verdade, que valor disso, pra mim, ela tem.

dos barcos, movimeeeeento, aquela música-sofrimento, que eu doía até não mais poder na primeira vez que sofri (mesmo) por amor. eu tinha 21 anos.

as coisas que a gente conta só por contar. e as coisas que as pessoas transformam em regra só pra ter uma prática de vida, um resguardar. acho a primeira situação melhor que a segunda. se bem que ao lavar a louça a segunda me orienta.


passei a tarde lendo o al berto e agora a noite na adélia prado. o melhor dos livros de poesia é isso, que 5 ou 10 poemas fazem dez minutos, ou uma tarde inteira. ou uma tarde inteira de leitura que pode ter 10 minutos e parecer uma tarde inteira.

a vida é muito pra ser pouco e passagem. movimento, movimento, arde!

vou me cobrir e dormir e amanhã acordar menos tensa. porque estou tão tensa tão tensa que travei.
 qlec, um dia quebro no meio essa rocha toda e te envio de envelope só a saliva.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

fulminante

crescer é tão brutal. como naquela manhã, ao sair da tua casa, em que eu descobri que te amava. acordamos um em cima do outro. depois falamos de duchamp. e de repente você fez um discurso comentando que não era o melhor como parecia se achar, que não era arrogante, como eu te achava. então nos levantamos da cama, aprendi a comer o melhor iogurte do mundo, e fui embora. era domingo. a cidade parecia toda plana e eu tinha dormido cinco horas. naquela manhã eu tinha te encontrado em mim. era eu a cidade, meu amor.



então, quando você se endurece mais é um golpe de cintura como brota feito flor em um vasinho de barro em cima da mureta que o rabo do cachorro derruba no chão branco e a terra se espalha,  eu tantas vezes bruta, então me impressiono com a minha delicadeza.
 
tem algo em aberto na minha vida muito em grande nesses últimos momentos.
e é como se eu sentisse o bafo disso, um bafo de estrela, diariamente.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

capítulos verossímeis e capítulos verdadeiros

meu psicanalista é ex mas é das pessoas mais importantes da minha vida. ele me dizia que eu tenho dificuldades pra conter as coisas. fiquei pensando nisso agora e pensei que dava pra fazer um capítulo com subtítulos. os subtítulos teriam por sua vez alternâncias entre pontos só verossímeis e só verdadeiros.

(só verdadeiros me pergunto o que quer dizer isso - - será que posso perguntar se só verossímeis também que sentido isso faz? O.O) (pra confundir o público: ou: lunação de libra: compartilhe a dúvida com o cosmos)

jch: o que chorei, o que sorri, o importante é que emoções, bem, eu vivi (título do livro ou epígrafe da minha vida de escritora latino-americana)

capítulo: CONTER E CONTENTAR

a) o amor, as declarações e os subterrâneos
b) diarréias e narizes que escorrem (creio que menstruações tb podem entrar aqui?)
c) escrever, esse diabólico diário.

domingo, 17 de outubro de 2010

dos sonhos eu sou o amor

uma entrega mesmo ao que é vivo / ou o aprendizado de me preparar pra nunca estar preparada.

- - -

certos lugares que a gente nunca imagina que vão se inverter, de repente estão, invertidos.

- - -

ou tudo é uma questão de pedir (e não pedir): por favor, me ame.

encontros

você pode ser a pessoa certa para a pessoa errada; a pessoa errada para a pessoa certa; a pessoa errada para a pessoa errada; a pessoa certa para pessoa certa  - - - e tudo isso pode não coincidir reciprocamente. ou seja: 

ao mesmo tempo que  você pode ser a pessoa errada para pessoa certa, ela ser a pessoa errada para você, a pessoa certa. ou seja acontece uma espécie de colisão entre errados e certos e você fica absolutamente baratinada por saber que é errado e é certo. e depois de se desiludir não com alguém em si, mas com o amor e a sua grandeza emocional, não consegue nem explicar no seu próprio blogue mais uma teoria fajuta da sua série "agora que sou sincera" e/ou "tenho sempre amor".

