sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

tenho medo do que não revigora (demais). estou longe demais. todas as perspectivas se atrasam. procuro alguém que me diga que sou insuficiente? ainda não alcancei todos os corações terrestres. quando fizer isso os pescoços do mundo serão liberados. poderão tirar os laços dos pescoços do mundo, as trelas

os pescoços do mundo
são os cavalos, são os tendões do tempo
as trelas que cintilam seus dentes num verde mato



há uma arrebentação de caranguejos atravessando o meu caminho.

e eu com uma vontade expressiva que não pode ser compartilhada.

então encontramos brechas. as brechas podem ser todas desenvolvidas ou acobertadas.

no meu tempo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

a vida sempre wins

Se perguntas a minha natureza: sou disruptora e lenta.
Também não estou acostumada
a nada nunca. E ser clara é tanto um dos meus definitivos que terei que me repensar
protejo então nisso o meu fazer de um blues.

Acho que a gente se encontrou
num novo livro. E tem que ser um livro qualquer
sempre. Deixemos baixos certos rumores:
o discurso das coisas assustam
se refugiam na noite, as coisas.

E eu sou poeta.
Razão displicente entre calhar e amar.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

depois de um tempo a gente aprende que as pessoas vão entender errado mesmo, então por que não dizer?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


XVIII

Poderia ser o pudor de um deus, as razões
que descobrem nas coisas dos outros
os vivos. Romances, motivos de faltas, traições.
Quem perdeu o olho de quem? Amou
mais do que eu?

Ou esse tobogã de genes que vamos sendo
a fresta do destino nosso de cada dia entre parentes, crescer
com os cachorros presos entre os portões.
E deles se aceitar tudo, eram amados, desde que presos.

Feito esconder a menstruação da sociedade
o mesmo me aconteceu ao virar adulta
prendi os bichos todos de uma vez. Amados.
E depois era de noite, ou já adulta
encontrei um deus esquecido atrás do portão.

Procurando formol, um exercício que me impeça a putrefação,
e se não conseguir, talvez eu peça. Talvez se salgassem a carne viva,
pelo menos a diáspora entre os amigos seria menor.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

severa e ríspida não sou mais profissional

minha mensagem é outra viu não é essa que você reviu releu eu já inventei tudo de novo recomecei pelos mesmos lados só pra dar em outros e enfim restaurada a confiança a confiança enviei e logo foi isso que me arrependeu os ossos do ofício assuste-se portanto com os OSSOS, beibe.

amor

eu ontem ouvi prince hoje djavan espero imagino que isso não constitua o início de mais um

AVISO

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

os bicho

segurei os bichos tudo

dos meus estudos centrais: como perder a forma ritual; dialogando: na conquista do seu consigo mesma;  estamos: quem? uma performance dos diálogos; abrindo exceções sem perder os núcleos de sentido; proliferando medo em coragem no dia-a-dia coletivo; avançando sobre o ex-amor tornando-o amoroso; solicitando dúvidas aos outros; como não perder o pescoço: tranque seu computador;

*

é assim, começa assim:



não estava em Lisboa quando vi isso. talvez mais acentuada a diferença tenha ficado pra mim. estou dentro desse discurso, de entendê-lo, de me comover com ele e pensar que estamos condenados. estamos? estão. estudante, vivo em Portugal numa linha que fica à margem. mas tanta gente que está perto de mim, talvez todos?, eu vejo isso, o tom desse discurso "à toda uma geração".  não é a minha geração, mas não deixa de ser. aqui em são paulo falo de lisboa e algo nas pessoas não acredita. lembro muitas vezes de que já tinha lido da desconfiança com estrangeiros em livros que não sei mais quais são. agora lido com essa situação de entre o meu país. me olham e não acreditam? jacuzice paulistana típica. o mario de andrade tinha razão! o tietê corre pro interior. mas precários são meus amigos, e em um - só em um - dos meus futuros possíveis pode me acontecer de ser um também.

quantos destinos tenho? eu sei não.

li hoje à tarde o Paul de Man dizendo uma coisa espécie de coisa - ou não sei se fui eu que entendi demais somente entre os entres do que ele estava dizendo, que há uma espécie de vício do pensamento ou talvez uma estrutura? de pensar as coisas atráves da sua "genética". origem, os pais, história, - me pergunto se essas fichas de catalogação vão mesmo ser retiradas na entrada pelos guardas das fronteiras ou se ardem em um depósito velho de arquivos mortos.  - o karma, o sobrenome, ------ 

e eu: ramo de árvore. não, ranhura na mesa.

e esse salto transatlântico: nenhum dos lados têm dimensão: de um país numa crise fudida, mas com a violência social controlada - e 10 horas depois (na verdade 8 dias, sou lentíssima para chegar em um lugar)-  para um em ebulição caótica e convergente. porque em SP me ficou muito claro que existem 3 grandes classes sociais: os que servem; os que são servidos; os que estão selvagens.

