sexta-feira da paixão e eu pensando que se me perguntassem se acredito em deus eu responderia o quê?
que hoje estou cansada para pensar nisso com palavras.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
strike a poet
Tiro fotos da minha casa até acreditar que é uma cidade
sigo abraçando cadeiras entre o olhar imperativo dos
gatos a mão que afaga este problema a materialidade
dos livros ajuda no colegial me chamavam de menina
de outra época meu pai dizia que minha avó era uma
mulher da terra isso resume pra mim toda a poesia
contemporânea de repente ganharam o medo de dizer
coração é preciso paciência e a sensibilidade de um peixe.
Devem me ver como um dragão rasante, os miados
num abraço a gatinha tem fome e cheiro de ser vivo
pela primeira vez em um mês deixo a sala é mais fácil o
mar abrir em dois do que interromper o trânsito é por
isso que não atravesso a rua meio-dia sou o Torquato de
colar de contas descendo as delícias de aves nas mãos ela
pensa em casamento no sol de quase dezembro uma mãe
me olha saindo pelo corredor
até o portãozinho de aço range a filha vai pra escola
a mala de rodinha, vergonha não é a palavra
finalmente, virei artista os dedos sujos de tinta
e o uniforme azul-marinho o cabelo imundo embora
a seda tenha rasgado só consigo desafinar o coro dos
contentes me alimentar com drogas pra me manter
escrevendo acordada e cansada e insuficiente esta melodia
chega o texto ao fim e não reviso, it’s friday I’m in love.
Tiro fotos da minha casa até acreditar que é uma cidade
sigo abraçando cadeiras entre o olhar imperativo dos
gatos a mão que afaga este problema a materialidade
dos livros ajuda no colegial me chamavam de menina
de outra época meu pai dizia que minha avó era uma
mulher da terra isso resume pra mim toda a poesia
contemporânea de repente ganharam o medo de dizer
coração é preciso paciência e a sensibilidade de um peixe.
Devem me ver como um dragão rasante, os miados
num abraço a gatinha tem fome e cheiro de ser vivo
pela primeira vez em um mês deixo a sala é mais fácil o
mar abrir em dois do que interromper o trânsito é por
isso que não atravesso a rua meio-dia sou o Torquato de
colar de contas descendo as delícias de aves nas mãos ela
pensa em casamento no sol de quase dezembro uma mãe
me olha saindo pelo corredor
até o portãozinho de aço range a filha vai pra escola
a mala de rodinha, vergonha não é a palavra
finalmente, virei artista os dedos sujos de tinta
e o uniforme azul-marinho o cabelo imundo embora
a seda tenha rasgado só consigo desafinar o coro dos
contentes me alimentar com drogas pra me manter
escrevendo acordada e cansada e insuficiente esta melodia
chega o texto ao fim e não reviso, it’s friday I’m in love.
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cantos de estima
sexta-feira da paixão
agora que estou escrevendo
decorei um salteado de frango
(é hoje que não se come carne?)
a pessoa está insuspeita na tradição ocidental
conseguiu sair pelos fundos.
ando escrevendo sem títulos perco essa possibilidade de usá-los.
se bem que os poemas andam sendo verso a verso títulos de si mesmos
onde a hierarquia não existe, ana cristina. tenho amado ana cristina, vou vos contar. contei já, é isto: tenho amado ana cristina cesar com uma ternura como nunca. sei onde ela está, onde eu estou, e quando nossos amores destinos se confudem, amor, eu sou terra, fronteira. já há muito reconheci que não sei voar. e quando de um poeta começo a perceber os procedimentos, tenho o caminho de toda a poesia. (só não descobri ainda os procedimentos do que escrevo, além de ser celeste, bang bang pistoleira do destino sempre revirarevolto)
quinta-feira, 21 de abril de 2011
hoje que ninguém se aproxime, estou impossível.
cheirando a amor do passado, estou mofada pelo que perdi.
("e também, desde que li o artaud na 6a feira passada, tô escrevendo um texto novo que não sei bem ainda o que é, mas acho que responde a essa fúria que ele tem, que temos em nós. ou a cria, não sei, feito o mar.")
hoje nem a infalível técnica do me meter entre turistas pra estudar funcionar, funcionou. embora a praça da figueira vista da janela da confeitaria nacional me remeta a uma impossível teodoro sampaio de que o álvaro de campos fala
A Praça da Figueira de manhã,
Quando o dia é de sol (como acontece
Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece,
Embora seja uma memória vã.
Há tanta coisa mais interessante
Que aquele lugar lógico e plebeu,
Mas amo aquilo, mesmo aqui... Sei eu
Por que o amo? Não importa. Adiante...
Isto de sensações só vale a pena
Se a gente se não põe a olhar para elas.
Nenhuma delas em mim serena...
De resto, nada em mim é certo e está
De acordo comigo próprio. As horas belas
São as dos outros ou as que não há.
-
safado.
hoje em dia há flores de plástico na sacada da confeitaria nacional. será que ele as viu?
cheirando a amor do passado, estou mofada pelo que perdi.
("e também, desde que li o artaud na 6a feira passada, tô escrevendo um texto novo que não sei bem ainda o que é, mas acho que responde a essa fúria que ele tem, que temos em nós. ou a cria, não sei, feito o mar.")
hoje nem a infalível técnica do me meter entre turistas pra estudar funcionar, funcionou. embora a praça da figueira vista da janela da confeitaria nacional me remeta a uma impossível teodoro sampaio de que o álvaro de campos fala
A Praça da Figueira de manhã,
Quando o dia é de sol (como acontece
Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece,
Embora seja uma memória vã.
Há tanta coisa mais interessante
Que aquele lugar lógico e plebeu,
Mas amo aquilo, mesmo aqui... Sei eu
Por que o amo? Não importa. Adiante...
Isto de sensações só vale a pena
Se a gente se não põe a olhar para elas.
Nenhuma delas em mim serena...
