hoje voltei a patinar. receio de começo, desviando com o pé por dentro a bota mal fechada, pelo tempo os fechos secaram até destruirem-se e de nada existirem. mas é voar, dançar com o vento, o deslizamento do tempo, o caminho que me lembra e amanhece na memória, estou pra chegar aos quinze anos, de volta. e poder escolher certas coisas. ontem percebi que diria pra ele,o "ele" dos meus quinze anos ESCUTA AQUI CARA VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FAZENDO O QUÊ LIDANDO COM QUEM VOCÊ PENSA QUE É? mas isso só se desse pra voltar no tempo. agora meus joelhos doem um pouco, talvez seja a idade que me faça perceber, mas na época já doía. na época quando eu olhava as estrelas do céu de um clube com o qual tenho sonhado, e que ficava a 500 metros da minha casa, com a qual não tenho sonhado, mas com as redondezas, talvez doesse já, mas eu só pensava no prazer do gatorade, e quando olhava as estrelas elas não eram bonitas como hoje são. e cintilando de jeito de não quebrar os joelhos nem os tornozelos mas sucumbir ao risco da velocidade e pensando em toda a tarde que passei lendo octávio paz e vivendo pela imaginação de um ou quatro amores que não tenho como tudo é vento entre os dentes que não corta, é primavera, michel foucault era um gênio, e pretendo voltar a patinar toda essa primavera e todo o verão, até que as chuvadas me impeçam e eu pense de volta como era bom, como era bom e, mais uma vez, atente pra esperar. que escrever, amar, viver, patinar, tudo isso é (e junto) (e comer e beber e ler e amigar e ouvir), o que importa. e de algum jeito achei um pássaro, meu muito vivo pássaro, que já há alguns anos se desvia por entre as árvores.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
se eu consigo escrever de um jeito que se entende (é essa das minhas maiores felicidades, recentemente) posso até soltar pra ser incompreensível e isso retorna em: liberdade. um movimento pelo retorno das palavras têm se processado em mim. não vou ser cruel comigo mesma, não estou nem ligando pras tachinhas que você carrega nas têmporas e quando sentas, mon dieu, haja osso pra agüentar a bunda.
de todo modo a tensão do lado direito continua constrangendo nossos movimentos. é uma solidificação do braço (infinito em sua vontade de alcançar, mexer no rato e escrever), um movimento de rupestreamento.
do latim "treinamento", conjugado com "esquecimento tão atípico em seu respirar que simples silêncio".
#
pra você, que eu não sei quem é, que escreveu que eu escrevo com ternura e alma azul: muito obrigada.
quinta-feira, 31 de março de 2011
uma pomba em cima do parapeito da igreja de Santa Luzia olha um eléctrico passar. é da natureza dos eléctricos, passarem, soarem a campainha e se encherem de turistas. dia desses vi uma gaja velha batendo com a bolsa num alemão e dizia PARA TRÁS PARA TRÁS, que era pra ele parar de emperrar a porta de entrada do eléctrico. o cara não entendeu nada. às vezes não há comunicação. cortam o saldo do meu telefone, eu fico sem responder pra ninguém. mas pode ter um depois. e então um senhor desceu do eléctrico com sua boina e disse "ô pá! se é pra ser assim não queremos ser Europa". como se dissesse, pra que tantos alemães, meu deus, porém meus olhos não perguntam nada.
da série problemas da primavera: não posso me guiar pelas roupas que vejo as pessoas do miradouro usando, pra saber se está frio ou calor. primeiro que há sol por lá e life could be so sweet on the sunny side of the street. depois que são gringos do norte, esses 18 graus que rompem as raízes dessas pernas brancas e brilham de euforia os rostos já vermelhos. daí quando entro no mundo português eles também ainda estão usando lã de noite. e eu tenho que sair com protetor solar.
Marcadores:
portugal is burning
I could be you angel, if you'll be my lady
dia desses sonhei que ficava com uma mulher, mas isso era enroscar os pescoços, a gente não se beijava e ela era a vênus do Botticelli só que inteira vestida de preto. daí chegava um ex-namorado me pedindo algo pra beber eu arranjava um resto de guaraná quente numa garrafinha de 600ml. e a vênus em cima da estante eu fingia que nem via mais.
na manhã seguinte acordei e furei a cabeça no armário da cozinha. foi ontem, sangrou. essa noite então não conseguia encostar completamente a cabeça no travesseiro, porque além do furo tem um galo. um dos meus horóscopos dizendo pra tomar cuidado com acidentes. pra que tomar cuidado com acidentes.
hoje de noite vamos ao teatro. fechada, não, estou destinada ao balanço. anjos não sangram, nem batem de leve.
Marcadores:
caderno público de sonhos
quinta-feira, 24 de março de 2011
dos amores que a vida me trouxe e eu não pude viver
[acontece algo antes] sonhei que tinha deixado uma bicicleta nova e branca embaixo de uma árvore num terreno meio baldio, umas ruas pra cima de casa. havia uma festa no terreno vizinho ao do duda, eu estava lá com meu irmão, tínhamos um cachorro preto que era cuidado por uma menina que tinha se apropriado dele. então a menina resolvia ir embora e eu agradava a barriga do cachorro que tinha um lenço vermelho amarrado no pescoço. tentei muitas vezes ir até a bicicleta pra recuperá-la, mas em todas as vezes virava noite no meio do caminho, ou chovia, e eu cada vez mais desestimulada, meu pai inclusive dizia, que sem dúvida a bicicleta já teria sido roubada.