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

com louvor

hoje desisti de três idéias que me pareceram fundamentais nos últimos meses e dividi ao meio um rolo de 30 metros de papel kraft com uma faca de pão. ficou reto. e as idéias, ultrapassadas. só o coração que continua. e eu vou dormir que a imaginação é uma corrente sangüínea, o pensamento é um músculo, e A CIDADE SOU EU MEU AMOR
.







não sei pra onde
dizem vão essas placas abandonadas
nem porque elas ficam assim
penduradas

pulsação e água

faz dias que se me distraio a pálpebra esquerda vive a pulsação do corpo como se o coração tivesse migrado para um hemisfério de cansaço da imagem. ou que o único jeito de amolecer a pedra que estou é um banho de banheira quente antes de deitar.

quando eu era criança aprendi a misturar a temperatura da água. é importante jogar a que está no fundo para a frente, ou o contrário. 

quando eu era criança, 8 anos?, me levaram num médico porque eu sofria de pontadas no coração e insônia. o consultório tinha um jardim interno que ficava separado por um recanto de vidro blindex, e o chão de seixos de rio e bambus que subiam ficavam por lá. o médico fez uns exames. me mandou comer mais proteína, por conta das pontadas no peito e as manchinhas brancas que eu tinha nas unhas. e pra insônia me recomendou banhos muito quentes antes de dormir. lembrei ontem.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

farewell

desconfio que a senhora que mora aqui em frente, morreu. então, a senhora que morava aqui em frente. dias atrás quando fui estender roupa reparei que as plantas que ela sempre rega no canteirinho na janela pendurado estavam secas. depois os pombos que ela alimenta começaram a não aparecer entre os fios do estendal. ontem saí pra comprar um chocolate no meio da tarde de (tentativa) trabalho e as portas da casa dela estavam absolutamente escancaradas, com os objetos agrupados em grupos de similares (garrafas com garrafas, papéis com papéis, louças com louças) e duas mulheres gritando lá dentro com dois pedreiros ucranianos que vi subindo as escadas mais cedo.

toda vez que eu a encontrava nas escadas do nosso 3o andar (e lembro de uma vez encontrá-la saindo de casa, desci, fui até o banco e quando voltei ela tinha alcançado a porta de saída) ela (de quem nunca soube, infelizmente, o nome) conversava animadamente comigo, sobre qualquer coisa que encontrasse. no geral um modo de reclamar da velhice de maneira bem humorada. e ria me contando "quantos? adivinhas? 94 anos!" .  ficou tão feliz quando percebeu que eu comecei a namorar e quando nos encontrava juntos é que mais falava. e de repente exclamava "oh my god!" ou "what a shame!". era inglesa, minha adorável vizinha cheia de humor e ternura. god bless her soul!



sonhei com andar procurando o aeroporto pelas ladeiras que mais pareciam labaredas de tanto que não podia parar, ruelas ruelas. então encontro o aeroporto improvisado dentro de uma tenda de circo. minha mãe me telefonava pra que eu organizasse as coisas. eu ia para a bahia, encontrar meus pais.  então ainda tinha que trocar meus bilhetes, em outro lugar, mas faltavam só 10 minutos para o embarque. eu corria, corria, começava a chover. troquei o ticket por uma passagem, sentada numa mesa de aros verdes metálicos, com uma senhora que não gostava do que fazia e quando agradeci se surpreendeu. então desci as escadas correndo, fiquei molhada de suor e água, e lá estava de volta ao aeroporto, quando acordei.

 


#

Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir.
Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
– Sem medo,
Sem remorso,
Sem saudade.

(Bandeira)



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

agora mais sentimental

Talvez seja a idade, talvez o deserto, talvez o recesso, talvez o rancor?
Quem sabe o carinho, quem sabe pro Nilo, quem sabe em viagem, quem vai de regresso?

Quem quer o que planta, quem come o que morre, quem vive o que dá?
Quase o que sei, menos esqueci, mais me criei.