De resto, nada em mim é certo e está
De acordo comigo próprio. As horas belas
São as dos outros ou as que não há.
-
safado.
hoje em dia há flores de plástico na sacada da confeitaria nacional. será que ele as viu?
terça-feira, 19 de abril de 2011
psicostasia
da wikipedia:
Psicostasia é o nome atribuído a uma cena comum representada no Livro dos Mortos que retrata a cerimónia de pesagem do coração do defunto no tribunal da deusa Maat.
De acordo com as crenças dos habitantes do Antigo Egipto, a morte física não era o fim da existência, existindo a possibilidade de uma vida no Além. Historicamente esta vida no Além esteve de início reservada ao rei, tendo a partir do Império Médio se alargado a toda a população. Contudo, para se poder aceder a esta vida era necessário ter levado uma vida de acordo com a Maet (ou Maat), conceito egípcio que traduz a ideia da ordem universal marcada pela justiça e pela harmonia.
A pesagem do coração acontecia na sala das Duas Maet (também designada como sala Duas Verdades ou sala das Duas Justiças), onde existia uma grande balança colocada num pedestal em cujo topo se encontrava um babuíno. Na sala estavam presentes Osíris, sentado no trono, e quarenta e dois juízes.
O defunto deveria realizar uma confissão - a chamada "confissão negativa", registada no capítulo 125 do Livro dos Mortos - através da qual atestava que não tinha praticado o homicídio, cometido o adultério, maltratado animais, praticado o roubo, etc., num total de quarenta e duas declarações de inocência que anunciava a cada um dos juízes.
Enquanto isso, o coração era colocado num dos pratos uma pena de avestruz (a representação da leveza ou do coração da deusa Maat) colocada no outro prato. Se os dois pratos se equilibram o defunto está absolvido; em caso de ter mentido, o coração tornava-se pesado e seria condenado.
Os deuses Anúbis e Tot também estavam presentes sala cumprindo cada um com uma função. Anúbis regulava a balança, enquanto que Tot escrevia o resultado. Perto da balança encontra-se um monstro híbrido (metade crocodilo, metade pantera e metade hipopótamo), conhecido como Ammit ou a Grande Devoradora, pronto para engolir o coração do defunto caso este tivesse um peso excessivo. Uma vez aniquilado o coração não existiria a possibilidade de ressurreição.
De acordo com as crenças dos habitantes do Antigo Egipto, a morte física não era o fim da existência, existindo a possibilidade de uma vida no Além. Historicamente esta vida no Além esteve de início reservada ao rei, tendo a partir do Império Médio se alargado a toda a população. Contudo, para se poder aceder a esta vida era necessário ter levado uma vida de acordo com a Maet (ou Maat), conceito egípcio que traduz a ideia da ordem universal marcada pela justiça e pela harmonia.
A pesagem do coração acontecia na sala das Duas Maet (também designada como sala Duas Verdades ou sala das Duas Justiças), onde existia uma grande balança colocada num pedestal em cujo topo se encontrava um babuíno. Na sala estavam presentes Osíris, sentado no trono, e quarenta e dois juízes.
O defunto deveria realizar uma confissão - a chamada "confissão negativa", registada no capítulo 125 do Livro dos Mortos - através da qual atestava que não tinha praticado o homicídio, cometido o adultério, maltratado animais, praticado o roubo, etc., num total de quarenta e duas declarações de inocência que anunciava a cada um dos juízes.
Enquanto isso, o coração era colocado num dos pratos uma pena de avestruz (a representação da leveza ou do coração da deusa Maat) colocada no outro prato. Se os dois pratos se equilibram o defunto está absolvido; em caso de ter mentido, o coração tornava-se pesado e seria condenado.
Os deuses Anúbis e Tot também estavam presentes sala cumprindo cada um com uma função. Anúbis regulava a balança, enquanto que Tot escrevia o resultado. Perto da balança encontra-se um monstro híbrido (metade crocodilo, metade pantera e metade hipopótamo), conhecido como Ammit ou a Grande Devoradora, pronto para engolir o coração do defunto caso este tivesse um peso excessivo. Uma vez aniquilado o coração não existiria a possibilidade de ressurreição.
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brutalidade e jardim
admiração e morte
teve uma vez que fui a um jantar e conversei com a alice ruiz cerca de uma hora e meia só nós duas, sem saber que era a alice ruiz com quem eu estava conversando. fiquei muito impressionada de como a (só) alice entendia de poesia e de astrologia. (ai como eu sou pirralha). então eu contei pra ela um aspecto x que tenho no meu mapa natal (e que vou preservar da astrologia blogueira, mas por e-mail eu conto tudo, pode até publicar depois) e ela disse "nossa, enquanto você dorme você deve morrer todas as noites. então você acorda de manhã absolutamente perdida ou revigorada." como é que eu não lembro disso todo dia ao levantar? - - - e depois chegou um amigo meu, astrólogo, e quando ele olhou pra ela praticamente ajoelhou e disse "ALICE ADMIRO TANTO VOCÊ, tanto como poeta como como astróloga." daí eu saquei tudo quem ela era e não consegui mais conversar.
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agora que sou sincera
não se trata de gratidão
eu acordava muito cedo, entre às 5h e às 6h, porque precisava tomar banho antes de sair, até hoje, é a água a hora que acordo. a aula começava às 7h20, na USP. eu tinha onze, doze anos. entrava no chuveiro muito quente e no fim abria a água muito gelada, ficava uns segundos por baixo, saltava, os gritos por dentro. meus pais nunca me levaram na escola enquanto foi cedo. ou eu tinha carona, ou tinha meu irmão, ou tivemos uns meses o motorista da minha avó. de todos os modos muitas vezes eu ficava pronta antes da hora (engraçado, não é de hoje meu controle) e então esperava dentro de um dos carros da garagem, ouvindo uma k7, num walkman no máximo volume, ou quando tinha rádio no carro (mas isto talvez fosse mais tarde, aos 17?) no talo. a música que mais me lembro de escutar nesse momento é "quase sem querer", legião urbana.
tenho andado distraído impaciente e indeciso e ainda estou confuso só que agora é diferente estou tão confuso e tão contente -. -; -,-
segunda-feira, 18 de abril de 2011
perdida feito o urubu quando chega o caminhão e despeja a fartura sobre o aterro
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braços abertos sobre a guanabara
domingo, 17 de abril de 2011
"Talvez eu tenha nascido de corpo atormentado, prestidigitado como a montanha imensa; mas corpo de úteis obsessões: e a obsessão de contar bem vi na montanha para que serve. Nem uma sombra deixei de contar, quando a sentia em rotação à volta de qualquer coisa; e a somar é que ascendi muitas vezes a estranhas moradas."