Marcadores:
caderno público de sonhos
terça-feira, 22 de março de 2011
enquanto você se esforça pra ser
sempre podendo menos, precavendo mais, esquecendo rápido. fazendo o mais certo. tudo pra você do seu jeito, do seu ritmo, do seu modo. há um jeito de ser seu em você que não passa por mim. me lembra que tudo é assim? você sabe que eu vi o futuro um dia seu corpo vai explodir. e eu vou estar vendo o ritmo de tudo, inclusive o seu, com a minha paciência de passar.
por outro lado ele arrota muito e não nos vimos mais.
e você me conheceu tarde e eu não tinha tempo, embora sempre com o meu par de mãos disponíveis para o amor.
seus ingratos.
(não é verdade)
por outro lado ele arrota muito e não nos vimos mais.
e você me conheceu tarde e eu não tinha tempo, embora sempre com o meu par de mãos disponíveis para o amor.
seus ingratos.
(não é verdade)
segunda-feira, 21 de março de 2011
changing blues
quando eu era criança, adolescente,
quando eu era; viajava, ficava doente
mas só quando chegava em casa.
cheguei em Lisboa, fiquei gripada
ontem
ainda não sabia onde casa é, era
agora esse edredon, lenço de papel,
minha garganta não me deixa mentir.
*
quando eu era; viajava, ficava doente
mas só quando chegava em casa.
cheguei em Lisboa, fiquei gripada
ontem
ainda não sabia onde casa é, era
agora esse edredon, lenço de papel,
minha garganta não me deixa mentir.
*
é estranho, como ser de papel, amassar-se, recomeçar o rascunho em branco. ou há algo em grafite. manchado, liso, o que a vida revigora em seu desenho nunca terminado. fico pensando numa ciranda fundamental que mais parece o rodamoinho do olho de um furacão. e Lisboa não me deixa mentir na delicadeza. ter estrutura na delicadeza, não me entregar ao controle que só não pode cair. capoeira que é bom, não cai. e se um dia ele cai, cai bem. são 03h02 da manhã, eu voltei a escrever porque tive que parar com. não sei se amanhã será dia de febre, dia de encontro, não sei se amanhã. mas algo em mim não volta, não foi nunca embora. e sofre se ilumina dessa Lisboa que vem de antes, de muito antes da gente (a cidade sou eu, meu amor) se encontrar.
Marcadores:
see also impermanence
domingo, 20 de março de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
Precisaria trabalhar – afundar –
- como você – saudades loucas –
nesta arte – ininterrupta –
de pintar –
A poesia não – telegráfica – ocasional –
me deixa sola – solta
à merce do impossível –
- do real.
ana c.
#
Eu me aperto até o osso
descubro envolvo louvo
o novo e encerro o
carnaval não, deixa sangrar.
Minhas cólicas, aftas
os vírus da gripe que me rondam
ccccicuta, nada disso
entra na minha estufa.
Gravidez, gravidade, sim.
- - -
herberto, porque te apresentas com esse terno fátuo em direção ao fogo?
uma coisa que eu ainda gostaria de ver antes de morrer
era o milton nascimento musicando um poema do herberto helder
era o fogo encontrando a água
era uma águia.
herberto coitado com o fogo
helder espantado e a menstruação.
e o milton um deus desses que desce
e anda por aí, por volta de uns lagos.
- como você – saudades loucas –
nesta arte – ininterrupta –
de pintar –
A poesia não – telegráfica – ocasional –
me deixa sola – solta
à merce do impossível –
- do real.
ana c.
#
Eu me aperto até o osso
descubro envolvo louvo
o novo e encerro o
carnaval não, deixa sangrar.
Minhas cólicas, aftas
os vírus da gripe que me rondam
ccccicuta, nada disso
entra na minha estufa.
Gravidez, gravidade, sim.
- - -
herberto, porque te apresentas com esse terno fátuo em direção ao fogo?
uma coisa que eu ainda gostaria de ver antes de morrer
era o milton nascimento musicando um poema do herberto helder
era o fogo encontrando a água
era uma águia.
herberto coitado com o fogo
helder espantado e a menstruação.
e o milton um deus desses que desce
e anda por aí, por volta de uns lagos.
domingo, 6 de março de 2011
espécie
n substantivo feminino
1 característica comum que serve para dividir os seres em grupos; qualidade, natureza, gênero
Ex.: materiais e objetos da mesma e.
2 cada grupo assim dividido
Ex.: que e. de alunos vocês têm?
3 caso particular de algo genérico; variedade, tipo, sorte
Ex.:
4 condição, classe ou origem social; tipo, jeito
Ex.: gente de toda e.
5 dissimulação, disfarce
6 Rubrica: bibliologia.
denominação comum às entidades bibliológicas (p.ex., livro impresso, manuscrito etc.)
7 Rubrica: biologia.
categoria taxonômica abaixo do gênero, cujos indivíduos são morfologicamente semelhantes entre si e com seus progenitores e se entrecruzam gerando descendentes férteis
8 Rubrica: culinária.
m.q. especiaria
9 Rubrica: economia. Diacronismo: antigo.
moeda metálica
10 Rubrica: farmacologia.
mistura de plantas (ou de partes das mesmas), secas ou não, que por processos de decocção, infusão, maceração etc. integram diversas composições farmacêuticas
11 log no aristotelismo, qualquer classe de indivíduos com propriedades em comum, considerada uma subdivisão de uma classe ainda mais ampla, o gênero [A relação aristotélica entre gênero e espécie está na origem da taxonomia científica moderna.]
ª espécies
n substantivo feminino plural
12 dinheiro corrente, moeda sonante
1 característica comum que serve para dividir os seres em grupos; qualidade, natureza, gênero
Ex.: materiais e objetos da mesma e.
2 cada grupo assim dividido
Ex.: que e. de alunos vocês têm?
3 caso particular de algo genérico; variedade, tipo, sorte
Ex.:
4 condição, classe ou origem social; tipo, jeito
Ex.: gente de toda e.