Será amanhã, por que não ontem, virá o que fui e trará desde o fundo
O musgo a bóia o resmungo a corja a vespa e a várzea que é meu coração.


Bom mesmo será me apaixonar e fazer bobagem pra sempre.
Do amor, herói.

Ao Sr. Fernando

Passei o dia desenhando sobre o Sr. Fernando Pessoa.
Estou tentando alguma coisa honesta que acabe enfrentando as coisas.
Porque há fantasmas demais nesse mundo.
E nossos motivos fazem as coisas não funcionarem.

O Sr. Fernando Pessoa gosta imensamente de mim e garante que o Sr. Ricardo Reis teria gostado imensamente de mim se tivéssemos nos conhecido na temporada em que vivemos respectivamente em nossos países trocados.

O Sr. Fernando Pessoa por mais que tentasse, o Sr. Fernando Pessoa não acordava diariamente e pensava SOU PORTUGUÊS ao comprar pequenas coisas e discutir trocados. O Sr. Fernando Pessoa se ouvisse a minha língua, 

Não sei o que o Sr. Fernando Pessoa consideraria ao saber que nenhum brasileiro ao ouvir "o brasileiro" pensaria em algo além do povo ou de um indivíduo, e que nunca (a não ser a viver em Portugal), nunca pensaria que o "brasileiro" pode se referir ao idioma falado no Brasil. Será que Sr. Fernando Pessoa em seu escondido sem profundeza sentiria uma ponta de orgulho ao saber que falamos (nós?) português?

Ao Sr. Fernando Pessoa ergueram-se monumentos os monumentos ao Sr. Fernando Pessoa.

Também estimo o Sr. Fernando Pessoa e faço votos para que o Sr. Fernando Pessoa encontre o Sr. Fernando Pessoa a cantar com o Sr. Fernando Pessoa enquanto bebe um café com o Sr. Fernando Pessoa vestindo uma camiseta do Sr. Fernando Pessoa e pense Ah! bom mesmo era o Sr. Fernando Pessoa.

o Sr. Fernando Pessoa foi português.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

temporada chuvão 2010/11

chove agora em Lisboa como se uma faca cortasse o mundo ao meio.
como um rio que se instaura, um sonho que já morreu. foi mero caminho de não ir.

chove em Lisboa como se abrissem um lençol escorrido no céu porque cada gota de chuva cai de um lugar diferente. aos olhos é aparentemente a mesma, mas o ritmo da chuva aqui é diferente.

um esquadro traça que o ritmo é mais alternado do que constante, mas isso entre um pingo e outro; será que consigo ouvir um pingo e outro?


que país selvagem!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

perda e posse

no fim de semana sonhei com um assalto. que estávamos eu e alguém (talvez, o b?) sentados no parapeito de uma vitrine e passava um carro muito rapidamente na nossa frente e apontava pra mim a direção da esquina, tipo "se liga". em meio segundo apareceu na esquina um cara com um revólver apontado pra nós 2 e pediu a minha carteira, que abri ainda dentro da mochila e joguei o cartão de crédito no fundo, e dei a carteira. daí prenderam o assaltante e o sonho ficou com as cores do 'the wrong man', do Hitchcock, que assisti recentemente. no filme o Manny (o Herny Fonda) é acusado de uma série de assaltos que não cometeu. então no meu sonho o assaltante ainda era o Henry Fonda,  estávamos todos em tribunal, mas dessa vez ele era culpado e estava sendo julgado como se não fosse.

*

essa noite sonhei que ia para um casamento vestida com um micro-vestido curto e descalça. ia andando pela margem de uma grande rodovia e estava tudo verão. de repente percebia que precisava de sapatos e que iria escurescer e esfriar. encontrei um Frango Assado desses que ficam na beira das estradas do interior de SP e tinham muitas lojas, stands improvisados de roupas. tudo muito excessivo de dourados e cores fortes. eu não tinha dinheiro? me sentia cada vez mais nua, mas precisava de sapatos e eram todos muito coloridos. encontrava um tênis lindo que super ornava com meu vestido e ficava chic e prazeiroso daí eu ia pagar e a mulher me dizia 500 euros. e eu não podia, claro. daí começava a me preocupar com o frio, com o frio.