Artaud, "A montanha dos sinais"
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amigos amigos negócios reparte
sábado, 16 de abril de 2011
certamente estou me escapando. há uma música tocando
ah o coração como uma carne crua
não sei mais, eu não sei mais, só sei mais escrever
o que significa: se eu tivesse: uma vareta entre os dedos e a terra inteira nos meus pés escrevia no chão que palavra?
escrevia: é isto.
(que você não está vendo)
(está marcado em nós)
(não é?)
então alguém chegava e me perguntava: júlia, mas isto é o quê?
eu ia responder: sim e não. depende.
não, eu não estou apaixonada. inclusive faz algum tempo isto. embora haja sempre a chance de um desenhador atravessar o meu caminho e tudo viver de novo.
foi assim: veio o dilúvio que também era chamado de deserto e tudo acabou.
depois veio de novo o tudo e assim o inverso começou. este sopro do fundamental.
ah o coração como uma carne crua
não sei mais, eu não sei mais, só sei mais escrever
o que significa: se eu tivesse: uma vareta entre os dedos e a terra inteira nos meus pés escrevia no chão que palavra?
escrevia: é isto.
(que você não está vendo)
(está marcado em nós)
(não é?)
então alguém chegava e me perguntava: júlia, mas isto é o quê?
eu ia responder: sim e não. depende.
não, eu não estou apaixonada. inclusive faz algum tempo isto. embora haja sempre a chance de um desenhador atravessar o meu caminho e tudo viver de novo.
foi assim: veio o dilúvio que também era chamado de deserto e tudo acabou.
depois veio de novo o tudo e assim o inverso começou. este sopro do fundamental.
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sim eu estou desesperando
quinta-feira, 14 de abril de 2011
êxodo
todo dia tem uma hora que eu saio como quem se despede dos próprios pensamentos, é um alívio como quando se toma um banho, ou acordo de bem dormir. como se o pensamento às vezes só tivesse calma mesmo no exterior. é um sair pra nada em que encontro tanto.
e os turistas, as pessoas andando na rua, as vozes e as cores me lembram que estou em Lisboa. eu quis tanto estar aqui, que quando noto que estou mesmo, fico tão contente, como se eu tivesse sorte mesmo.
ainda não entendi porque eu quis tanto, porque continuo gostando tanto, mas hoje de manhã ouvi muito uma música do Fausto, "o barco vai de saída", que tem um verso "que vida boa era a de Lisboa" e quis gritar pra todos, cantar pra todos, viver pra todos com todos, mas nem o B estava em casa. daí a tarde veio vindo, veio vindo, e minha felicidade me dispersou.
e agora estou tensa como um limão velho.
e os turistas, as pessoas andando na rua, as vozes e as cores me lembram que estou em Lisboa. eu quis tanto estar aqui, que quando noto que estou mesmo, fico tão contente, como se eu tivesse sorte mesmo.
ainda não entendi porque eu quis tanto, porque continuo gostando tanto, mas hoje de manhã ouvi muito uma música do Fausto, "o barco vai de saída", que tem um verso "que vida boa era a de Lisboa" e quis gritar pra todos, cantar pra todos, viver pra todos com todos, mas nem o B estava em casa. daí a tarde veio vindo, veio vindo, e minha felicidade me dispersou.
e agora estou tensa como um limão velho.
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agora que sou sincera
terça-feira, 12 de abril de 2011
recortado
sonhei que eu vivia numa caverna. mas não sei o quanto inventei isto ao acordar. estou re-aprendendo a usar isso e isto, mas aquilo eu já sei. este e esse não sei. lá vem conselho coisa e tal. cheia de árvores, a minha caverna. tinha uma amiga comigo, era a Penelope, eu acho. daí tinha um momento em que passavamos em frente aos prédios em Perdizes e eu dizia "ainda quero voltar a morar nesse apartamento", "minha casa", eu dizia. daí acordei meditando nisso, meio pensando "são paulo, não, são paulo, não". mas se tivesse como transportar aquela casa em qualquer lugar eu ia viver. não que eu esteja mal aqui. bem o contrário. mas a transitoriedade das coisas lineares, jugulares. cada vez mais interessada em "tempo" em "história". mas não aceitamos avisos virtuais, não. e tudo trata somente disto.
sábado, 9 de abril de 2011
estou maravilhosamente desgraçada com um poema que há dias não fica pronto. depois de três feitos em poucas horas a sensação é de AHÁ! que será que eu fiz daquela vez que dessa vez não se fez? os alimentos, os sopros, as horas de sono, um corpo que escreve. e que escrever é criar um outro corpo que, eu juro, faz basicamente o que quer. mas precisa de você. e nesta hora te dou carinho.
rojo
cansada de perseguir, desisti. acordei cansada, queria que tivessem azeitado meus ossos. pensei em perguntar no facebook se alguém conhece um sistema pra azeitar os ossos e imaginei tanta resposta engraçadinha dizendo 'sexo' e eles teriam razão, então desisti.
não desisti e comprei um cravo vermelho e costurei na camiseta vermelha. hoje tem festa da cor! é pra ir vestido de uma cor só.
