quinta-feira, 16 de junho de 2011

aterrorizado que ele é com o mal, - isso sempre me foi um indício da bondade do caráter irrevogável - mas eu não poderia aceitar temer para sempre o escuro - eu tive que ir. - tive que vir, na verdade - pra poder entender que o fundo de todas as traições que te fizeram foram reais. - sempre considerei a bondade como opção que você, vocês me deram, a maior generosidade dos seus atos sempre generosos, - não sei se vocês seriam capazes de não me entender, não sei. isso nunca existiu entre nós. 

e hoje que minha nova amiga me fez concluir que existem mesmo memórias sem imagens nem palavras nem nenhum indício que as apresente enquanto memórias - instintos? - pensei tanto pra onde mesmo não importa. pra onde não importa, mesmo. eu só queria que vocês entendessem que eu tô muito perto de vocês. dói tanto pra cá quanto praí, eu sei. não tenho muito mais o que dizer, acho que, se calhar, também existem expressões que não são possíveis de dizer, nem de ver, - e isto tem também haver com destino. 

dia desses de manhã não sei quem foi que disse antes "é claro que eu acredito em destino. onde já se viu um poeta que não acreditasse?". - e eu queria que vocês soubessem que o motivo pelo qual eu estou aqui não tem nada haver com vocês, antes o contrário, embora eu não saiba qual é e esteja quase me arrancando os olhos pra descobrir porque estou viva. mas amo, amo vocês mais do que qualquer outro amor que eu já tenha tido. e sei que vocês entendem que isso não é absurdo.

o homem do ano

"Quanto aos livros, são os que mais me dão cabo da cabeça. Não deixo uma palavra com o seu sentido, nem sequer com a sua forma. 
Agarro-a e, após alguns esforços, arranco-lhe a raiz e desvio-a definitivamente da manada do autor.
Num capítulo há logo milhares de frases, e lá tenho eu que sabotar todas. Isso é-me necessário.
Às vezes, algumas palavras resistem como torres. Tenho que atacá-las várias vezes e, já bem lançado nas minhas devastações, subitamente, na esquina de uma idéia, revejo a torre. Por conseguinte, não a tinha suficientemente demolido. Tenho que voltar ao princípio e encontrar veneno para ela, e nisto passo tempos infinitos. 
E uma vez lido o livro inteiro, lamento-me, pois não percebi nada... naturalmente. Não consegui engordar nada. Continuo magro e seco. 
Eu pensava (não era?) que quando tivesse destruído tudo, encontraria o equilíbrio. Possivelmente. Mas o que isso demora, quanto demora!" 

Henri Michaux, do As minhas propriedades, - em tradução de José Carlos González.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Agora sou cavaleiro Laço firme e braço forte Num reino que não tem rei

de uma noite de eclipse pra outra noite sem eclipse
pensei que das coisas mais bonitas que eu já vi certamente essa foi uma delas. o eclipse por cima do Tejo.

no meio do eclipse estou indo pra cozinha pegar o lume pra acender um incenso e minha corrente com o cavalo arrebenta.

#

depurei uma trança que importa. confiar, tolerar, querer todas as imagens, as visões se clareando, todas as formas de representação da experiência são válidas. ao mesmo tempo, saber que nada funciona, que não há nenhum discurso que explique nada, nunca.

(interpretação é tudo beibe. apaga. esquece.)

mas decidir por uma coisa ou outra me parece estúpido. necessário mesmo viver na terrível maravilha da oscilação.

#

qual será aquela formulação de dúvida que quero fazer?

-

a revelação da Terra quando saiu de frente da lua foi que aos 35 anos, quando eu ganhar o Nobel, já sei o que fazer com o dinheiro. vou comprar uma passagem extra-terráquea, dessas que milionário pode ir ver o planeta de fora dele.

acho que é o único modo de dar conta da experiência humana, ganhar o Nobel, ver a Terra de fora dela, e morrer.

domingo, 12 de junho de 2011

vamos lá, catarse, minha prima,

pohãn
a arte de transformar diários em rituais que saem do luto
delicadeza do registrar, relato abençoado seja ao abrir-se
(nós entendemos ao depois as coisas, os homens)
é sempre um atravessar perigoso
não sei se alguém come o que escava ou delira.
mas quando eu
zinha da silva catarse
resolvo transformar meus diários em poemas
(diários de um ano e meio atrás, serão os poemas de um ano e meio atrás?)
reconheço que os poemas já estão prontos
e preciso, precisaria, de um outro corpo. pra salvaguardar.