não é para todos que o Iluminismo venceu.
(agora penso no Iluminismo enquanto atravesso a rua.)

vou sem olhar para trás.
os bichos correm atrás de mim.
o pensamento é quase erótico em seu prazer então o corpo quer acompanhá-lo então o vento foi inventado e as portas do mundo se batem. os satélites que queriam encontrar o código de acesso dos outros satélites continuaram batendo os números no vão da informação.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

amor e dor

precisava te dizer uma coisa importante.
mas só vais entendê-la se eu não disser.

fez o tigre

as sa as sa sa as
- a palavra "brasil" me diz tão pouco, eu não sei, não costumo - gostar de intelectualizar assim as coisas, sabe? eu já pensava que 'na altura' queria dizer nuvens ou envolvimentos radiais com as temperaturas das coisas mas eu estava pra além da coisa. queria perceber a coisa. o que me atormentava era só a multiplicidade das alturas. certos. cumes. me acostumei em ter as idéias certas, mas se começo a repeti-las é que algo vazio se deu. é absolutamente impensável que a pessoa de uma semana atrás era essa aqui. hoje recebi um e-mail de um velho amor que me dizia uma coisa qualquer, melhor, uma coisa de um amor já ultrapassado pra ele também, mas uma espécie de calibre fa-tal do universo que nos fez assim, enfrentarmos as coisas de novo. e ao mesmo tempo eu nessa espécie de nada que eu me tornei, cada vez que atravesso o
 
CADA VEZ QUE ATRAVESSO O OCEANO É ESSA ESPÉCIE DE NADA O QUE ME TORNEI.
CALIBRE FA-TAL DO UNIVERSO.

quem quer estar ao meu lado? quem quer estar ao meu lado? quem quer estar ao meu lado?

havia algo com que me deparar. estava amiúdado, pequeno, no canto até que ATRAVESSOU dobrou A ESQUINA em seu PESCOÇO de giraFA: a coisa disse:


(a coisa não conseguia gritar. nem precisava. a coisa pensava em clarice lispector a coisa teve uma vontade de mostrar pra vocês

domingo, 30 de janeiro de 2011

let's try to not equivalizar nothing without anything
digo: coisa com coisa não podem ser a mesma coisa
apresentam-me um texto cansado de metáforas. eu penso! cansaço do universal princípio de pensar.
(calo o rigor o ruído mas não 
sempre a dizer pare pare pare
e o meu corpo todo dizendo SIM QUERO SIM EU QUERO 
o quê?
qualquer coisa 
que não é qualquer coisa

amanhã eu vou a são paulo. amanhã nessa hora estou em são paulo. no trânsito, muito provavelmente. nessa hora estarei tremendamente feliz de estar em são paulo, a cidad em que nasci, cresci e continuo a viver de longe.

é engraçado porque quando a gente pensa em voltar a um lugar a gente nunca volta. assim: criamos as nossas experiências particulares, individuais, numa cidade. mas uma cidade é tudo o que há de menos particular e individual possível! uma cidade é um múltiplo desordenado (sp) uma cidade é um lugar de estar e - - as palavras estão dizendo pouco, eu mesma estou dizendo pouco. vou viver então, viver a teoria das cidades não-particulares: vou ver os amigos a cidade deles o que ela fez deles com eles e deles pra mim. vá. beijo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

north country far

sobretudo a diferença de que não pode ser diferente. que lugar é esse? tão diferente do que eu já tinha me acostumado. e o mesmo, tão coerentes as coisas são. escrevi um belo parágrafo sobre a literatura. agora anoiteceu e tenho vontade de desaparecer. com o frio das coisas, todos os objetos tomados, eu nesse esquecimento também.

saí pra andar. o fim de semana me trouxe de volta à errância. tomando meu corpo. um novo Portugal que é o mesmo, voltei. e estou acostumada. olho as placas e já as reconheço. saí de Portugal era um outono que eu tinha vindo procurar um verão. agora cheguei de novo, e é inverno. todas as coisas estão desfeitas de si mesmas, parece que com isso ganharam uma nova identidade, que é nula, porque é a liberdade de só ser.

leio na loja de ferramentas

COPIAMOS CHAVES
INCLUSIVE
PARA AUTOMÓVEIS

percebe? tanta coisa por todo lado e as chaves-de-fenda que não abrem o mundo. pra mim, meu mundo. veio desse lugar, dessas cópias de chaves. e agora que eu não te daria mais a fórmula mágica que pudesse abrir-te? estás do meu lado.