hoje me comprovaram de que o amor existe, mas não foi comigo que aconteceu, mas eu fiquei muito feliz. talvez até mais feliz do que se fosse comigo, porque se fosse comigo eu estaria com medinho também.
tenho dois olhos, uma infinidade de veias, nem me fale nas artérias! mas o que eu quero mesmo é este coração.
não desisti e comprei um cravo vermelho e costurei na camiseta vermelha. hoje tem festa da cor! é pra ir vestido de uma cor só.
hoje me comprovaram de que o amor existe, mas não foi comigo que aconteceu, mas eu fiquei muito feliz. talvez até mais feliz do que se fosse comigo, porque se fosse comigo eu estaria com medinho também.
tenho dois olhos, uma infinidade de veias, nem me fale nas artérias! mas o que eu quero mesmo é este coração.
terça-feira, 5 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
o vento vivo do Tejo
hoje voltei a patinar. receio de começo, desviando com o pé por dentro a bota mal fechada, pelo tempo os fechos secaram até destruirem-se e de nada existirem. mas é voar, dançar com o vento, o deslizamento do tempo, o caminho que me lembra e amanhece na memória, estou pra chegar aos quinze anos, de volta. e poder escolher certas coisas. ontem percebi que diria pra ele,o "ele" dos meus quinze anos ESCUTA AQUI CARA VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FAZENDO O QUÊ LIDANDO COM QUEM VOCÊ PENSA QUE É? mas isso só se desse pra voltar no tempo. agora meus joelhos doem um pouco, talvez seja a idade que me faça perceber, mas na época já doía. na época quando eu olhava as estrelas do céu de um clube com o qual tenho sonhado, e que ficava a 500 metros da minha casa, com a qual não tenho sonhado, mas com as redondezas, talvez doesse já, mas eu só pensava no prazer do gatorade, e quando olhava as estrelas elas não eram bonitas como hoje são. e cintilando de jeito de não quebrar os joelhos nem os tornozelos mas sucumbir ao risco da velocidade e pensando em toda a tarde que passei lendo octávio paz e vivendo pela imaginação de um ou quatro amores que não tenho como tudo é vento entre os dentes que não corta, é primavera, michel foucault era um gênio, e pretendo voltar a patinar toda essa primavera e todo o verão, até que as chuvadas me impeçam e eu pense de volta como era bom, como era bom e, mais uma vez, atente pra esperar. que escrever, amar, viver, patinar, tudo isso é (e junto) (e comer e beber e ler e amigar e ouvir), o que importa. e de algum jeito achei um pássaro, meu muito vivo pássaro, que já há alguns anos se desvia por entre as árvores.
sábado, 2 de abril de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
se eu consigo escrever de um jeito que se entende (é essa das minhas maiores felicidades, recentemente) posso até soltar pra ser incompreensível e isso retorna em: liberdade. um movimento pelo retorno das palavras têm se processado em mim. não vou ser cruel comigo mesma, não estou nem ligando pras tachinhas que você carrega nas têmporas e quando sentas, mon dieu, haja osso pra agüentar a bunda.
de todo modo a tensão do lado direito continua constrangendo nossos movimentos. é uma solidificação do braço (infinito em sua vontade de alcançar, mexer no rato e escrever), um movimento de rupestreamento.
do latim "treinamento", conjugado com "esquecimento tão atípico em seu respirar que simples silêncio".
#
pra você, que eu não sei quem é, que escreveu que eu escrevo com ternura e alma azul: muito obrigada.
quinta-feira, 31 de março de 2011
uma pomba em cima do parapeito da igreja de Santa Luzia olha um eléctrico passar. é da natureza dos eléctricos, passarem, soarem a campainha e se encherem de turistas. dia desses vi uma gaja velha batendo com a bolsa num alemão e dizia PARA TRÁS PARA TRÁS, que era pra ele parar de emperrar a porta de entrada do eléctrico. o cara não entendeu nada. às vezes não há comunicação. cortam o saldo do meu telefone, eu fico sem responder pra ninguém. mas pode ter um depois. e então um senhor desceu do eléctrico com sua boina e disse "ô pá! se é pra ser assim não queremos ser Europa". como se dissesse, pra que tantos alemães, meu deus, porém meus olhos não perguntam nada.
da série problemas da primavera: não posso me guiar pelas roupas que vejo as pessoas do miradouro usando, pra saber se está frio ou calor. primeiro que há sol por lá e life could be so sweet on the sunny side of the street. depois que são gringos do norte, esses 18 graus que rompem as raízes dessas pernas brancas e brilham de euforia os rostos já vermelhos. daí quando entro no mundo português eles também ainda estão usando lã de noite. e eu tenho que sair com protetor solar.
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portugal is burning
I could be you angel, if you'll be my lady
dia desses sonhei que ficava com uma mulher, mas isso era enroscar os pescoços, a gente não se beijava e ela era a vênus do Botticelli só que inteira vestida de preto. daí chegava um ex-namorado me pedindo algo pra beber eu arranjava um resto de guaraná quente numa garrafinha de 600ml. e a vênus em cima da estante eu fingia que nem via mais.
na manhã seguinte acordei e furei a cabeça no armário da cozinha. foi ontem, sangrou. essa noite então não conseguia encostar completamente a cabeça no travesseiro, porque além do furo tem um galo. um dos meus horóscopos dizendo pra tomar cuidado com acidentes. pra que tomar cuidado com acidentes.
hoje de noite vamos ao teatro. fechada, não, estou destinada ao balanço. anjos não sangram, nem batem de leve.
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caderno público de sonhos
quinta-feira, 24 de março de 2011
dos amores que a vida me trouxe e eu não pude viver
[acontece algo antes] sonhei que tinha deixado uma bicicleta nova e branca embaixo de uma árvore num terreno meio baldio, umas ruas pra cima de casa. havia uma festa no terreno vizinho ao do duda, eu estava lá com meu irmão, tínhamos um cachorro preto que era cuidado por uma menina que tinha se apropriado dele. então a menina resolvia ir embora e eu agradava a barriga do cachorro que tinha um lenço vermelho amarrado no pescoço. tentei muitas vezes ir até a bicicleta pra recuperá-la, mas em todas as vezes virava noite no meio do caminho, ou chovia, e eu cada vez mais desestimulada, meu pai inclusive dizia, que sem dúvida a bicicleta já teria sido roubada.