eu, que tenho virado um princípio do cuidado descontrolado.

bem me quer mal me quer

senti três coisas essa noite em sonhos. não sei se estávamos todos juntos num mesmo ônibus.
mas meu amigo contava que estava apaixonado por um homem depois de muito amar as mulheres. tinha conhecido o cara numa suruba, estava siderado.
mas meu amante só ficava me olhando, sentado em outro banco.
sentado do meu lado estava o meu desejo, e íamos para o sul, um outro sítio.

sábado, 11 de junho de 2011

ó antónio

concedei-me a forma do erro.

sendo nós como a sardinha a voar por cima das águas

tenho medo de ser eu a noiva deste arraial. finalmente me encontraram e estou com o cabelo todo envolvido por cobras e louros de umas colinas antigas que há aqui na Europa. enquanto nos casamos toca morango do nordeste,

 se as notas da música não se sentem invadidas pela letra das canções?

isso eu já não sei. estou musicada pelas palavras que invento. toda vez que eu falo alguma coisa passa pela palavra um eletrochoque chamado esquecimento que depois a revigora fazendo

(percebi aqui o meu procedimento, ou que hoje estou mais rápida do que o meu computador - às vezes vou para o teclado da máquina de escrever quando isso acontece, pra que eu tenha que pensar mais devagar, e não tão lento quanto à mão. porque no teclado costuma dar tempo de escrever tudo. mas hoje não está dando.

há uma festa típica lá embaixo. amanhã teremos fotos dela pra vocês. acontece que o típico varia de esquina pra esquina. vi gente dançando techno de boteco dando passinhos pro lado feito uns gansos que procurando comida no meio da palha fizessem um ninho.)


fazendo, fazendo? fazendo palavra. mas seriam assim palavras novas ou renascidas ou quem sabe rejuvenescidas? tipo dizer "alfombra": "1    tapete espesso e muito macio, de cores e figuras diversas; alcatifa". - não este procedimento não me convence.

eu estou convencida por um homem chamado roland barthes. eu gostaria de contar que vez ou outra eu abro um livro deste homem que foi roland barthes e concordo com uma meia dúzia de coisas embora a agudeza às vezes me espete nos homens de Letras.

(sim, há homens de letras. é uma coisa impressionante, eles têm dois olhos, uma boca, um nariz com duas narinas, orelhas. contam-se perfeitamente nos homens de letras os 7 buracos da cabeça. há também um coração.


coração muitas vezes minado pelas Letras, seja no sentindo de serem, como vocês podem imaginar, uns ríspidos amedrontados e/ou uns sonhadores. eu mesma quando fui homem tive uma experiência como essa. mas depois que eu comecei a comer milho e a comer couve quase que diariamente os meus sonhos passaram, meu estômago parou de arder, eu me torntei feliz e escrevendo, às vezes na máquina de escrever, às vezes no computador, às vezes à mão. escrevendo é que vou ao arraial, às vezes tenho medo de ser a noiva, às vezes vou sair e encontrar a galera que é sábado à noite e eu gosto de discordar das festas, mas nem tanto.)
e às vezes me espeta no Roland Barthes, quando eu acho ele afinado demais com aquilo que é Roland Barthes. é bonito quando algo escapa do previsto, e com ele parece que só afina, afina, afina. será isso a técnica de si mesmo? técnica do escrever. era um viciado, é claro nos textos dele que ele era tão viciado, e olha que de vício é uma coisa que eu entendo (tipo sábado à noite, a maior festa na vizinhança, e eu aqui falando sobre Roland Barthes) (sem querer parecer que eu faço isso porque me obrigam, justamente não é isso, justamente eu faço obrigada, me mandei sentar aqui e escrever antes de sair qualquer coisa que transmontasse) (pra voltar pro convívio humano.

escrever, essa separação para depois encontrar. mas isso é a poesia. gente. a poesia não é uma coisa que assusta vocês?



estou muito certa de uma coisa que me perdeu. agora tentei dizê-la, mas lembrei novamente. certas coisas só se pode falar do lugar do esquecimento. adiós, vou ser a noiva do arraial pra nunca mais voltar.