no chão do miradouro de portas do sol picharam

NOSSA RIQUEZA  ESTÁ NAS NOSSAS HISTÓRIAS
NÃO NOS NOSSOS BOLSOS

lida no meio do meu dia tentando explicar porque a história é tão importante no pensamento do roland barthes - e após um domingo onde mais de 50% dos portugueses não foram votar, teve assim, digo: impacto de silêncio e a vontade de escrever embaixo TAMBÉM RESISTIREI AO TEU LADO

não encontro mais aquele lugar

e o corretor do word me disse hoje duas vezes, em citações do rolandzinho: "verifique se na sentença não há problemas de gramática". mal sabe o quanto acertam, esses gajos das aplicações.

imagine então chegar no brasil daqui uma semana. acho que vai ser assim: uau.

depois vai ter também

UAU UAU UAU UAAAAAAAAU

e em frente a Sé de Lisboa me pergunto se as placas no português do Brasil vão me soar estranhas se eu já me acostumei com a (precária) publicidade portuguesa.

subo a rua meu joelho dói. penso que essa foi a bota desse inverno, como o tênis com pêlo o do inverno passado. e o coração continua. lindo isso:


As pestanas a arder. No peito lágrimas contidas,
Sem medo sinto que será, que será tempestade,
Depressa, há algo a esquecer - alguém estranho me instiga.
Mas eu estou morto por viver - o ar tão abafado.

Soerguendo-se do catre ao primeiro som do dia,
Olhando à volta absurdo, estremunhado, sonolento,
Assim recomeça o forçado uma canção bravia
Ao romper da aurora no prisional acampamento.

Março de 1931, Ossip Mandelstam.

domingo, 23 de janeiro de 2011

qualquer maneira de amor valerá



estou muito encantada no meu canto - - flechada de uma cor - -  deu-me um coração - - em que já não há centro: - - ou a hora em que o infinito distúrbio das coisas converge em ritmo.

salivo ainda por cima de mim    - - - na busca de um qualquer que não seja, eu.
aquilo que mesmo interessa não é ao que eu vim, nem d'eles. - é aquilo que se entrelaça.

me vale cantar.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

desconfiarei do dia em que começo a ler Proust

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

três instantes

estou saindo de algum lugar e descendo uma grande rua em são paulo, perto da av. pompéia um menino lindo de cabelos compridos me chama pra olhar pra trás. quando chega bem perto de mim ele me diz que o meu cabelo é lindo e começa arrancar uns fios e guardar pra ele. numa surpresa, como se ficassemos apaixonados, há muita luz, muito sol. eu preciso de algum tempo, viro pra ladeira que descia e vou embora sozinha. 

estou no topo de uma casa de madeira, que fica como se no alto de uma árvore, é a casa do meu irmão e também é a casa do eduardo. há muitas pessoas na casa. conto pra carol que conheci o menino. ela me adverte de algo sutil. a casa parece que está tombando pra um dos lados, temos que balanceá-la com as pessoas indo pra um lado ou pra outro. mas ninguém faz nada. 

estou depois na cozinha da casa em que cresci, com outros amigos. o menino está na lavandeiria. indignado, mas parece que não me reconhece. quando ele vira o rosto pra mim está todo inchado, tomou muita porrada nos olhos, coberto por hematomas.

sábado, 8 de janeiro de 2011

um sonho recortado, que não lembro inteiro. mas num saguão de hotel enorme, com escadarias cor de vinho, enormes e antigas, e quintuplicadas que não iam pra lugar algum e levavam a todos os lugares, como um escher, e nas laterais elevadores de vidro que faziam do espaço a minha certeza de que era um aeroporto, eu e meu pai. nos perdíamos um do outro, eu andava pelos corredores, não sei mais.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

a nuvem das mil e duas coisas

a vida que é metade faxina, metade regresso do pó, por aqui tô melhor, mas ainda não sei que ser é esse em mim que transforma tudo em catarro. (mas deve ter alguma coisa haver com o ser que traz de volta o pó).

ai como que é difícil o inverno. se bem que notei umas coisas boas hoje, além de ter limpado os vidros e lido o texto que precisava ler pra faculdade. é que fiquei angustiada e fui ler álvaro de campos, ouvi mercedes sosa e comecei a escrever.