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caderno público de sonhos
terça-feira, 22 de março de 2011
enquanto você se esforça pra ser
sempre podendo menos, precavendo mais, esquecendo rápido. fazendo o mais certo. tudo pra você do seu jeito, do seu ritmo, do seu modo. há um jeito de ser seu em você que não passa por mim. me lembra que tudo é assim? você sabe que eu vi o futuro um dia seu corpo vai explodir. e eu vou estar vendo o ritmo de tudo, inclusive o seu, com a minha paciência de passar.
por outro lado ele arrota muito e não nos vimos mais.
e você me conheceu tarde e eu não tinha tempo, embora sempre com o meu par de mãos disponíveis para o amor.
seus ingratos.
(não é verdade)
por outro lado ele arrota muito e não nos vimos mais.
e você me conheceu tarde e eu não tinha tempo, embora sempre com o meu par de mãos disponíveis para o amor.
seus ingratos.
(não é verdade)
segunda-feira, 21 de março de 2011
changing blues
quando eu era criança, adolescente,
quando eu era; viajava, ficava doente
mas só quando chegava em casa.
cheguei em Lisboa, fiquei gripada
ontem
ainda não sabia onde casa é, era
agora esse edredon, lenço de papel,
minha garganta não me deixa mentir.
*
quando eu era; viajava, ficava doente
mas só quando chegava em casa.
cheguei em Lisboa, fiquei gripada
ontem
ainda não sabia onde casa é, era
agora esse edredon, lenço de papel,
minha garganta não me deixa mentir.
*
é estranho, como ser de papel, amassar-se, recomeçar o rascunho em branco. ou há algo em grafite. manchado, liso, o que a vida revigora em seu desenho nunca terminado. fico pensando numa ciranda fundamental que mais parece o rodamoinho do olho de um furacão. e Lisboa não me deixa mentir na delicadeza. ter estrutura na delicadeza, não me entregar ao controle que só não pode cair. capoeira que é bom, não cai. e se um dia ele cai, cai bem. são 03h02 da manhã, eu voltei a escrever porque tive que parar com. não sei se amanhã será dia de febre, dia de encontro, não sei se amanhã. mas algo em mim não volta, não foi nunca embora. e sofre se ilumina dessa Lisboa que vem de antes, de muito antes da gente (a cidade sou eu, meu amor) se encontrar.
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see also impermanence
domingo, 20 de março de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
Precisaria trabalhar – afundar –
- como você – saudades loucas –
nesta arte – ininterrupta –
de pintar –
A poesia não – telegráfica – ocasional –
me deixa sola – solta
à merce do impossível –
- do real.
ana c.
#
Eu me aperto até o osso
descubro envolvo louvo
o novo e encerro o
carnaval não, deixa sangrar.
Minhas cólicas, aftas
os vírus da gripe que me rondam
ccccicuta, nada disso
entra na minha estufa.
Gravidez, gravidade, sim.
- - -
herberto, porque te apresentas com esse terno fátuo em direção ao fogo?
uma coisa que eu ainda gostaria de ver antes de morrer
era o milton nascimento musicando um poema do herberto helder
era o fogo encontrando a água
era uma águia.
herberto coitado com o fogo
helder espantado e a menstruação.
e o milton um deus desses que desce
e anda por aí, por volta de uns lagos.
- como você – saudades loucas –
nesta arte – ininterrupta –
de pintar –
A poesia não – telegráfica – ocasional –
me deixa sola – solta
à merce do impossível –
- do real.
ana c.
#
Eu me aperto até o osso
descubro envolvo louvo
o novo e encerro o
carnaval não, deixa sangrar.
Minhas cólicas, aftas
os vírus da gripe que me rondam
ccccicuta, nada disso
entra na minha estufa.
Gravidez, gravidade, sim.
- - -
herberto, porque te apresentas com esse terno fátuo em direção ao fogo?
uma coisa que eu ainda gostaria de ver antes de morrer
era o milton nascimento musicando um poema do herberto helder
era o fogo encontrando a água
era uma águia.
herberto coitado com o fogo
helder espantado e a menstruação.
e o milton um deus desses que desce
e anda por aí, por volta de uns lagos.
domingo, 6 de março de 2011
espécie
n substantivo feminino
1 característica comum que serve para dividir os seres em grupos; qualidade, natureza, gênero
Ex.: materiais e objetos da mesma e.
2 cada grupo assim dividido
Ex.: que e. de alunos vocês têm?
3 caso particular de algo genérico; variedade, tipo, sorte
Ex.:
4 condição, classe ou origem social; tipo, jeito
Ex.: gente de toda e.
5 dissimulação, disfarce
6 Rubrica: bibliologia.
denominação comum às entidades bibliológicas (p.ex., livro impresso, manuscrito etc.)
7 Rubrica: biologia.
categoria taxonômica abaixo do gênero, cujos indivíduos são morfologicamente semelhantes entre si e com seus progenitores e se entrecruzam gerando descendentes férteis
8 Rubrica: culinária.
m.q. especiaria
9 Rubrica: economia. Diacronismo: antigo.
moeda metálica
10 Rubrica: farmacologia.
mistura de plantas (ou de partes das mesmas), secas ou não, que por processos de decocção, infusão, maceração etc. integram diversas composições farmacêuticas
11 log no aristotelismo, qualquer classe de indivíduos com propriedades em comum, considerada uma subdivisão de uma classe ainda mais ampla, o gênero [A relação aristotélica entre gênero e espécie está na origem da taxonomia científica moderna.]