11 de junho

fiz bandeirinhas na varanda, de festa dos santos, de santos. ainda não percebi como se fala isso em português, exatamente. inventei uma

LIÇÃO

"santos":
os homens santos,
entre os homens há os santos.

os santos são uma espécie de heróis mais improváveis.

creio que todos sofreram e com isto aprenderam a, de algum jeito, agirem com mais amplitude e bem.

os santos são três: critério, tolerância e desejo.


no próximo capítulo vamos falar de estrelas.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

maledetta primavera





maledetta primavera
che importa se
per innamorarsi basta un'ora
che fretta c'era
maledetta primavera

quinta-feira, 9 de junho de 2011

teu sonho determina:

onde começa o real e termina o Nilo?

papai é contra o romantismo

e eu  agora não sei mais chorar
então escrevo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

da saudade e do caminho

no eléctrico indo pra Graça um pedaço de ombro da senhora que queria descer na minha frente me lembrou minha mãe, era um cheiro completo dela, meia lágrima enquanto tocava bethania nos fones, eu pensei "estou indo no supermercado" - é que eu já sei me cuidar? - e hoje de manhã na cama não queria levantar de jeito algum - disse três vezes "não vou me render à essa depressãozinha ridícula" - esfriou aqui, sabe? o frio tem mesmo a compartimentação dos órgãos que imprime.

parece que a minha escrita aqui não tem esforço. é sempre um ir-se. é um esforço dessa escuta, é tudo o que eu poderia argumentar. ontem pensei que dos dois livros que estou fazendo um é absolutamente coerente e completamente construtivo. o eixo entre os dois é a duração. o outro é uma espécie de escrita do desaparecimento. "o outro" é o mais difícil de me apaixonar por ele ao ponto de fazê-lo, verdadeiramente. leva o título desse blogue e tem, justamente, essa escrita que é um lançar-se só para o que aparece. o "mesmo", não. "poemas do destino do mar" é calculado, rigoroso.

não sei, mas algo me diz que um dia vou saber porque eles têm que estar juntos.


o que eu tenho pensado muito esses dias que ando relendo as coisas que escrevia no um samba sobre o movimento é tanto que o bonito é uma perseguição que me persegue; e como eu já sei de tudo, mesmo antes de acontecer, parece que já está tudo aqui apontado, feito sinalizações memso de pra onde vou indo. mas o que me apavorou nisso não foi isso. porque isso sempre me acontece ao me reler nesses diários públicos. o que eu tenho pensado é: e se eu me ouvir absolutamente? se eu souber agora me escutar e me ouvir dizendo pra onde eu devo ir? - na verdade eu já faço isso mas vou dizendo a mim mesma "menos", "pouco". eu não acredito em mim mesma até ser abusivo.

uma das questões do meu tempo de agora é o que vou fazer ao acabar essa dissertação. na verdade o que eu vou fazer significaria "em que cidade eu vou viver?" porque, aliás, quando eu vim pra Lisboa foi pensando mais na cidade do que em qualquer outra coisa (inclusive é maravilhoso como eu e bernardo tivemos e temos sorte, de morar não só na casa mais gira de Lisboa como de trocar de mestrado como de nos conhecermos um ao outro) mas daí, se me percebo fazendo essa questão (e psicanálise em público), já tem algo de auto-audição nisso, no questionamento ser uma inquietude por si só já respondida

(ai os primórdios da auto-audição)

a inquietude é o quê? às vezes me parece que uma espécie de energia que vai se confabulando, confabulando. até que gera dois três quatro CLARÕES todos enovelados. mas desse novelo rola um gato descendo uma escada triunfal, confiante! vivo. é. vivo muito vivo. tempos poucos viram gatos tão gatos nas minhas retinas, é isso que eu gostaria de dizer num futuro bem próximo.

(porque insatisfação, disso não gosto mesmo. nem do amontoado de órgãos que ontem eu estava me sentindo)


meu pai tem três imagens em cima da mesa





terça-feira, 7 de junho de 2011

último adeus III

sim, eu sei. eu vou dando rinocerontes sorridentes por aí. 
aquele que me quiser vai ter que abrir um zoológico pra me deixar livre dentro do gramadinho.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Nenhuma estação é lenta quando te acrescentas na desordem,

no mais, a sorte continua me atingindo, e as repetições têm me dado chances de fazer sempre de outro modo, ou do mesmo, só que mais ao lado.
ou um cavalo que me dessem pra guiar e estivesse cego com o coração disparado.