5 dissimulação, disfarce
6 Rubrica: bibliologia.
denominação comum às entidades bibliológicas (p.ex., livro impresso, manuscrito etc.)
7 Rubrica: biologia.
categoria taxonômica abaixo do gênero, cujos indivíduos são morfologicamente semelhantes entre si e com seus progenitores e se entrecruzam gerando descendentes férteis
8 Rubrica: culinária.
m.q. especiaria
9 Rubrica: economia. Diacronismo: antigo.
moeda metálica
10 Rubrica: farmacologia.
mistura de plantas (ou de partes das mesmas), secas ou não, que por processos de decocção, infusão, maceração etc. integram diversas composições farmacêuticas
11 log no aristotelismo, qualquer classe de indivíduos com propriedades em comum, considerada uma subdivisão de uma classe ainda mais ampla, o gênero [A relação aristotélica entre gênero e espécie está na origem da taxonomia científica moderna.]
ª espécies
n substantivo feminino plural
12 dinheiro corrente, moeda sonante
sábado, 5 de março de 2011
sonhei com um navio, um avião, meu irmão. estávamos para embarcar. mais nada.
Marcadores:
caderno público de sonhos
terça-feira, 1 de março de 2011
sonho de ontem
sonhei com olhar o céu noturno cheio de estrelas e estrelas cadentes cintilantes
muito escuro o céu cheio de estrelas e eu olhava e olhava
muito escuro o céu cheio de estrelas e eu olhava e olhava
Marcadores:
caderno público de sonhos
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
tenho medo do que não revigora (demais). estou longe demais. todas as perspectivas se atrasam. procuro alguém que me diga que sou insuficiente? ainda não alcancei todos os corações terrestres. quando fizer isso os pescoços do mundo serão liberados. poderão tirar os laços dos pescoços do mundo, as trelas
os pescoços do mundo
são os cavalos, são os tendões do tempo
as trelas que cintilam seus dentes num verde mato
há uma arrebentação de caranguejos atravessando o meu caminho.
e eu com uma vontade expressiva que não pode ser compartilhada.
então encontramos brechas. as brechas podem ser todas desenvolvidas ou acobertadas.
no meu tempo.
os pescoços do mundo
são os cavalos, são os tendões do tempo
as trelas que cintilam seus dentes num verde mato
há uma arrebentação de caranguejos atravessando o meu caminho.
e eu com uma vontade expressiva que não pode ser compartilhada.
então encontramos brechas. as brechas podem ser todas desenvolvidas ou acobertadas.
no meu tempo.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
a vida sempre wins
Se perguntas a minha natureza: sou disruptora e lenta.
Também não estou acostumada
a nada nunca. E ser clara é tanto um dos meus definitivos que terei que me repensar
protejo então nisso o meu fazer de um blues.
Acho que a gente se encontrou
num novo livro. E tem que ser um livro qualquer
sempre. Deixemos baixos certos rumores:
o discurso das coisas assustam
se refugiam na noite, as coisas.
E eu sou poeta.
Razão displicente entre calhar e amar.
Também não estou acostumada
a nada nunca. E ser clara é tanto um dos meus definitivos que terei que me repensar
protejo então nisso o meu fazer de um blues.
Acho que a gente se encontrou
num novo livro. E tem que ser um livro qualquer
sempre. Deixemos baixos certos rumores:
o discurso das coisas assustam
se refugiam na noite, as coisas.
E eu sou poeta.
Razão displicente entre calhar e amar.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
XVIII
Poderia ser o pudor de um deus, as razões
que descobrem nas coisas dos outros
os vivos. Romances, motivos de faltas, traições.
Quem perdeu o olho de quem? Amou
mais do que eu?
Ou esse tobogã de genes que vamos sendo
a fresta do destino nosso de cada dia entre parentes, crescer
com os cachorros presos entre os portões.
E deles se aceitar tudo, eram amados, desde que presos.
Feito esconder a menstruação da sociedade
o mesmo me aconteceu ao virar adulta
prendi os bichos todos de uma vez. Amados.
E depois era de noite, ou já adulta
encontrei um deus esquecido atrás do portão.
Procurando formol, um exercício que me impeça a putrefação,
e se não conseguir, talvez eu peça. Talvez se salgassem a carne viva,
pelo menos a diáspora entre os amigos seria menor.
Marcadores:
poemas do destino do mar
domingo, 20 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
severa e ríspida não sou mais profissional
minha mensagem é outra viu não é essa que você reviu releu eu já inventei tudo de novo recomecei pelos mesmos lados só pra dar em outros e enfim restaurada a confiança a confiança enviei e logo foi isso que me arrependeu os ossos do ofício assuste-se portanto com os OSSOS, beibe.
amor
eu ontem ouvi prince hoje djavan espero imagino que isso não constitua o início de mais um
AVISO
AVISO
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
os bicho
segurei os bichos tudo
dos meus estudos centrais: como perder a forma ritual; dialogando: na conquista do seu consigo mesma; estamos: quem? uma performance dos diálogos; abrindo exceções sem perder os núcleos de sentido; proliferando medo em coragem no dia-a-dia coletivo; avançando sobre o ex-amor tornando-o amoroso; solicitando dúvidas aos outros; como não perder o pescoço: tranque seu computador;
*
é assim, começa assim:
não estava em Lisboa quando vi isso. talvez mais acentuada a diferença tenha ficado pra mim. estou dentro desse discurso, de entendê-lo, de me comover com ele e pensar que estamos condenados. estamos? estão. estudante, vivo em Portugal numa linha que fica à margem. mas tanta gente que está perto de mim, talvez todos?, eu vejo isso, o tom desse discurso "à toda uma geração". não é a minha geração, mas não deixa de ser. aqui em são paulo falo de lisboa e algo nas pessoas não acredita. lembro muitas vezes de que já tinha lido da desconfiança com estrangeiros em livros que não sei mais quais são. agora lido com essa situação de entre o meu país. me olham e não acreditam? jacuzice paulistana típica. o mario de andrade tinha razão! o tietê corre pro interior. mas precários são meus amigos, e em um - só em um - dos meus futuros possíveis pode me acontecer de ser um também.