ª espécies
n substantivo feminino plural
12 dinheiro corrente, moeda sonante
1 característica comum que serve para dividir os seres em grupos; qualidade, natureza, gênero
Ex.: materiais e objetos da mesma e.
2 cada grupo assim dividido
Ex.: que e. de alunos vocês têm?
3 caso particular de algo genérico; variedade, tipo, sorte
Ex.:
4 condição, classe ou origem social; tipo, jeito
Ex.: gente de toda e.
5 dissimulação, disfarce
6 Rubrica: bibliologia.
denominação comum às entidades bibliológicas (p.ex., livro impresso, manuscrito etc.)
7 Rubrica: biologia.
categoria taxonômica abaixo do gênero, cujos indivíduos são morfologicamente semelhantes entre si e com seus progenitores e se entrecruzam gerando descendentes férteis
8 Rubrica: culinária.
m.q. especiaria
9 Rubrica: economia. Diacronismo: antigo.
moeda metálica
10 Rubrica: farmacologia.
mistura de plantas (ou de partes das mesmas), secas ou não, que por processos de decocção, infusão, maceração etc. integram diversas composições farmacêuticas
11 log no aristotelismo, qualquer classe de indivíduos com propriedades em comum, considerada uma subdivisão de uma classe ainda mais ampla, o gênero [A relação aristotélica entre gênero e espécie está na origem da taxonomia científica moderna.]
ª espécies
n substantivo feminino plural
12 dinheiro corrente, moeda sonante
sábado, 5 de março de 2011
sonhei com um navio, um avião, meu irmão. estávamos para embarcar. mais nada.
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caderno público de sonhos
terça-feira, 1 de março de 2011
sonho de ontem
sonhei com olhar o céu noturno cheio de estrelas e estrelas cadentes cintilantes
muito escuro o céu cheio de estrelas e eu olhava e olhava
muito escuro o céu cheio de estrelas e eu olhava e olhava
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caderno público de sonhos
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
tenho medo do que não revigora (demais). estou longe demais. todas as perspectivas se atrasam. procuro alguém que me diga que sou insuficiente? ainda não alcancei todos os corações terrestres. quando fizer isso os pescoços do mundo serão liberados. poderão tirar os laços dos pescoços do mundo, as trelas
os pescoços do mundo
são os cavalos, são os tendões do tempo
as trelas que cintilam seus dentes num verde mato
há uma arrebentação de caranguejos atravessando o meu caminho.
e eu com uma vontade expressiva que não pode ser compartilhada.
então encontramos brechas. as brechas podem ser todas desenvolvidas ou acobertadas.
no meu tempo.
os pescoços do mundo
são os cavalos, são os tendões do tempo
as trelas que cintilam seus dentes num verde mato
há uma arrebentação de caranguejos atravessando o meu caminho.
e eu com uma vontade expressiva que não pode ser compartilhada.
então encontramos brechas. as brechas podem ser todas desenvolvidas ou acobertadas.
no meu tempo.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
a vida sempre wins
Se perguntas a minha natureza: sou disruptora e lenta.
Também não estou acostumada
a nada nunca. E ser clara é tanto um dos meus definitivos que terei que me repensar
protejo então nisso o meu fazer de um blues.
Acho que a gente se encontrou
num novo livro. E tem que ser um livro qualquer
sempre. Deixemos baixos certos rumores:
o discurso das coisas assustam
se refugiam na noite, as coisas.
E eu sou poeta.
Razão displicente entre calhar e amar.
Também não estou acostumada
a nada nunca. E ser clara é tanto um dos meus definitivos que terei que me repensar
protejo então nisso o meu fazer de um blues.
Acho que a gente se encontrou
num novo livro. E tem que ser um livro qualquer
sempre. Deixemos baixos certos rumores:
o discurso das coisas assustam
se refugiam na noite, as coisas.
E eu sou poeta.
Razão displicente entre calhar e amar.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
XVIII
Poderia ser o pudor de um deus, as razões
que descobrem nas coisas dos outros
os vivos. Romances, motivos de faltas, traições.
Quem perdeu o olho de quem? Amou
mais do que eu?
Ou esse tobogã de genes que vamos sendo
a fresta do destino nosso de cada dia entre parentes, crescer
com os cachorros presos entre os portões.
E deles se aceitar tudo, eram amados, desde que presos.
Feito esconder a menstruação da sociedade
o mesmo me aconteceu ao virar adulta
prendi os bichos todos de uma vez. Amados.
E depois era de noite, ou já adulta
encontrei um deus esquecido atrás do portão.
Procurando formol, um exercício que me impeça a putrefação,
e se não conseguir, talvez eu peça. Talvez se salgassem a carne viva,
pelo menos a diáspora entre os amigos seria menor.
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poemas do destino do mar
domingo, 20 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
severa e ríspida não sou mais profissional
minha mensagem é outra viu não é essa que você reviu releu eu já inventei tudo de novo recomecei pelos mesmos lados só pra dar em outros e enfim restaurada a confiança a confiança enviei e logo foi isso que me arrependeu os ossos do ofício assuste-se portanto com os OSSOS, beibe.
amor
eu ontem ouvi prince hoje djavan espero imagino que isso não constitua o início de mais um
AVISO
AVISO
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
os bicho
segurei os bichos tudo
dos meus estudos centrais: como perder a forma ritual; dialogando: na conquista do seu consigo mesma; estamos: quem? uma performance dos diálogos; abrindo exceções sem perder os núcleos de sentido; proliferando medo em coragem no dia-a-dia coletivo; avançando sobre o ex-amor tornando-o amoroso; solicitando dúvidas aos outros; como não perder o pescoço: tranque seu computador;
*
é assim, começa assim:
não estava em Lisboa quando vi isso. talvez mais acentuada a diferença tenha ficado pra mim. estou dentro desse discurso, de entendê-lo, de me comover com ele e pensar que estamos condenados. estamos? estão. estudante, vivo em Portugal numa linha que fica à margem. mas tanta gente que está perto de mim, talvez todos?, eu vejo isso, o tom desse discurso "à toda uma geração". não é a minha geração, mas não deixa de ser. aqui em são paulo falo de lisboa e algo nas pessoas não acredita. lembro muitas vezes de que já tinha lido da desconfiança com estrangeiros em livros que não sei mais quais são. agora lido com essa situação de entre o meu país. me olham e não acreditam? jacuzice paulistana típica. o mario de andrade tinha razão! o tietê corre pro interior. mas precários são meus amigos, e em um - só em um - dos meus futuros possíveis pode me acontecer de ser um também.