*

dadas as últimas circunstâncias, acho que sei mesmo interpretar o que é ter a lua em touro na casa 2.
"Dizem que Goethe escreveu e re-escreveu os seus poemas. Leonardo era mortalmente paciente diante das cores. E que sabemos dos outros, os mais antigos? Tudo é eternamente recomeçado. Não se sabe o que acharam. Acharam alguma coisa - os antigos, os modernos?"

Herberto Helder no "Descobrimento" d'Os passos em volta.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

já é a 2a noite que sonho com saúde esta semana.

tinha alguma coisa haver com bile, um amigo aparecia e me dizia que os órgãos estavam tomando conta do mundo e eu tinha que escolher uma cor. Amarelo, e a bile tomava conta de tudo, principalmente de umas verduras que estavam sobre uma mesa, mas eram a horta do lugar. e o amigo dizia "não soube te amar, a bile tomou conta de tudo".

(?)

antes tinha sonhado um sonho bem bergmaniano, de que eu estava sentada na minha própria frente e olhava minha pele bem de perto com uma lupa e me dizia "tá comendo muita gordura, pode parar com isso".

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acordei e enfrentei o congelador congelado há meses. ia passando um paninho embebido em água quente, inútil. daí achei uma marreta de amassar bife, e me senti um esquimó tentando invadir a própria casa. meia hora de marretada até a porta fechar. meus braços tremem do esforço matutino.


um ano em Portugal, hoje pela primeira vez cozinho bacalhau.


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lista de amores (ou de como o tempo passa e algumas coisas se confirmam): drummond, clarice lispector, hilda hilst, herberto helder. amém nóis tudo na admiração.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

a rainha do perdão

olho para um lado, também ao outro. não sei onde foi que deixei aquela força?

já não é a primeira vez que me dizem que não estão à minha altura. eu devo ter muitos metros e pernas de gigantes que de tanto comerem borboletas subiram pra depois do pé de feijão do seu Adamastor. no ano que vem vou abrir um concurso pra mim mesma, e como vou ser a única concorrente, vou ganhar.

lá do alto do meu prêmio vai ter uma faixa no meu peito:
                                                                    MISS MADRE TERESA DE CALCUTÁ 2011.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

no mesmo lugar, as coisas só acontecem no tempo.
eu olho para um lado e o meu estômago para outro.
sentimos medo, ferimos.

convidei-a e fiz uma regra para essa noite: Terra, não simule terremotos em Lisboa. enquanto durmo, façamos leis: separa o livro do corpo, pois misturá-los é voltar e dar adeus na curva que já dobramos.

A palavra é nunca. A palavra é pouco. A palavra é fechada.
Não há grades. Há desatentos presos. Há presos pela atenção.
Alheia, própria. Há a prisão e há o caminho.
É um campo e depois uma jaula. É um campo de jaulas.

Onde já se viu enjaular o sonho dando o nome de liberdade.
Onde já se viu? Em todo lugar!
Com a placa na frente (o mapa do zoológico sou eu): LIBERDADE. Se liberdade é coisa que passa, não que se estabiliza. Livre é fluir. Livre é onde não estás. Liberdade é esquecer o nome
de quem? Jaula.
puxa. choveu nas minhas roupas. e eu não estava em Lisboa. foi em Lisboa que choveu?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

acordo, ontem de manhã e não sei escrever. meus dedos foram tomados de uma variedade sintética de fundo, ficam retraídos. começo a me lembrar de nunca comparar corpo com livro, a não ser se for pra crescer o desconforto disso, como quem diz "meu estômago, esse grande inimigo". eu olho para um lado e o meu estômago para o outro, no entanto. ou tratar a dor companheira e o livro como terreiro da saúde? bah! também não enjaular qualquer procedimento ou delírio dando o nome de liberdade. onde já se viu, com a placa na frente (o mapa do zoológico sou eu): LIBERDADE?