quantos destinos tenho? eu sei não.
li hoje à tarde o Paul de Man dizendo uma coisa espécie de coisa - ou não sei se fui eu que entendi demais somente entre os entres do que ele estava dizendo, que há uma espécie de vício do pensamento ou talvez uma estrutura? de pensar as coisas atráves da sua "genética". origem, os pais, história, - me pergunto se essas fichas de catalogação vão mesmo ser retiradas na entrada pelos guardas das fronteiras ou se ardem em um depósito velho de arquivos mortos. - o karma, o sobrenome, ------
e eu: ramo de árvore. não, ranhura na mesa.
e esse salto transatlântico: nenhum dos lados têm dimensão: de um país numa crise fudida, mas com a violência social controlada - e 10 horas depois (na verdade 8 dias, sou lentíssima para chegar em um lugar)- para um em ebulição caótica e convergente. porque em SP me ficou muito claro que existem 3 grandes classes sociais: os que servem; os que são servidos; os que estão selvagens.
não é para todos que o Iluminismo venceu.
(agora penso no Iluminismo enquanto atravesso a rua.)
vou sem olhar para trás.
os bichos correm atrás de mim.
Marcadores:
brasil com h
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
- a palavra "brasil" me diz tão pouco, eu não sei, não costumo - gostar de intelectualizar assim as coisas, sabe? eu já pensava que 'na altura' queria dizer nuvens ou envolvimentos radiais com as temperaturas das coisas mas eu estava pra além da coisa. queria perceber a coisa. o que me atormentava era só a multiplicidade das alturas. certos. cumes. me acostumei em ter as idéias certas, mas se começo a repeti-las é que algo vazio se deu. é absolutamente impensável que a pessoa de uma semana atrás era essa aqui. hoje recebi um e-mail de um velho amor que me dizia uma coisa qualquer, melhor, uma coisa de um amor já ultrapassado pra ele também, mas uma espécie de calibre fa-tal do universo que nos fez assim, enfrentarmos as coisas de novo. e ao mesmo tempo eu nessa espécie de nada que eu me tornei, cada vez que atravesso o
CADA VEZ QUE ATRAVESSO O OCEANO É ESSA ESPÉCIE DE NADA O QUE ME TORNEI.
CALIBRE FA-TAL DO UNIVERSO.
quem quer estar ao meu lado? quem quer estar ao meu lado? quem quer estar ao meu lado?
havia algo com que me deparar. estava amiúdado, pequeno, no canto até que ATRAVESSOU dobrou A ESQUINA em seu PESCOÇO de giraFA: a coisa disse:
(a coisa não conseguia gritar. nem precisava. a coisa pensava em clarice lispector a coisa teve uma vontade de mostrar pra vocês
CADA VEZ QUE ATRAVESSO O OCEANO É ESSA ESPÉCIE DE NADA O QUE ME TORNEI.
CALIBRE FA-TAL DO UNIVERSO.
quem quer estar ao meu lado? quem quer estar ao meu lado? quem quer estar ao meu lado?
havia algo com que me deparar. estava amiúdado, pequeno, no canto até que ATRAVESSOU dobrou A ESQUINA em seu PESCOÇO de giraFA: a coisa disse:
(a coisa não conseguia gritar. nem precisava. a coisa pensava em clarice lispector a coisa teve uma vontade de mostrar pra vocês
domingo, 30 de janeiro de 2011
let's try to not equivalizar nothing without anything
digo: coisa com coisa não podem ser a mesma coisa
apresentam-me um texto cansado de metáforas. eu penso! cansaço do universal princípio de pensar.
(calo o rigor o ruído mas não
sempre a dizer pare pare pare
e o meu corpo todo dizendo SIM QUERO SIM EU QUERO
o quê?
qualquer coisa
que não é qualquer coisa
amanhã eu vou a são paulo. amanhã nessa hora estou em são paulo. no trânsito, muito provavelmente. nessa hora estarei tremendamente feliz de estar em são paulo, a cidad em que nasci, cresci e continuo a viver de longe.
é engraçado porque quando a gente pensa em voltar a um lugar a gente nunca volta. assim: criamos as nossas experiências particulares, individuais, numa cidade. mas uma cidade é tudo o que há de menos particular e individual possível! uma cidade é um múltiplo desordenado (sp) uma cidade é um lugar de estar e - - as palavras estão dizendo pouco, eu mesma estou dizendo pouco. vou viver então, viver a teoria das cidades não-particulares: vou ver os amigos a cidade deles o que ela fez deles com eles e deles pra mim. vá. beijo.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
north country far
sobretudo a diferença de que não pode ser diferente. que lugar é esse? tão diferente do que eu já tinha me acostumado. e o mesmo, tão coerentes as coisas são. escrevi um belo parágrafo sobre a literatura. agora anoiteceu e tenho vontade de desaparecer. com o frio das coisas, todos os objetos tomados, eu nesse esquecimento também.
saí pra andar. o fim de semana me trouxe de volta à errância. tomando meu corpo. um novo Portugal que é o mesmo, voltei. e estou acostumada. olho as placas e já as reconheço. saí de Portugal era um outono que eu tinha vindo procurar um verão. agora cheguei de novo, e é inverno. todas as coisas estão desfeitas de si mesmas, parece que com isso ganharam uma nova identidade, que é nula, porque é a liberdade de só ser.