envio menos e-mails do que em muito tempo, talvez do que sempre. não quero muito contar, quero deixar as coisas quietinhas, crescer por dentro delas. talvez eu já esteja em auto-contato, imersa. tem dias que eu percebo que passei o dia inteiro sem entender nada porque é como se eu estivesse na nuvem das mil e duas coisas.
a famosa nuvem das mil e duas coisas tem passado em imagens. acho que IMAGINÁRIO é das palavras mais bonitas que eu conheço, porque lembra aquário, mas tem outra dissolução. a nuvem das mil e duas coisas.
o que é constante é que são incontroláveis as nuvens e não se trata de fabulação. fabulação é deitar ou parar e encontrar um ritmo, um eixo, uma vontade de produzir um efeito no peito. mas o que eu estou falando é da produção de mil efeitos invisíveis que não se percebem separadamente mas estão  enquanto estou lá: na louça, na precaução ao atravessar a rua, na respiração ofegante de cerimônias e sucessos. e estão num lugar só meu.
sei que eu passava horas em fabulações, sobretudo nas salas de aula na escola. o importante era não perder o fio narrativo e que tivesse tudo uma seqüência lógica sutil de tão óbvia e continuada. a nuvem das mil e duas coisas, não, é menos que fragmento, gotícula, é orvalho. memória de orvalho.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

ensopadinho com chuchu

como mamão, que há anos não comia e o gosto que não era dos melhores, gosto de transporte - - mesmo assim mamão que delícia. o natal já passou, o ano-novo também, estou mais calma que no fim do ano, agora até tenho um armário.

mamãe me manda um email agora com o assunto "sampa" - quem usa essa palavra feiosa? - mamãe, pelo visto. no email nenhuma palavra, mas a imagem


 


nada haver com o trópico que eu tava sabendo no fruto, embora deva estar cheirando mal como só o podre tropical capaz de feder, é. e isso é só uma questão climática. (tenho achado que ainda vão achar que eu falo coisas fatalmente preconceituosas). adoro mamão.

4 euros o quilo no quintal lá de casa a gente ficava rico fazendo animação de coquinho







tinham uns 15 coqueiros desses no jardim. um deles meu pai plantou na semana em que eu nasci. alto de muitos metros ele ficou. os coquinhos caíam no chão, eu às vezes roía, mas em geral os cachorros eram melhores nisso. a impressão de que a maioria era desperdiçada era a abundância, rolavam intactos no chão, até serem varridos ou apodrecerem de vez.


e apareciam esquilos, às vezes. que nos lembrava um trópico não completo. embora as revoadas de papagaios, todos os dias, perto da hora do pôr-do-sol. e as andorinhas que faziam ninho na chaminé. uma vez acendemos fora de época o fogo e um filhote de bebê andorinha caiu em cima. não foi trágico, a fatalidade não é atônita só. acho que me ensinaram que as coisas acontecem.
haja coqueiro pra tanto envergar.

domingo, 2 de janeiro de 2011

primeiro post de um novo ano. eu queria fazer uma declaração de amor no lugar dele, mas - tem coisas que a gente não sabe começar.

03h30 da manhã, Lisboa. eu gripada. dormir é que era um grande abraço.

acho que tenho medo de dormir desde criança porque na hora que me entrego ao colchão me defronto com o medo que senti o dia inteiro e fingi que não era comigo.

sábado, 25 de dezembro de 2010

natal

eu hoje fiz rabanadas até a casa feder a óleo e eu mesma ser incapaz de pensar nelas, em comê-las. mesmo assim as comi, é Natal - e entre outras coisas, sobretudo é pra isso que estamos vivos.

é vagaroso viver, astronauta. nem sabes das coisas que passam e estão aqui na terra.

eu sei que vês, mas não - . - sei que nossa relação tem limites, mas por favor, me arranca dessa tela luminosa.

metade do que eu conheço está além de mim.
tem certas coisas que eu já não quero mais acreditar/duvidar entender-esquecer. ou mais: pontos pacifícos de estar. um deles é o Natal. não quero nem gostar nem não gostar, mas tem o estar e ele é comunidade com os homens.

todos estão nisso, até os que querem que não. eu agora vivo em Lisboa num dos lugares mais turísticos da cidade e posso vê-los transitando da minha janela. pixaram no muro do miradouro em frente

TURISTS ARE TERRORISTS - assim com o erro mesmo.

eu não diria isso, mas acho engraçado de como é violento com os tapados. em geral os turistas tão meio assustados em OWHHH HOW WONDERFULL e tal. eu gosto dessa ingenuidade, inclusive eu gosto de algumas outras ingenuidades também.

vejo assim, hoje vi, chineses, alemães, brasileiros, um espanhol viajando sozinho. não que eu tenha falado com eles, mas começas a aprender a reconhecer as nacionalidades pelas roupas e jeitos do corpo, e - claro, as etnias em alguns casos facilitam. todos estavam vivendo a véspera de Natal como a véspera de Natal. era possível perceber isso, não é um dia qualquer.

e não ser um dia qualquer não significa muito mais. é o belíssimo solstício de inverno, os dias agora voltarão, para o lado de cá, a ficarem mais longos, pouco a pouco. e ainda bem. mas mesmo, pra além disso. a carol disse hoje: a gente nasce sozinho e morre sozinho, mas a gente vive junto.