domingo, 12 de setembro de 2010

entendimento e decepção

o marcos postou e me lembrei que meu pai me levava pra escola cantando everybody knows that our cities we're built, to be destroyed e como na época ele só escutava jazz, eu tinha certeza que era uma música da billie holiday. meu pai tinha (e ainda tem) em cima da mesa de trabalho uma foto dela. além dela, em um porta-retrato muito bonito porque simples, só uma armação-pinça de metal e um vidro meio verde, feito lente de óculos, por cima, tem esta imagem:



durante coisa de uma década achei que o kafka era meu avô jovem.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Agora Senhor,
dá a teu servo
um coração
capaz dessa escuta.

Primeiro livro dos Reis - Tradição hebraica



Quantas vezes deixámos de fazer sacrifícios e de enumerar
os teus títulos honoríficos? Por que és tão avarento?
Se não te modificares, iremos deixar cair no esquecimento
todos os teus nomes honoríficos.
Que sorte será depois a tua? Podes limitar-te a comer gafanhotos.
Torna-te melhor, para que não te esqueçamos.
Para que serve fazermos sacrifícios e louvações em teu nome?
Tu não nos dá colheitas, nem gado em abundância.
Não pareces sequer reconhecer os males que nos preocupam.
Por isso vamos repudiar-te completamente
e dizer aos outros homens que deixámos de ter os espíritos
dos nossos antepassados.
E és tu quem sofrerá com isso. Estamos zangados contigo.

Zulu- África do Sul


In: A oração dos homens - uma antologia das tradições espirituais. Assírio & Alvim.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

brasilis

é claro que, ao contrário do que pretendem os que divulgam isso, pra mim essa ficha faz dela alguém mais presidenciável,




essa noite eu estava no alto de um monte, na frente de um palco onde iria começar um show, era de tarde, e eu resolvia descer pra fazer não sei o quê. pegar minha mochila? então reparava que ela estava nas minhas costas e eu resolvia subir. o caminho se multiplicava em 200 vezes e virava noite. ouvia o wisnik tocando no palco e percebia que eu estava no campus da usp. algo me fazia me sentir em casa, ao mesmo tempo que a polícia vinha atrás de mim. cercas se colocavam pelo caminho, feito uma falésia cheia de cercas de quadra de tênis, e eu aprendia a saltar as cercas, até que as próximas estavam lá com aqueles pregos pontiagudos que me impediam. e eu corria por todos os lados, com a mochila nas costas, e conhecia todas as músicas que tocavam, de longe. outras pessoas tentavam a mesma coisa que eu, não conseguiam também. levantei com o barulho de um avião, que, juro, parecia que tinha transformado o meu quarto no aeroporto, de tão perto que estava, e veio se aproximando, se aproximando (eu estava acordada! não era sonho) e desconfio que foi por pouco que o avião não bateu, não caiu, não fez do tejo seu destino final.






me questionar sobre a pertinência desse diário em público seria uma neurose comum demais nesta nossa aflita geração. então, às vezes me questiono se tb deveria fazer interpretações dos sonhos, assim, públicas. isso porque, quando eu releio os sonhos aqui, não lembro mais porque os sonhei, embora quando escrevo pareço saber porque os anoto. então, registro da interpretação. mas acho que quem ler acharia explícito demais. eu não sei. tb a vergonha, ando perdendo cada vez mais,

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

'mocionei



"don't hurt my pride like her / 'cause I couldn't stand the pain /and I / would be sad if our new love/ was in vain"

essa era das minhas músicas preferidas aos 16 anos. mas eu não tinha quem tivesse me hurteado o pride, ou que tivesse loved in vain.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

por que tantos de nós, quando choramos é em Lisboa tanto?