quantos destinos tenho? eu sei não.
li hoje à tarde o Paul de Man dizendo uma coisa espécie de coisa - ou não sei se fui eu que entendi demais somente entre os entres do que ele estava dizendo, que há uma espécie de vício do pensamento ou talvez uma estrutura? de pensar as coisas atráves da sua "genética". origem, os pais, história, - me pergunto se essas fichas de catalogação vão mesmo ser retiradas na entrada pelos guardas das fronteiras ou se ardem em um depósito velho de arquivos mortos. - o karma, o sobrenome, ------
e eu: ramo de árvore. não, ranhura na mesa.
e esse salto transatlântico: nenhum dos lados têm dimensão: de um país numa crise fudida, mas com a violência social controlada - e 10 horas depois (na verdade 8 dias, sou lentíssima para chegar em um lugar)- para um em ebulição caótica e convergente. porque em SP me ficou muito claro que existem 3 grandes classes sociais: os que servem; os que são servidos; os que estão selvagens.
não é para todos que o Iluminismo venceu.
(agora penso no Iluminismo enquanto atravesso a rua.)
vou sem olhar para trás.
os bichos correm atrás de mim.
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brasil com h
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
- a palavra "brasil" me diz tão pouco, eu não sei, não costumo - gostar de intelectualizar assim as coisas, sabe? eu já pensava que 'na altura' queria dizer nuvens ou envolvimentos radiais com as temperaturas das coisas mas eu estava pra além da coisa. queria perceber a coisa. o que me atormentava era só a multiplicidade das alturas. certos. cumes. me acostumei em ter as idéias certas, mas se começo a repeti-las é que algo vazio se deu. é absolutamente impensável que a pessoa de uma semana atrás era essa aqui. hoje recebi um e-mail de um velho amor que me dizia uma coisa qualquer, melhor, uma coisa de um amor já ultrapassado pra ele também, mas uma espécie de calibre fa-tal do universo que nos fez assim, enfrentarmos as coisas de novo. e ao mesmo tempo eu nessa espécie de nada que eu me tornei, cada vez que atravesso o
CADA VEZ QUE ATRAVESSO O OCEANO É ESSA ESPÉCIE DE NADA O QUE ME TORNEI.
CALIBRE FA-TAL DO UNIVERSO.
quem quer estar ao meu lado? quem quer estar ao meu lado? quem quer estar ao meu lado?
havia algo com que me deparar. estava amiúdado, pequeno, no canto até que ATRAVESSOU dobrou A ESQUINA em seu PESCOÇO de giraFA: a coisa disse:
(a coisa não conseguia gritar. nem precisava. a coisa pensava em clarice lispector a coisa teve uma vontade de mostrar pra vocês
CADA VEZ QUE ATRAVESSO O OCEANO É ESSA ESPÉCIE DE NADA O QUE ME TORNEI.
CALIBRE FA-TAL DO UNIVERSO.
quem quer estar ao meu lado? quem quer estar ao meu lado? quem quer estar ao meu lado?
havia algo com que me deparar. estava amiúdado, pequeno, no canto até que ATRAVESSOU dobrou A ESQUINA em seu PESCOÇO de giraFA: a coisa disse:
(a coisa não conseguia gritar. nem precisava. a coisa pensava em clarice lispector a coisa teve uma vontade de mostrar pra vocês
domingo, 30 de janeiro de 2011
let's try to not equivalizar nothing without anything
digo: coisa com coisa não podem ser a mesma coisa
apresentam-me um texto cansado de metáforas. eu penso! cansaço do universal princípio de pensar.
(calo o rigor o ruído mas não
sempre a dizer pare pare pare
e o meu corpo todo dizendo SIM QUERO SIM EU QUERO
o quê?
qualquer coisa
que não é qualquer coisa
amanhã eu vou a são paulo. amanhã nessa hora estou em são paulo. no trânsito, muito provavelmente. nessa hora estarei tremendamente feliz de estar em são paulo, a cidad em que nasci, cresci e continuo a viver de longe.
é engraçado porque quando a gente pensa em voltar a um lugar a gente nunca volta. assim: criamos as nossas experiências particulares, individuais, numa cidade. mas uma cidade é tudo o que há de menos particular e individual possível! uma cidade é um múltiplo desordenado (sp) uma cidade é um lugar de estar e - - as palavras estão dizendo pouco, eu mesma estou dizendo pouco. vou viver então, viver a teoria das cidades não-particulares: vou ver os amigos a cidade deles o que ela fez deles com eles e deles pra mim. vá. beijo.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
north country far
sobretudo a diferença de que não pode ser diferente. que lugar é esse? tão diferente do que eu já tinha me acostumado. e o mesmo, tão coerentes as coisas são. escrevi um belo parágrafo sobre a literatura. agora anoiteceu e tenho vontade de desaparecer. com o frio das coisas, todos os objetos tomados, eu nesse esquecimento também.
saí pra andar. o fim de semana me trouxe de volta à errância. tomando meu corpo. um novo Portugal que é o mesmo, voltei. e estou acostumada. olho as placas e já as reconheço. saí de Portugal era um outono que eu tinha vindo procurar um verão. agora cheguei de novo, e é inverno. todas as coisas estão desfeitas de si mesmas, parece que com isso ganharam uma nova identidade, que é nula, porque é a liberdade de só ser.