às vezes sair da 'comunidade' é o lance de dados que atrasa. a professora disse uma vez: "se eu digo: 'está a chover' e depois completo, 'mas não sei o que chuva significa', é quando eu me retiro da comunidade, do estar junto.

isso me aconteceu, acontece, tantas vezes. das palavras todas ficarem gastas e pra isso eu deixo de acreditar nelas. talvez por isso eu goste de ano-novo, aniversário, natal. porque a gente está junto, e ainda bem. fritura porque nos quero.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ê VIDA BICHO ENORME QUE É
dos cantos de estima para o poemas do destino do mar
é impressionante como eu perdi o heroísmo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

não quero amor com guerreiro 
pra o fogo não me queimar
quero amor com marinheiro
que anda nas ondas do mar

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

hoje

there are some mornings
when the sky looks like a road
there are some dragons who
were built to have and hold
Joanna Newson
Acalma teu brio de fugir, mulher
havia algo com que me deparar
vinha desde a noite do nome que dei
a algo que sabia tão bem pequena
e que até ontem não sabia que sabia bem assim
alguma coisa com nome de amor
uma luz que às vezes ilumina minhas mãos
e há nitidez nas ranhuras das digitais
e sinto uma ternura imensa
pelo passado pelo futuro
tantas vezes é de noite
e me acompanha pensar
na morte como uma insônia
madrugada passada acordei berrando porque
pedia pesadelo pra amiga grita
grita pra nos salvar
ela não gritou
ao que eu gritei
levantei a cabeça
olhei as montanhas das minhas clarezas antes de dormir
e escrevi logo ao acordar:
esqueci
e fiquei olhando as montanhas e as estrelas pra ver se
elas se mexiam.

- -
dos meus cantos de estima, fofignos.

- -

na cozinha, agora pouco, disse: "como diz aquele verso da ana cristina césar: acalma teu brio de fugir, mulher" e então percebi que o verso não era dela.
já tomei banho. a luz já voltou. vou comer os restos do jantar de ontem. que são praticamente um novo universo. faz hoje céu azul violento de generosidade. coisa de 7 graus. com o vento, 4. o Tejo é mais escuro que o céu. uma letra de espaço que faltar vai fazer toda a diferença na compreensão. é por isso que eu digito tão rápido, pra ver se certas letras caem, são plumas, desnecessárias, ou o meu edredon, cheio delas, quentíssimo. hoje à noite temos concerto de lançamento da cátia. é tanta coisa a gerbera rosa que o b trouxe juntou com as amarelas flores sem nome que comprei no domingo.
temos também uma planta que é o david bowie

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

solução

eu ainda
encontro na mesma cor
que é vida de vermelho de terra em rosa
e quando os olhos, meus, fecho: estou
na caverna mais encantada que desde criança
perco encontro, acho sou.


- - -

domingo, 12 de dezembro de 2010

c

hoje, passeando de tarde, encontrei uma página, digo 30 arquivos do meu computador do romance que eu escrevia em 2007. pensei que talvez fosse legal terminá-lo. cada arquivo que abro tem uma versão completamente diferente (pelo menos de início) que a anterior. eu decididamente não sabia o que fazer, nem o que estava fazendo, e a cada momento levava a massinha pra uma massa posterior. 

(na escola eu brincava de massinha e nenhuma forma que eu queria fazer tomava forma porque no meio do caminho outra forma me parecia melhor: olha, aqui vou fazer uma casinha, não, não! como parece uma salsicha, salsicha é tão sem graça qualquer um faz, vou... cachorro! - - e tudo continuava massa informe - - a mesma coisa com os desenhos, sem contar o horror que as formas literalmente materiais, as chamadas plásticas -errôneamente? se os textos é que são sim, de plástico -, sofrem em si mesmas as marcas dos erros, muitas vezes sem corretivos possíveis. 

ou o que o computador trouxe para nós ou o que ou o que)

quando eu estava escrevendo o "antonio e asaboli" o grande acontecimento, pelo visto, era o "ou o que" e também o orgulho. por quê? porque oras, eu tinha 60 páginas de um texto que era absurdamente nada e tudo ao mesmo tempo e eu não começava nada eu era o exercício eu era o texto eu ia lá abandoná-lo? - foi o que fiz. ficaram pra lá, ficaram com suas pontas pra todos os lados e sem pontas de vez afiadas.


#

mudando de assunto pro seu oposto:
toda vez que eu termino alguma coisa na qual me dediquei por algum tempo depois sou eu o caos sacudido, a luz que incidiu nas coisas até delirá-las, um caleidoscópio partido, uma imaginação toda do universo à solta dentro de mim e eu acuada acuada acuada pensando em nada em nada em nada.