domingo, 29 de agosto de 2010

e não é que já ouço o português de Portugal sem perceber o sotaque? só noto quando acontecem grandes atos coletivos, tipo ontem quando vi duas pessoas discutindo no trânsito, - - é cômico, são obrigados a vestirem uns coletes verde-fosforescente quando batem os carros ou trocam os pneus, - - - ou ainda mais, pronto! quando ouvi cantarem "parabéns a você", não só pelo "cantam as as nossas almas" no lugar de "é pique, é pique, é pique", mas na força da reunião, mesmo, percebo nos juntares das vozes os trejeitos, o sotaque como um dilúvio, - - -

sábado, 28 de agosto de 2010

peixe espada, da cidade soube luz

já não entendo mais nada, absolutamente. quando alguém que escreve encontra que o texto é sensação e não prodígio de soluções, onde está o grito, o dito, que poderá me re-suspender? tenho vontade de dormir e vontade de trabalhar e as palavras perdem os eixos, como um caminhão tombado sem rodas, quando as leio elas já não são mais nada, estão nelas mesmas me olhando e se eu sondo encadear colocam: fluxo fluxo, onde está? não consigo colocar muito.

enquanto isso o corpo transfigura, relata uma cidade encantada onde os dutos todos, meio entupidos, fazem eco, se criamos uma batida meio crua, com as mãos pelos canos, podemos enfim constatar que somos uma cintilação do espaço, e os sentidos são nada mais do que uma metereologia. pensei que sou nova demais pra ser escritora já pensando assim. pelo menos consegui formular, finalmente, o que pra mim é uma novidade velha.

IX

Dentro dele mora um bosque de musgo
um nadador a dar ordem as ondas
de cujo olhar ao espelho, o teto do mundo, nasce
arrefece as costas no pássaro que mergulha, céu,
voa.

domingo, 22 de agosto de 2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010





I

antes de dormir, ontem, eu lia, crescente de honestidade o meu al berto - - - ou as desfibrilações que sinto ao deitar, coração que vira terremoto, a idade do tempo, a coluna vertebral do tempo se agitando é um fóssil, no mais marinho dos oceanos, o sono que se aproxima, e sinto nas minhas pálpebras que piscam no travesseiro, os cílios arados do medo. ouvia esse bater dos olhos quando criança e achava que eram os mortos que se comunicam nos segundos anteriores do dormir. falavam só de espanto e o estouro de silêncio da ausência colava nas paredes do quarto.

sábado, 14 de agosto de 2010

vem de mim, se aproxima com aquele sorriso caiado, aquele jeito que eu falo, que você fala e a gente nunca encontra uma língua que fale a do outro e cada um no seu vaso, vento e ventre, a gente então aí, se entende

OU

a vida que se encontra no desconhecido


OU

agora em solo europeu (kkkquase) entendo/penso invento/percebo a necessidade de conceber o informe como resistência/liberdade; para isso "architeture", "les grois orteil", "informe", do Bataille, na Documents


(ou entendo porque meus amigos daqui todos gostam tanto do que parece não fazer sentido, como tem espaço pra invenção, porque o sentido é CONSERVADOR. - - - anchovas de sentido, picles de sentido. - - - but I will be, forever, a drummondian girl,)


de todo modo sempre inventar uma poética que não rasure a paisagem, antes a invente: se sobressai isso em: fazendo dos rascunhos, definitivos. talvez isso seja um modo de dizer do mar.

e meu modo único de respirar.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010



segunda-feira, 9 de agosto de 2010

as coisas no meu quarto/casa tão bagunçadas de um jeito que eu não consigo nem começar a colocar ordem. lápis, canetas, guaches, roupas, livros, louças, pincéis, máquinas de escrever, de fotografar, de mensagear, de conectar e também, propriamente, santos, budas, orixás, pedras da cidade, fotos de amigos de outro lugar, cartões postais, cartas já preparadas e ainda não enviadas, pastas vazias, idéias incompletas, sussuros, 35 graus e nublado hoje entendi o que é pressão atmosférica,

selvagem é o clima temperado, viram, porra vida bizarra de cada 3 meses completamente diferentes um dos outros

o único poema sincero da história é o "cântico dos cânticos de salomão" mas quem mexe nele mente

o alvo é só um vulto

sábado, 7 de agosto de 2010

certas coisas que não se podem esquecer

MUNDO GRANDE

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho
cruamente nas livrarias:preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros,
carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem...sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...

Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos-voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam).

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante
exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
que o mundo, o grande mundo está
crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
-ó, vida futura! Nós te criaremos.



[do Drummond, no Sentimento do Mundo].

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

songs, days, suor

cavei minha ansiedade porque criei uma aterrisagem de futuro no presente. vertigem.

eu não penso o que escrevo, cada vez mais. não penso o que escrevo. é o pensamento que se escreve e pensa enquanto instrumento (a mão-guindaste). e o exagero, exagero. exagero que nunca de mim escapa. a maré tá subindo. vou ter que sair da gruta-delícia.

fico um pouco em dúvida às vezes da eficiência do novo protetor solar. minha capa invernal às vezes caí do armário quando tiro um vestido. com o peso/pêlo dela me assando os dedos penso, preocupamo-nos com cada coisa em cada certa estação.

tudo o que pensamos é colocado para as emoções. talvez escrever signifique nas palavras, efetue?, um sentimento?

pelo menos eu, me ponho em auto-contato.



estou em SAGRES
que coisa estranha é essa?
é a eterna falta do que falar que bate tão indefinida?
é sempre o canto. e eu com ele, só.


cantei "vida louca vida" pro vento e os canhões. e ninguém, ninguém, nem essas ervas, nunca cresceu como eu.



"capacidade de ouvir e surpreender." fpd


o que há de algo a se escolher já se escolheu e não há mais o que mudar. talvez viver. e haverá que preferir outras saídas. criar saídas laterais.


*
e poderíamos atravessar um universo de estrelas. isso na vida toda. e o que calhasse era viver e sorrir, das coisas que me lembro.

se aqui em casa não tivesse um monstro eu te convidava para vir. dançar as hecatombes. mentias como dançavas os rituais. são as únicas mortes que nos são permitidas ou alguém acredita na solidão? estou hoje maduro como se estivesse disposto.

*

estou é justamente interessada em não partir. vamos levantar o ritmo de transformação para o centro da escrita. efetuá-lo para além da vida. é uma nova descoberta para mim que jovens - - - .

saindo do metro na constatação absoluta de que vivo nesta cidade segura, quente em julho.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

em Lisboa há abacates que secam antes de amadurecer.



É tanta a minha mania de observar. Os objetos foram se apropriando do tempo até se tornarem histórias esquecidas. Apertam o olhar como se amarrassem os órgãos do pousar por mais que um instante de mosca. Quando voltar ao topo: Pousar feito um pássaro nas histórias. Anteceder os sismos do alto conceber o azul.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

como a vida sem caderneta
como a folha lisa da janela
como a cadela violeta
- ou a violenta cadela?

como estar egípcio e mudado
no salão do navio de espelhos
como nunca ter embarcado
ou só ter embarcado com velhos

como ter-te procurado tanto
que haja qualquer coisa quebrada
como percorrer uma estrada
com memórias a cada canto

como os lábios prendem o copo
como o copo prende a tua mão
como se o nosso louco amor louco
estivesse cheio de razão

e como se a vida fosse o foco
de um baço lento projector
e nós dois ainda fôssemos pouco
para uma tempestade de cor

um ao outro nos fôssemos pouco
meu amor meu amor meu amor


[do mário cesariny]

domingo, 25 de julho de 2010

quem puder abrir mão de mim, será como o tempo,

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"O medo, leva e traz ao deserto os distraídos, prometendo-lhes sempre algo, fazendo-os desesperar da sua simplicidade. Mas o deserto é mais simples que o medo, e a sua luz apropriada."

do Álvaro Lapa, em "seqüências narrativas completas".
 

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