leio na loja de ferramentas
COPIAMOS CHAVES
INCLUSIVE
PARA AUTOMÓVEIS
percebe? tanta coisa por todo lado e as chaves-de-fenda que não abrem o mundo. pra mim, meu mundo. veio desse lugar, dessas cópias de chaves. e agora que eu não te daria mais a fórmula mágica que pudesse abrir-te? estás do meu lado.
no chão do miradouro de portas do sol picharam
NOSSA RIQUEZA ESTÁ NAS NOSSAS HISTÓRIAS
NÃO NOS NOSSOS BOLSOS
lida no meio do meu dia tentando explicar porque a história é tão importante no pensamento do roland barthes - e após um domingo onde mais de 50% dos portugueses não foram votar, teve assim, digo: impacto de silêncio e a vontade de escrever embaixo TAMBÉM RESISTIREI AO TEU LADO
não encontro mais aquele lugar
e o corretor do word me disse hoje duas vezes, em citações do rolandzinho: "verifique se na sentença não há problemas de gramática". mal sabe o quanto acertam, esses gajos das aplicações.
imagine então chegar no brasil daqui uma semana. acho que vai ser assim: uau.
depois vai ter também
UAU UAU UAU UAAAAAAAAU
e em frente a Sé de Lisboa me pergunto se as placas no português do Brasil vão me soar estranhas se eu já me acostumei com a (precária) publicidade portuguesa.
subo a rua meu joelho dói. penso que essa foi a bota desse inverno, como o tênis com pêlo o do inverno passado. e o coração continua. lindo isso:
As pestanas a arder. No peito lágrimas contidas,
Sem medo sinto que será, que será tempestade,
Depressa, há algo a esquecer - alguém estranho me instiga.
Mas eu estou morto por viver - o ar tão abafado.
Soerguendo-se do catre ao primeiro som do dia,
Olhando à volta absurdo, estremunhado, sonolento,
Assim recomeça o forçado uma canção bravia
Ao romper da aurora no prisional acampamento.
Março de 1931, Ossip Mandelstam.
saí pra andar. o fim de semana me trouxe de volta à errância. tomando meu corpo. um novo Portugal que é o mesmo, voltei. e estou acostumada. olho as placas e já as reconheço. saí de Portugal era um outono que eu tinha vindo procurar um verão. agora cheguei de novo, e é inverno. todas as coisas estão desfeitas de si mesmas, parece que com isso ganharam uma nova identidade, que é nula, porque é a liberdade de só ser.
leio na loja de ferramentas
COPIAMOS CHAVES
INCLUSIVE
PARA AUTOMÓVEIS
percebe? tanta coisa por todo lado e as chaves-de-fenda que não abrem o mundo. pra mim, meu mundo. veio desse lugar, dessas cópias de chaves. e agora que eu não te daria mais a fórmula mágica que pudesse abrir-te? estás do meu lado.
no chão do miradouro de portas do sol picharam
NOSSA RIQUEZA ESTÁ NAS NOSSAS HISTÓRIAS
NÃO NOS NOSSOS BOLSOS
lida no meio do meu dia tentando explicar porque a história é tão importante no pensamento do roland barthes - e após um domingo onde mais de 50% dos portugueses não foram votar, teve assim, digo: impacto de silêncio e a vontade de escrever embaixo TAMBÉM RESISTIREI AO TEU LADO
não encontro mais aquele lugar
e o corretor do word me disse hoje duas vezes, em citações do rolandzinho: "verifique se na sentença não há problemas de gramática". mal sabe o quanto acertam, esses gajos das aplicações.
imagine então chegar no brasil daqui uma semana. acho que vai ser assim: uau.
depois vai ter também
UAU UAU UAU UAAAAAAAAU
e em frente a Sé de Lisboa me pergunto se as placas no português do Brasil vão me soar estranhas se eu já me acostumei com a (precária) publicidade portuguesa.
subo a rua meu joelho dói. penso que essa foi a bota desse inverno, como o tênis com pêlo o do inverno passado. e o coração continua. lindo isso:
As pestanas a arder. No peito lágrimas contidas,
Sem medo sinto que será, que será tempestade,
Depressa, há algo a esquecer - alguém estranho me instiga.
Mas eu estou morto por viver - o ar tão abafado.
Soerguendo-se do catre ao primeiro som do dia,
Olhando à volta absurdo, estremunhado, sonolento,
Assim recomeça o forçado uma canção bravia
Ao romper da aurora no prisional acampamento.
Março de 1931, Ossip Mandelstam.
domingo, 23 de janeiro de 2011
qualquer maneira de amor valerá
estou muito encantada no meu canto - - flechada de uma cor - - deu-me um coração - - em que já não há centro: - - ou a hora em que o infinito distúrbio das coisas converge em ritmo.
salivo ainda por cima de mim - - - na busca de um qualquer que não seja, eu.
aquilo que mesmo interessa não é ao que eu vim, nem d'eles. - é aquilo que se entrelaça.
me vale cantar.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
três instantes
estou saindo de algum lugar e descendo uma grande rua em são paulo, perto da av. pompéia um menino lindo de cabelos compridos me chama pra olhar pra trás. quando chega bem perto de mim ele me diz que o meu cabelo é lindo e começa arrancar uns fios e guardar pra ele. numa surpresa, como se ficassemos apaixonados, há muita luz, muito sol. eu preciso de algum tempo, viro pra ladeira que descia e vou embora sozinha.
estou no topo de uma casa de madeira, que fica como se no alto de uma árvore, é a casa do meu irmão e também é a casa do eduardo. há muitas pessoas na casa. conto pra carol que conheci o menino. ela me adverte de algo sutil. a casa parece que está tombando pra um dos lados, temos que balanceá-la com as pessoas indo pra um lado ou pra outro. mas ninguém faz nada.
estou depois na cozinha da casa em que cresci, com outros amigos. o menino está na lavandeiria. indignado, mas parece que não me reconhece. quando ele vira o rosto pra mim está todo inchado, tomou muita porrada nos olhos, coberto por hematomas.