#

2010 foi um ano ótimo.
se consideraramos roberto carlos "se chorei ou se sorri/ o importante é que emoções eu vivi" e que foi um depois de 2009 e outro antes de 2011 e que eu morria de curiosidade pra saber o que ele seria e como viria e foi acontecendo tão por ele mesmo, o ano, as coisas, e eu fui indo nele, me recusando, trançando os pés de saliva, também chamada chuva, também chamada casco, sobretudo riso.

sábado, 11 de dezembro de 2010

"a verdade é que passei a vida a fugir, de cidade em
cidade, com um sussurro cortante nos lábios.
e atravessei cidade e ruas sem nome, estradas, pon-
tes que ligam uma treva a outra treva.
caminho como sempre caminhei, dentro de mim -
rasgando paisagens, sulcando mares, devorando imagens."

al berto, de abertura do romance que eu nunca terminei e cuja epígrafe, noto, não tinha nada haver com ele.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

b

depois do belo novembro em chamas nada melhor do que um dezembro de musgo

um bicho de protótipo um bicho de protesto um bicho que não terminei

a

atravessei uns dias esquivos e se escrevo é só porque me quero de volta. como uma cidade da infância (pavarosamente perdida, dizem), atravesso colinas e travesseiros. sou voltada pro dentro. no centro do meu peito tem uma chapa a que antes chamavam de externo, se não tivesse virado uma montanha de dentro. um oblíquo movimento do coração, digo, de uma inquietação. tem algo que é o bicho amansado nisso. o bicho amansado sente falta de nadar rio. riso que alucina, entrega com atraso disparatadamente entregue. balanço, baloiço, bolsinhas e alfacinhas. tudo isso trago no corpo. um dia ainda dou em ruína.

#
dei nisso!

#

engraçado que é, a pessoa ter vindo pra portugal estudar um mestrado em edição de texto que não se consolidou, porque queria mesmo era aprender a fazer livros e não comércio (ou o comércio que vem depois) e de repente a pessoa desiste vai estudar teoria (& seus pares históricos) (& seus amigos já são pares históricos) e se vê fazendo, de repente, livrinhos.
ainda que haja tempo - ainda. que a vida se recolha toda nela. mesmo que 2010 não me
recordo mais.

acordo de amanhã cedo é manhã do meu vício. no sonho eu dizia terrivelmente terrivelmente que esse lugar é terrível é terrível o mofo. as coisas que a gente escolhe tem de

de fazer
de morrer
de esquecer
de assinar
de limpar
de

mim, pra você, dizendo: recolhe
o varal;
me dá saúde
cuida dos nós.

hoje foi o primeiro dia em muitos: me esforcei e consegui fazer nele inteiro: nada.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

I

pelo lado norte vem o cortante vento do mar
o dia acaba de se agasalhar no musgo das acácias
fico imóvel
atento ao estalar nocturno das madeiras

a roupa foi deixada em cima da cadeira
cobre-se de penumbras... a casa treme
com a explosão da pedreira

viro-me para a terra alegre dos sonhos
invento uma lua invento um inverno só pra mim

donde chegarão aqueles barcos de sobressalto?

um dedo arde na poeira das vidraças
uma planta corrói o silêncio dos corredores
debruço-me para a velha mesa encerada
uma aranha arrasta-se sobre a folha de papel
espeto-lhe o aparo... escrevo
a crueldade das palavras que te cantam

tento acender outras imagens devoradas pelo tempo
mas estou confuso e definitivamente só

de que lado da casa rebentará o novo dia?
em que arrecadação escura sossegará o amor?

resta-me escancarar a porta da casa
e sorrir a todos os desconhecidos

[al berto, do "eras novo ainda"]

terça-feira, 30 de novembro de 2010


ALUVIÃO
exposição minha e da Mayana Redin
inaugura no próximo sábado, 4 de dezembro, às 22h.
às 23h, vamos ter show do Flavio Tris, meu camarada, amigo, coração.


FUNDAÇÃO
Rua do Bonjardim 951, Porto
http://a-fundacao.blogspot.com/

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

hoje vi um caminhão de concreto, daqueles que rodam, que a empresa na logomarca chamava CABAÇO & CABAÇO.
você viu, invadir meu coração sem limites, eu sou a cara dos meus antepassados sitiados pela força inconclusiva de uma fome. atravesso de partilha em partilha escorando o limite do céu e quando me recheio de plena lua, os pulmões escancarados sobre o aterro em vento. estou definitivamente pronta para - espatifar nossos corpos essa vontade de -

ALÔ aqui quem fala é o setor de supervisão do seu ódio, como vai?
sou eu que pergunto.