#

não consigo achar nem no meu antigo blogue qual foi o dia, a última vez que fui na análise. mas nunca deixei de escutar. alguém me disse que começava depois de largar. a gente se inventa, já queria baudelaire. - - - acordei e li um texo inteiro numa só pegada de viés inteiro inteiro e agora já é hora de dormir - lembrei que fui lendo por partes até conseguir ler inteiro. decorei umas partes quando lavava louça. amanhã vai ser dia de acordar e ler outro texto. esse ano estou fazendo uma coisa que nunca fiz, uma dissertação. é tipo um ritual de passagem, pelo que dizem. levarei flores para cima da mesa. comerei as flores com todos os presentes, antes que elas murchem.

#
coisinha insignificante essa experiência. é tudo o que penso, quando olho a relva (que grama fez um gajo rir muito). daí tenho aquele desejo de aniquilação que é sempre uma farsa que a gente se encena quando não tem mais ternura pra fazer. ou O DESEJO DE ANIQUILAÇÃO TCHAAAAAAARANS abre a cortina, você pensa que te acontece o quê?

vão esquecer de mim em outra vida, por favor. na minha quero que se lembrem de uma meia dúzia de coisas que dizem respeito só a vocês mesmo. nem me adianta vir tentar falar como se tivesse me esquecido que eu ponho DETALHES pra tocar.

#

e aquela puta do herberto helder escrevendo poemas de amor, de sexo, de paixão, ele descreve o pulso côncavo de uma mulher e como se falasse do rio - como esse verso que é o título dessa postagem - que só queria marcar mesmo que hoje foi um dia de correspondência importante.

domingo, 5 de junho de 2011

cansei de e-mails, sensações, literatura
astrologias, ninharias, rupturas
estou querendo querer (lembrei-me agora da época em que eu perguntava

Por que eu não sei o que eu quero querer? e o I Ching me disse algo muito importante que já não me lembro mais)

que eu faço de tudo
limpeza de fossas nasais
varreria até se pudesse quintais
sou uma baleia, copo de leite, um rabino
e um litro de sangue dentro de um cão
que abana o rabo se coça e sofre
de ninguém lhe esfregar as orelhas
duas ou três palavras amigas
domingo é o que não pode ser
pra sempre, meu coração.

dentição incompleta

a língua é um território em movimento dentro da boca ainda antes da boca em movimento a língua é um território em movimento dentro da boca ainda depois da boca a língua é um território em movimento fora da boca ainda

sábado, 4 de junho de 2011

se você pensa que cachaça é água

estou que não acredito. um pedaço de mim apaixonadíssima. outro pedaço completamente esquecida, retinta no esfriada. as duas coisas estão que não se anulam, nem me confundem, estão sobrepostas, trançadas, multiplicadas em possibilidades como se fatiassem o universo de bolos e eu tivesse-os todos como possíveis. vou comer até me dar dor de barriga. e vou parar, vou respirar, vou ficar sem pra ficar leve. vou viver até não ter fim o bololô que vou metendo cada vez mais densidade possível. densidade de encontros. me perguntaram assim (se perguntassem) "o que você faz da vida?" "eu? faço amigos." "e o que você faz com eles?", "trabalho, eu trabalho". possível, me perguntaram se eu achava possível viver certas coisas antes dos 30 e como sempre eu respondi que os meus possíveis são distintos dos possíveis de toda gente, mas isso não faz de mim (nem dos meus possíveis) uma pessoa ligeiramente especial, mas tão somente uma pessoa atenta às possibilidades, minhas e dos outros, de variarmos e sermos, inclusivamente, impossíveis.

confidência e imaginação

parece que só agora eu com os 27 anos faço uma cisão (na qual sempre me abismo) entre o que penso e a madeira que cobre o meu chão. dizem os especialistas que isso deveria ter me acontecido por volta dos 11 anos de idade. mas e a escolha? não será ela uma alucinação?

sei que agora gosto de não dizer, de perceber e de guardar, ou de simplesmente (e daí a aparição) notar que não estão vendo o que eu estou pensando, embora possam sentir ou saber, minha palavra não precisa (eu sempre tento) validar. e também perceber o contrário: estou tentando me comunicar, alguém me entende do jeito que eu gostaria? é sempre uma falta o que falta dizer, uma aproximação do que o outro pode entender. 
nessas horas o invisível está cheio de comunicação. acho que outra coisa que me acontecia é que eu só acreditava na palavra. hoje ela tem um lugar de potência e força que faz, justamente, desse um lugar qualquer, muito responsável lugar qualquer. 