Marcadores:
caderno público de sonhos
sábado, 8 de janeiro de 2011
um sonho recortado, que não lembro inteiro. mas num saguão de hotel enorme, com escadarias cor de vinho, enormes e antigas, e quintuplicadas que não iam pra lugar algum e levavam a todos os lugares, como um escher, e nas laterais elevadores de vidro que faziam do espaço a minha certeza de que era um aeroporto, eu e meu pai. nos perdíamos um do outro, eu andava pelos corredores, não sei mais.
Marcadores:
caderno público de sonhos
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
a nuvem das mil e duas coisas
a vida que é metade faxina, metade regresso do pó, por aqui tô melhor, mas ainda não sei que ser é esse em mim que transforma tudo em catarro. (mas deve ter alguma coisa haver com o ser que traz de volta o pó).
ai como que é difícil o inverno. se bem que notei umas coisas boas hoje, além de ter limpado os vidros e lido o texto que precisava ler pra faculdade. é que fiquei angustiada e fui ler álvaro de campos, ouvi mercedes sosa e comecei a escrever.
envio menos e-mails do que em muito tempo, talvez do que sempre. não quero muito contar, quero deixar as coisas quietinhas, crescer por dentro delas. talvez eu já esteja em auto-contato, imersa. tem dias que eu percebo que passei o dia inteiro sem entender nada porque é como se eu estivesse na nuvem das mil e duas coisas.
a famosa nuvem das mil e duas coisas tem passado em imagens. acho que IMAGINÁRIO é das palavras mais bonitas que eu conheço, porque lembra aquário, mas tem outra dissolução. a nuvem das mil e duas coisas.
o que é constante é que são incontroláveis as nuvens e não se trata de fabulação. fabulação é deitar ou parar e encontrar um ritmo, um eixo, uma vontade de produzir um efeito no peito. mas o que eu estou falando é da produção de mil efeitos invisíveis que não se percebem separadamente mas estão enquanto estou lá: na louça, na precaução ao atravessar a rua, na respiração ofegante de cerimônias e sucessos. e estão num lugar só meu.
sei que eu passava horas em fabulações, sobretudo nas salas de aula na escola. o importante era não perder o fio narrativo e que tivesse tudo uma seqüência lógica sutil de tão óbvia e continuada. a nuvem das mil e duas coisas, não, é menos que fragmento, gotícula, é orvalho. memória de orvalho.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
ensopadinho com chuchu
como mamão, que há anos não comia e o gosto que não era dos melhores, gosto de transporte - - mesmo assim mamão que delícia. o natal já passou, o ano-novo também, estou mais calma que no fim do ano, agora até tenho um armário.
mamãe me manda um email agora com o assunto "sampa" - quem usa essa palavra feiosa? - mamãe, pelo visto. no email nenhuma palavra, mas a imagem
nada haver com o trópico que eu tava sabendo no fruto, embora deva estar cheirando mal como só o podre tropical capaz de feder, é. e isso é só uma questão climática. (tenho achado que ainda vão achar que eu falo coisas fatalmente preconceituosas). adoro mamão.
4 euros o quilo no quintal lá de casa a gente ficava rico fazendo animação de coquinho
tinham uns 15 coqueiros desses no jardim. um deles meu pai plantou na semana em que eu nasci. alto de muitos metros ele ficou. os coquinhos caíam no chão, eu às vezes roía, mas em geral os cachorros eram melhores nisso. a impressão de que a maioria era desperdiçada era a abundância, rolavam intactos no chão, até serem varridos ou apodrecerem de vez.
e apareciam esquilos, às vezes. que nos lembrava um trópico não completo. embora as revoadas de papagaios, todos os dias, perto da hora do pôr-do-sol. e as andorinhas que faziam ninho na chaminé. uma vez acendemos fora de época o fogo e um filhote de bebê andorinha caiu em cima. não foi trágico, a fatalidade não é atônita só. acho que me ensinaram que as coisas acontecem.
haja coqueiro pra tanto envergar.
mamãe me manda um email agora com o assunto "sampa" - quem usa essa palavra feiosa? - mamãe, pelo visto. no email nenhuma palavra, mas a imagem
nada haver com o trópico que eu tava sabendo no fruto, embora deva estar cheirando mal como só o podre tropical capaz de feder, é. e isso é só uma questão climática. (tenho achado que ainda vão achar que eu falo coisas fatalmente preconceituosas). adoro mamão.
4 euros o quilo no quintal lá de casa a gente ficava rico fazendo animação de coquinho
tinham uns 15 coqueiros desses no jardim. um deles meu pai plantou na semana em que eu nasci. alto de muitos metros ele ficou. os coquinhos caíam no chão, eu às vezes roía, mas em geral os cachorros eram melhores nisso. a impressão de que a maioria era desperdiçada era a abundância, rolavam intactos no chão, até serem varridos ou apodrecerem de vez.
e apareciam esquilos, às vezes. que nos lembrava um trópico não completo. embora as revoadas de papagaios, todos os dias, perto da hora do pôr-do-sol. e as andorinhas que faziam ninho na chaminé. uma vez acendemos fora de época o fogo e um filhote de bebê andorinha caiu em cima. não foi trágico, a fatalidade não é atônita só. acho que me ensinaram que as coisas acontecem.
haja coqueiro pra tanto envergar.
domingo, 2 de janeiro de 2011
primeiro post de um novo ano. eu queria fazer uma declaração de amor no lugar dele, mas - tem coisas que a gente não sabe começar.
03h30 da manhã, Lisboa. eu gripada. dormir é que era um grande abraço.
acho que tenho medo de dormir desde criança porque na hora que me entrego ao colchão me defronto com o medo que senti o dia inteiro e fingi que não era comigo.