sábado, 20 de novembro de 2010

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

insônia

antes de dormir fico - tentando dormir fico - eu nunca tenho insônia - reconta a série de coisas pra fazer até o fim de novembro - eu ainda não dormi - amanhã a junta de freguesia em dezembro o flavio vem - preciso comprar cobertor pro flavio - o bernardo também não tem vamos juntos no ikea - capricórnio não desiste mesmo de organizar tudo -  depois essa dor nas omoplatas, semana passada era no maxilar - mas agora o remédio chinês deve fazer efeito - vou ficar mais tempo offline, 2011 - ixi, a polícia federal francesa tenho que levar as receitas - onde estão as receitas? na pasta azul grande junto com o histórico escolar - era bom comprar outra pasta dessas amanhã - nossa hoje fiquei tão cansada de andar por aí fazendo mil coisas amanhã vai ser pior - não consegui dormir ainda - gente tô ficando igual a minha mãe - porque naquela época eu consegui não ficar igual a minha mãe? - tinha um alvo que era vir morar em Portugal - daí eu vim, deu no que deu - é, o alvo é só um vulto - essa chuva, vou ouvi-la até me acalmar - ... - é bonitinha a chuva caindo - como será que era em Auschwitz ouvir a chuva caindo? - isso podia mesmo (consternada) dar um bom verso - em homenagem ao Paul Celan - é, um Dante, o Celan, é um Dante, e eu nunca li Dante - ok, então um Eliot - Eliot, Celan, Drummond - povinho fácil, né? - gentinha leve leve leve - será que eles pensavam em Auschwitz com essa dor? - é, meu pai é daquelas pessoas que tragou o universo e percebeu - casa 12 - meu pai entende essa dor - cavalo dado não se olha os dentes - eu posso colocar também um general nazista - é um soldado da SS melhor - mas que lado eu vou tomar dele? - talvez um soldado da SS vestido de cinta-liga de mulher e um prisioneiro de Auschwitz ouvindo a chuva cair - mas que coisa terrível eles transformavam gente em verme e até os vermes são mais bem tratados - a dor da duras ele voltou e vomitava tudo verde cagava tudo verde - a quantidade de frio e umidade que devia ser Auschwitz - devia chover bué pra caralho de chuva e aquelas horas de sono horas de insônia - que brutalidade - não tô nem pensando nos fornos ainda - por que eu resolvi pensar nisso agora? - o impacto da chuva - ou a chuva que não tem nada haver com Auschwitz - vão me transformar em estrela costurada no pano da roupa de alguém e chove em Auschwitz e eu não consigo dormir - minha língua bem que tá com gosto de pano amarelo - será que eu vou ficar doente? - tão típico, não tenho nem tempo pra isso - será que lá eu resistia melhor? - cada coisa que pode acontecer na vida de alguém - e eu aqui começo, de repente, a cantar VIVER Ê Ô Ê Ô - não tô pensando mais em Auschwitz, que horror - nem sei se ainda tá chovendo - será que amanhã vai molhar as caixas? - ai era melhor dormir e estar descansada amanhã pra tudo que tenho que fazer - mas que vontade de ouvir E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ - ai vou ligar o computador ai vou gastar essa insônia ai eu tentei de tudo - prende a respiração meu pai falava isso quando eu era criança e eu não conseguia dormir. funcionava - quem é a pessoa que você mais ama no mundo? - meu pai e a minha mãe - você gosta mais do seu pai ou da sua mãe?  - eu gosto de carne - ai que saudades do marcos - ano que vem ele vem - quem vem em dezembro é o flavio - em janeiro vem minha mãe e vem o meu pai - depois de amanhã tô com meu irmão - vai nascer minha sobrinha eu não vou estar lá - tanta gente pra ver em Paris - se eu apresentasse todos eles eles certamente não iam se dar bem - porque eu faço mais amigo do que macaco sobe em árvore - a vida que é a vida é -  sempre deeesejada - ai meu nariz entupiu de novo - atchim - quem inventou o amor? - se aparecesse agora, o amor, tinha que cair do telhado pra eu perceber - se deus vier, que venha armado - eu tô aqui até que bem, né? - não durmo, mas isso é pra depois - sim, alguma hora hei de dormir - mas só 5 horas essa noite de novo não agüento - ai calma, tem a 4a feira inteira pra isso - mas já dá menos do que  5 horas- vou fazer também o livro do "Temes a noite em que os nomes não se registram nos radares" - - -  é, acho que cheguei n'algum lugar - já posso, de novo, tentar dormir.

axé nóis tudo

mudar: essa espécie de remessa para o futuro: a organização do caos, o ano todo de pó atrás dos livros, desfeito. e se refaz: o grupo de roupas, vestidos, os utensílios de cozinha. as fotos que saem das paredes. tudo que é estágio de intervalo, ou resto: é lixo. e os esquecimentos todos, que se tendem a lembrar: dessa hora tenho medo. mas: contar que sou eu também que ali na frente desencaixoto mais esse começo.

domingo, 7 de novembro de 2010

o túnel e o acordeom








No dia 4 de dezembro vai inaugurar uma exposição minha com a Mayana Redin na Fundação, no Porto.