leio na loja de ferramentas
COPIAMOS CHAVES
INCLUSIVE
PARA AUTOMÓVEIS
percebe? tanta coisa por todo lado e as chaves-de-fenda que não abrem o mundo. pra mim, meu mundo. veio desse lugar, dessas cópias de chaves. e agora que eu não te daria mais a fórmula mágica que pudesse abrir-te? estás do meu lado.
no chão do miradouro de portas do sol picharam
NOSSA RIQUEZA ESTÁ NAS NOSSAS HISTÓRIAS
NÃO NOS NOSSOS BOLSOS
lida no meio do meu dia tentando explicar porque a história é tão importante no pensamento do roland barthes - e após um domingo onde mais de 50% dos portugueses não foram votar, teve assim, digo: impacto de silêncio e a vontade de escrever embaixo TAMBÉM RESISTIREI AO TEU LADO
não encontro mais aquele lugar
e o corretor do word me disse hoje duas vezes, em citações do rolandzinho: "verifique se na sentença não há problemas de gramática". mal sabe o quanto acertam, esses gajos das aplicações.
imagine então chegar no brasil daqui uma semana. acho que vai ser assim: uau.
depois vai ter também
UAU UAU UAU UAAAAAAAAU
e em frente a Sé de Lisboa me pergunto se as placas no português do Brasil vão me soar estranhas se eu já me acostumei com a (precária) publicidade portuguesa.
subo a rua meu joelho dói. penso que essa foi a bota desse inverno, como o tênis com pêlo o do inverno passado. e o coração continua. lindo isso:
As pestanas a arder. No peito lágrimas contidas,
Sem medo sinto que será, que será tempestade,
Depressa, há algo a esquecer - alguém estranho me instiga.
Mas eu estou morto por viver - o ar tão abafado.
Soerguendo-se do catre ao primeiro som do dia,
Olhando à volta absurdo, estremunhado, sonolento,
Assim recomeça o forçado uma canção bravia
Ao romper da aurora no prisional acampamento.
Março de 1931, Ossip Mandelstam.
saí pra andar. o fim de semana me trouxe de volta à errância. tomando meu corpo. um novo Portugal que é o mesmo, voltei. e estou acostumada. olho as placas e já as reconheço. saí de Portugal era um outono que eu tinha vindo procurar um verão. agora cheguei de novo, e é inverno. todas as coisas estão desfeitas de si mesmas, parece que com isso ganharam uma nova identidade, que é nula, porque é a liberdade de só ser.
leio na loja de ferramentas
COPIAMOS CHAVES
INCLUSIVE
PARA AUTOMÓVEIS
percebe? tanta coisa por todo lado e as chaves-de-fenda que não abrem o mundo. pra mim, meu mundo. veio desse lugar, dessas cópias de chaves. e agora que eu não te daria mais a fórmula mágica que pudesse abrir-te? estás do meu lado.
no chão do miradouro de portas do sol picharam
NOSSA RIQUEZA ESTÁ NAS NOSSAS HISTÓRIAS
NÃO NOS NOSSOS BOLSOS
lida no meio do meu dia tentando explicar porque a história é tão importante no pensamento do roland barthes - e após um domingo onde mais de 50% dos portugueses não foram votar, teve assim, digo: impacto de silêncio e a vontade de escrever embaixo TAMBÉM RESISTIREI AO TEU LADO
não encontro mais aquele lugar
e o corretor do word me disse hoje duas vezes, em citações do rolandzinho: "verifique se na sentença não há problemas de gramática". mal sabe o quanto acertam, esses gajos das aplicações.
imagine então chegar no brasil daqui uma semana. acho que vai ser assim: uau.
depois vai ter também
UAU UAU UAU UAAAAAAAAU
e em frente a Sé de Lisboa me pergunto se as placas no português do Brasil vão me soar estranhas se eu já me acostumei com a (precária) publicidade portuguesa.
subo a rua meu joelho dói. penso que essa foi a bota desse inverno, como o tênis com pêlo o do inverno passado. e o coração continua. lindo isso:
As pestanas a arder. No peito lágrimas contidas,
Sem medo sinto que será, que será tempestade,
Depressa, há algo a esquecer - alguém estranho me instiga.
Mas eu estou morto por viver - o ar tão abafado.
Soerguendo-se do catre ao primeiro som do dia,
Olhando à volta absurdo, estremunhado, sonolento,
Assim recomeça o forçado uma canção bravia
Ao romper da aurora no prisional acampamento.
Março de 1931, Ossip Mandelstam.
domingo, 23 de janeiro de 2011
qualquer maneira de amor valerá
estou muito encantada no meu canto - - flechada de uma cor - - deu-me um coração - - em que já não há centro: - - ou a hora em que o infinito distúrbio das coisas converge em ritmo.
salivo ainda por cima de mim - - - na busca de um qualquer que não seja, eu.
aquilo que mesmo interessa não é ao que eu vim, nem d'eles. - é aquilo que se entrelaça.
me vale cantar.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
três instantes
estou saindo de algum lugar e descendo uma grande rua em são paulo, perto da av. pompéia um menino lindo de cabelos compridos me chama pra olhar pra trás. quando chega bem perto de mim ele me diz que o meu cabelo é lindo e começa arrancar uns fios e guardar pra ele. numa surpresa, como se ficassemos apaixonados, há muita luz, muito sol. eu preciso de algum tempo, viro pra ladeira que descia e vou embora sozinha.
estou no topo de uma casa de madeira, que fica como se no alto de uma árvore, é a casa do meu irmão e também é a casa do eduardo. há muitas pessoas na casa. conto pra carol que conheci o menino. ela me adverte de algo sutil. a casa parece que está tombando pra um dos lados, temos que balanceá-la com as pessoas indo pra um lado ou pra outro. mas ninguém faz nada.
estou depois na cozinha da casa em que cresci, com outros amigos. o menino está na lavandeiria. indignado, mas parece que não me reconhece. quando ele vira o rosto pra mim está todo inchado, tomou muita porrada nos olhos, coberto por hematomas.
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