e a gente não evolui, nem melhora. mas a gente amadurece. mas imagino que em dois segundos todo amadurecimento pode vir abaixo, com tempestades do nunca-visto ou do muito-conhecido. talvez as tempestades sejam sempre uma mistura de nunca-visto com muito-conhecido. o horror. o horror. 
lá vou eu. que quem acordou em mim hoje foi mrs. dalloway. 

besotes pra quem (não) me entendeu.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

tenho um novo amigo

A MENSAGEM DO TEU

A mensagem do teu lábio superior
salta bip o parapeito que nos separa
e habita urgentemente nos meus olhos
e repetidamente e urgentemente convoca os meus olhos
para a saudade publicada na tua cara
com slogans de néon interior

Sei que sabes uma palavra indecente
e que tens vergonha dela como se essa palavra fosse
a tua roupa de dentro

Sei o que pensas sei o que fazes
sei coisas que tu mesma não sabes
Sabes, por exemplo, que estás noiva? E que o malandrim
afinal de contas é sargento de infantaria?
Mas deixa lá homens é o que há mais
E (sabes?) os oficiais

O morse lábio bib bip noticia:
ATENÇÃO ATENÇÃO ESTOU QUASE SOZINHA
E sei pormenores da tua respiração
concretos, fotografias


#


O QUE ME VALE

O que me vale aos fins de semana
é o teu amor provinciano e bom
para ele compro bombons
para ele compro bananas
para o teu amor teu amon
tu tankamon meu amor
para o teu amor tu te flamas
tu te frutti tu te inflmas
oh o teu amor não tem com
plicações viva aragon
morram as repartições

[Manuel António Pina]

terça-feira, 31 de maio de 2011


 
continuo, voltei a pensar: é que se as coisas que aconteceram antes em vez de estarem se repetindo no agora, se elas na verdade se repetiram foi no passado pra agora acontecerem originariamente? ou ser possível uma origem que vem do futuro? isto é, se o que acontece agora justifica o que vivemos antes?

tô com afta

impressionante ainda a música - ou para sempre - como uma espécie de droga (as drogas que dão re-start) emocional correnteza do limpo, que às vezes é pelo turvo que se acede.

(a poesia como acesso)

(a música como percurso)

.

ontem, antes de ontem, andamos a cidade toda. a cidade toda era indefensável. eu me precipitei em aceitá-la. agora já não sei mais mito de mim, Lisboa, por onde iremos adiante? quanto tempo mais dura o sol? estou sempre no depois, preocupada com o depois. vocês sabiam que eu ando estudando o futuro?
(acabei de notar que talvez seja isso, o futuro, isto aqui)
(mamãe me mandou não comer pepinos espanhóis) (nunca mais)
eu tenho um jeito de quem não se espanta braço de ouro vale dez milhoes eu tenho corações fora do peito mamãe não chore não tem jeito.

pra onde vou na minha língua, estrangeira?

domingo, 29 de maio de 2011

tenho uma nova amiga

A BOCA

em espessura do tempo feito infindo
em amor me feria dilatava

a boca era um leito um órgão de lava


#

O POEMA ENSINA A CAIR

O poema ensina a cair
sobre os vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede

até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós uma homenagem
póstuma.


[Luiza Neto Jorge]

sexta-feira, 27 de maio de 2011

vida amorosa

esta.

nós vamos longe
e de longe regressaremos

#

a poesia é uma inervação magnética do coração - artaud.

corte

"você não sabia que dá azar comparar as mãos?"
do persona
eu tenho um corpo
grande e desimpedido
é nele impossível
habitar um só

roubo de quem passa
um mistério, todas as composições do amor
e o encontro

(estou impressionada com
as capacidades do meu
pescoço tentando falar
a um outro: juventude
                  precariedade
                  amor.
não te esqueças nunca.)

o cheiro de cebola nas mãos
não explica porque há meses
não choro

            (sou incapaz de fazer o necessário).

e como um resto de unha
não respeito o apêndice
(quero colocar tudo no corpo)

estou colocada
na lembrança
do nada.

o espetáculo do múltiplo

eu ontem (e antes de ontem também, tem me acontecido
assistir o espetáculo)
salvei uma planta da secura dos homens
então sonhei que havia
um vaso de musgo morto
eu enchia de água o redondo
até multiplicar
as plantas em evolução despoletavam
cresciam cresciam cresciam
era noite (e agora é dia e o navio que vem pelo Tejo apita)
e o vazio do vaso inchava e o musgo
fluorescente inflava até virar ninféias.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

um lugar renasce de mim toda vez que a gente se fala.