03h30 da manhã, Lisboa. eu gripada. dormir é que era um grande abraço.
acho que tenho medo de dormir desde criança porque na hora que me entrego ao colchão me defronto com o medo que senti o dia inteiro e fingi que não era comigo.
sábado, 25 de dezembro de 2010
natal
eu hoje fiz rabanadas até a casa feder a óleo e eu mesma ser incapaz de pensar nelas, em comê-las. mesmo assim as comi, é Natal - e entre outras coisas, sobretudo é pra isso que estamos vivos.
é vagaroso viver, astronauta. nem sabes das coisas que passam e estão aqui na terra.
eu sei que vês, mas não - . - sei que nossa relação tem limites, mas por favor, me arranca dessa tela luminosa.
metade do que eu conheço está além de mim.
tem certas coisas que eu já não quero mais acreditar/duvidar entender-esquecer. ou mais: pontos pacifícos de estar. um deles é o Natal. não quero nem gostar nem não gostar, mas tem o estar e ele é comunidade com os homens.
todos estão nisso, até os que querem que não. eu agora vivo em Lisboa num dos lugares mais turísticos da cidade e posso vê-los transitando da minha janela. pixaram no muro do miradouro em frente
TURISTS ARE TERRORISTS - assim com o erro mesmo.
eu não diria isso, mas acho engraçado de como é violento com os tapados. em geral os turistas tão meio assustados em OWHHH HOW WONDERFULL e tal. eu gosto dessa ingenuidade, inclusive eu gosto de algumas outras ingenuidades também.
vejo assim, hoje vi, chineses, alemães, brasileiros, um espanhol viajando sozinho. não que eu tenha falado com eles, mas começas a aprender a reconhecer as nacionalidades pelas roupas e jeitos do corpo, e - claro, as etnias em alguns casos facilitam. todos estavam vivendo a véspera de Natal como a véspera de Natal. era possível perceber isso, não é um dia qualquer.
e não ser um dia qualquer não significa muito mais. é o belíssimo solstício de inverno, os dias agora voltarão, para o lado de cá, a ficarem mais longos, pouco a pouco. e ainda bem. mas mesmo, pra além disso. a carol disse hoje: a gente nasce sozinho e morre sozinho, mas a gente vive junto.
às vezes sair da 'comunidade' é o lance de dados que atrasa. a professora disse uma vez: "se eu digo: 'está a chover' e depois completo, 'mas não sei o que chuva significa', é quando eu me retiro da comunidade, do estar junto.
isso me aconteceu, acontece, tantas vezes. das palavras todas ficarem gastas e pra isso eu deixo de acreditar nelas. talvez por isso eu goste de ano-novo, aniversário, natal. porque a gente está junto, e ainda bem. fritura porque nos quero.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
hoje
havia algo com que me deparar
vinha desde a noite do nome que dei
a algo que sabia tão bem pequena
e que até ontem não sabia que sabia bem assim
alguma coisa com nome de amor
uma luz que às vezes ilumina minhas mãos
e há nitidez nas ranhuras das digitais
e sinto uma ternura imensa
pelo passado pelo futuro
tantas vezes é de noite
e me acompanha pensar
na morte como uma insônia
madrugada passada acordei berrando porque
pedia pesadelo pra amiga grita
grita pra nos salvar
ela não gritou
ao que eu gritei
levantei a cabeça
olhei as montanhas das minhas clarezas antes de dormir
e escrevi logo ao acordar:
esqueci
e fiquei olhando as montanhas e as estrelas pra ver se
elas se mexiam.
- -
dos meus cantos de estima, fofignos.
- -
na cozinha, agora pouco, disse: "como diz aquele verso da ana cristina césar: acalma teu brio de fugir, mulher" e então percebi que o verso não era dela.
there are some mornings
when the sky looks like a road
there are some dragons who
were built to have and hold
Joanna Newson
Acalma teu brio de fugir, mulherhavia algo com que me deparar
vinha desde a noite do nome que dei
a algo que sabia tão bem pequena
e que até ontem não sabia que sabia bem assim
alguma coisa com nome de amor
uma luz que às vezes ilumina minhas mãos
e há nitidez nas ranhuras das digitais
e sinto uma ternura imensa
pelo passado pelo futuro
tantas vezes é de noite
e me acompanha pensar
na morte como uma insônia
madrugada passada acordei berrando porque
pedia pesadelo pra amiga grita
grita pra nos salvar
ela não gritou
ao que eu gritei
levantei a cabeça
olhei as montanhas das minhas clarezas antes de dormir
e escrevi logo ao acordar:
esqueci
e fiquei olhando as montanhas e as estrelas pra ver se
elas se mexiam.
- -
dos meus cantos de estima, fofignos.
- -
na cozinha, agora pouco, disse: "como diz aquele verso da ana cristina césar: acalma teu brio de fugir, mulher" e então percebi que o verso não era dela.
já tomei banho. a luz já voltou. vou comer os restos do jantar de ontem. que são praticamente um novo universo. faz hoje céu azul violento de generosidade. coisa de 7 graus. com o vento, 4. o Tejo é mais escuro que o céu. uma letra de espaço que faltar vai fazer toda a diferença na compreensão. é por isso que eu digito tão rápido, pra ver se certas letras caem, são plumas, desnecessárias, ou o meu edredon, cheio delas, quentíssimo. hoje à noite temos concerto de lançamento da cátia. é tanta coisa a gerbera rosa que o b trouxe juntou com as amarelas flores sem nome que comprei no domingo.
temos também uma planta que é o david bowie
temos também uma planta que é o david bowie
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
solução
eu ainda
encontro na mesma cor
que é vida de vermelho de terra em rosa
e quando os olhos, meus, fecho: estou
na caverna mais encantada que desde criança
perco encontro, acho sou.