Eu vivo em Lisboa, a Mayana em Porto Alegre, e não nos conhecemos pessoalmente.
A tentativa do encontro produziu essa de fazermos túnel, túneis.






















A primeira edição d'"O túnel e o acordeom" lá estará, entre outros trabalhos.






















Estejam convidados desde já.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

eu hoje que só reparei que muitas vezes a maior sobriedade é a facilidade do acesso ao fora.

eu tenho um texto que tem que acabar. estou me comunicando com ele.

amor

o mais importante, me parece ser garantir a permeabilidade, sem medo. isso pode ser uma poética, mas falo da respiração. ou me diga a mim mesma: não vão te arrancar o estômago se você quiser colocar todo o seu desejo nas coisas do seu próprio corpo, e se fizeres isso a olhar para o outro lado, o resultado será cinismo com crueldade ou ansiedade se for só pelo desespero. então a gente aceita o convite do amigo pra nadar.

e eu já distingui uma vez ter que fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo de fazer as coisas com correria. sem prazer eu não faço nada que preste. é o mundo que está ao contrário, você não reparou? onde você está uma hora dessas? atrás do mundo sou eu quem estou. vem.


quinta-feira, 28 de outubro de 2010



não sei se é bobagem, mas cada vez mais acho que as coisas são como acontecem, as mais cotidianas coisinhas. os encontros desmarcados, os caminhos escolhidos, os sonos bem dormidos. talvez isso seja  calmaria no meio de um mundo escorado pra se terem expectativas e ao mesmo tempo que vou ficando mais torcível, isto é, maleável, também mais levo sem revidar. talvez tudo seja mesmo uma questão entre dureza, duração e amabilidade. amar a habilidade de durar, amolecer, encobrir os astros de sonhos que depois se aceleram em frases, precipícios. o risco disso é que várias vezes eu acho mesmo que está tudo bem, mas alguém há de fazer justiça, que depois não era bem assim que eu estava. tenho como céu aquele precipício dentrão, em escorpião. de todo modo, amanhã um tanto antes do almoço tem encontro pra gente conseguir a casa mais gira de Lisboa, então eu vou dormir, porque o mundo gira, a Lusitânia roda e eu aqui, já é hora, adormeço.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

a única coisa que tende a não mudar é o movimento - - - quando eu tive um blogue que era o samba sobre o movimento eu já sabia disso (e assim me orgulho de mim mesma jovenzinha), se é que a máxima é uma verdade, que valor disso, pra mim, ela tem.

dos barcos, movimeeeeento, aquela música-sofrimento, que eu doía até não mais poder na primeira vez que sofri (mesmo) por amor. eu tinha 21 anos.

as coisas que a gente conta só por contar. e as coisas que as pessoas transformam em regra só pra ter uma prática de vida, um resguardar. acho a primeira situação melhor que a segunda. se bem que ao lavar a louça a segunda me orienta.


passei a tarde lendo o al berto e agora a noite na adélia prado. o melhor dos livros de poesia é isso, que 5 ou 10 poemas fazem dez minutos, ou uma tarde inteira. ou uma tarde inteira de leitura que pode ter 10 minutos e parecer uma tarde inteira.

a vida é muito pra ser pouco e passagem. movimento, movimento, arde!

vou me cobrir e dormir e amanhã acordar menos tensa. porque estou tão tensa tão tensa que travei.
 qlec, um dia quebro no meio essa rocha toda e te envio de envelope só a saliva.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

fulminante

crescer é tão brutal. como naquela manhã, ao sair da tua casa, em que eu descobri que te amava. acordamos um em cima do outro. depois falamos de duchamp. e de repente você fez um discurso comentando que não era o melhor como parecia se achar, que não era arrogante, como eu te achava. então nos levantamos da cama, aprendi a comer o melhor iogurte do mundo, e fui embora. era domingo. a cidade parecia toda plana e eu tinha dormido cinco horas. naquela manhã eu tinha te encontrado em mim. era eu a cidade, meu amor.



então, quando você se endurece mais é um golpe de cintura como brota feito flor em um vasinho de barro em cima da mureta que o rabo do cachorro derruba no chão branco e a terra se espalha,  eu tantas vezes bruta, então me impressiono com a minha delicadeza.
 
tem algo em aberto na minha vida muito em grande nesses últimos momentos.
e é como se eu sentisse o bafo disso, um bafo de estrela, diariamente.
 

Free Blog Counter