- - -
encontro na mesma cor
que é vida de vermelho de terra em rosa
e quando os olhos, meus, fecho: estou
na caverna mais encantada que desde criança
perco encontro, acho sou.
- - -
domingo, 12 de dezembro de 2010
c
hoje, passeando de tarde, encontrei uma página, digo 30 arquivos do meu computador do romance que eu escrevia em 2007. pensei que talvez fosse legal terminá-lo. cada arquivo que abro tem uma versão completamente diferente (pelo menos de início) que a anterior. eu decididamente não sabia o que fazer, nem o que estava fazendo, e a cada momento levava a massinha pra uma massa posterior.
(na escola eu brincava de massinha e nenhuma forma que eu queria fazer tomava forma porque no meio do caminho outra forma me parecia melhor: olha, aqui vou fazer uma casinha, não, não! como parece uma salsicha, salsicha é tão sem graça qualquer um faz, vou... cachorro! - - e tudo continuava massa informe - - a mesma coisa com os desenhos, sem contar o horror que as formas literalmente materiais, as chamadas plásticas -errôneamente? se os textos é que são sim, de plástico -, sofrem em si mesmas as marcas dos erros, muitas vezes sem corretivos possíveis.
ou o que o computador trouxe para nós ou o que ou o que)
quando eu estava escrevendo o "antonio e asaboli" o grande acontecimento, pelo visto, era o "ou o que" e também o orgulho. por quê? porque oras, eu tinha 60 páginas de um texto que era absurdamente nada e tudo ao mesmo tempo e eu não começava nada eu era o exercício eu era o texto eu ia lá abandoná-lo? - foi o que fiz. ficaram pra lá, ficaram com suas pontas pra todos os lados e sem pontas de vez afiadas.
#
mudando de assunto pro seu oposto:
toda vez que eu termino alguma coisa na qual me dediquei por algum tempo depois sou eu o caos sacudido, a luz que incidiu nas coisas até delirá-las, um caleidoscópio partido, uma imaginação toda do universo à solta dentro de mim e eu acuada acuada acuada pensando em nada em nada em nada.
#
2010 foi um ano ótimo.
se consideraramos roberto carlos "se chorei ou se sorri/ o importante é que emoções eu vivi" e que foi um depois de 2009 e outro antes de 2011 e que eu morria de curiosidade pra saber o que ele seria e como viria e foi acontecendo tão por ele mesmo, o ano, as coisas, e eu fui indo nele, me recusando, trançando os pés de saliva, também chamada chuva, também chamada casco, sobretudo riso.
sábado, 11 de dezembro de 2010
"a verdade é que passei a vida a fugir, de cidade em
cidade, com um sussurro cortante nos lábios.
e atravessei cidade e ruas sem nome, estradas, pon-
tes que ligam uma treva a outra treva.
caminho como sempre caminhei, dentro de mim -
rasgando paisagens, sulcando mares, devorando imagens."
al berto, de abertura do romance que eu nunca terminei e cuja epígrafe, noto, não tinha nada haver com ele.
cidade, com um sussurro cortante nos lábios.
e atravessei cidade e ruas sem nome, estradas, pon-
tes que ligam uma treva a outra treva.
caminho como sempre caminhei, dentro de mim -
rasgando paisagens, sulcando mares, devorando imagens."
al berto, de abertura do romance que eu nunca terminei e cuja epígrafe, noto, não tinha nada haver com ele.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
b
depois do belo novembro em chamas nada melhor do que um dezembro de musgo
um bicho de protótipo um bicho de protesto um bicho que não terminei
um bicho de protótipo um bicho de protesto um bicho que não terminei
a
atravessei uns dias esquivos e se escrevo é só porque me quero de volta. como uma cidade da infância (pavarosamente perdida, dizem), atravesso colinas e travesseiros. sou voltada pro dentro. no centro do meu peito tem uma chapa a que antes chamavam de externo, se não tivesse virado uma montanha de dentro. um oblíquo movimento do coração, digo, de uma inquietação. tem algo que é o bicho amansado nisso. o bicho amansado sente falta de nadar rio. riso que alucina, entrega com atraso disparatadamente entregue. balanço, baloiço, bolsinhas e alfacinhas. tudo isso trago no corpo. um dia ainda dou em ruína.
#
dei nisso!
#
engraçado que é, a pessoa ter vindo pra portugal estudar um mestrado em edição de texto que não se consolidou, porque queria mesmo era aprender a fazer livros e não comércio (ou o comércio que vem depois) e de repente a pessoa desiste vai estudar teoria (& seus pares históricos) (& seus amigos já são pares históricos) e se vê fazendo, de repente, livrinhos.
ainda que haja tempo - ainda. que a vida se recolha toda nela. mesmo que 2010 não me
recordo mais.
acordo de amanhã cedo é manhã do meu vício. no sonho eu dizia terrivelmente terrivelmente que esse lugar é terrível é terrível o mofo. as coisas que a gente escolhe tem de
de fazer
de morrer
de esquecer
de assinar
de limpar
de
mim, pra você, dizendo: recolhe
o varal;
me dá saúde
cuida dos nós.
hoje foi o primeiro dia em muitos: me esforcei e consegui fazer nele inteiro: nada.
recordo mais.
acordo de amanhã cedo é manhã do meu vício. no sonho eu dizia terrivelmente terrivelmente que esse lugar é terrível é terrível o mofo. as coisas que a gente escolhe tem de
de fazer
de morrer
de esquecer
de assinar
de limpar
de
mim, pra você, dizendo: recolhe
o varal;
me dá saúde
cuida dos nós.
hoje foi o primeiro dia em muitos: me esforcei e consegui fazer nele inteiro: nada.
Assinar:
Postagens (Atom)