terça-feira, 17 de maio de 2011

enciclopédia

galope

acordo em estado de dicionário
sei que enquanto não escrever meus ombros continuarão como as lombadas duras das capas
definitivamente é hora de acordar e meus olhos se despreendem de alegria quando sacudo os pés pra um lado e outro, ainda no colchão - os olhos despreendem das órbitas e começam a me olhar
depois do café chego na pia da casa de banho e tenho que lavar os dentes
a escova escova a pasta quase acabando da próxima vez colgate não, couto
couto é portuguesa. tiro todo o açúcar do café depois do pequeno almoço
para as cáries não corroerem todos os meus dentes
não que eu não tenha amor pelas coisas que vivem
não que a putrefação não seja uma forma, tão pouco sutil forma, de vida
não que eu ache que seja capaz de conter o destino das coisas, dos meus dentes
mas definitivamente meus poemas mentais são melhores do que os escritos
o que provocará certamente em quem lê uma vontade de estar por dentro
do meu corpo das minhas órbitas dos meus pés
coisa que eu até que gostaria, por não ter onde ser colocada na minha retirada de dentro para a sua entrada,
eu teria definitivamente como aquele cavalo que saiu da aldeia, definitivamente eu teria fugido.

domingo, 15 de maio de 2011

meu braço incendeia
não posso fazer nada
pra que ele seja capaz
de vir.

te vira

me dizem umas coisas cada coisa que me dizem e eu ficaria acobertada? VOU DIZER TAMBÉM VOU DIZER TAMBÉM daí desisto. sei que falta muito pouco pra hora de dizer, calando também dilacero teus olhos, meu bem. o silêncio dos escritores, imagina você se todos os escritores fizessem silêncio ao mesmo tempo? se todos os escritores fizessem silêncio primeiro em uma sala, depois fizessem silêncio em todas as salas do mundo, e também! ah também definitivamente à céu aberto o silêncio dos escritores atinge a lua, meu bem, teu coração tão sozinho para enfrentar o sempre.

eu não sei se o que trago no peito é ciúme despeito amizade ou horror

sonhei com você, amiga rara, antiga e desaparecida. não sei o que fazer. do sonho não me lembro. sei que a Flora também aparecia nele. a Flora.


essa era a Flora quando ela era titica.   nós também estamos separadas. 
e percebi que acho que essa angústia toda não é amor, nem trabalho. é saudade.

sábado, 14 de maio de 2011

Portugal

eu e carol estamos escrevendo um guião de cinema (que não é guião, são uma série de placas-cartazes que são cenas com acontecimentos e lista de materiais para as produções) que tem que estar pronto até 2a feira. que é o que nos diz a realizadora. na penúltima vez que vi a realizadora ela estava vestida inteira de azul e parecia que eu queria guardar num potinho, a geléia de carinho. eu e a carol temos uma reunião pra definir o guião de cinema hoje. hoje é sábado (dia 14 de maio. como vocês podem ver na data abaixo. é escrito isso aqui nesse momento mesmo. essas ferramentas de publicação nas mãos de alguém como eu nesses dias de hoje.



"nesses dias de hoje" é uma expressão preguiçosa, não é?). trabalhar no sábado é uma Lisboa de imensa primavera. amanhã temos a reunião de finalização do story line com realizadores e convidados, será num churrasco de sardinha com banho de mangueira.
tem algo de descontrole nisso tudo (escrever) e eu não posso me poupar do descontrole, acreditar que ele não existe, me corromper em direção ao entendimento de tudo, bobagem.



uma pessoa que te entende e por isso quer estar com você

sexta-feira, 13 de maio de 2011

o amor é pelo mundo em suas formas mais literais

se a vida continuar se vivendo pelo acaso dentro de poucos anos serei especialista em questões do futuro,
saberei como resolvê-las assim: equação de amor x solicitação de si = futuro; ou o resultado desse viaduto foi aquela viagem.

vou virar especialista em viagem, é. é isso.

bojador

olha o sol, amuado vai chover
internet e a publicação ansiotória. PUBLICAMOS DEMAIS vocês não acham?
currículo, currículo e biografia. sem isso a gente não circula?
ok.

vocês não acham que publicamos demais?
ok

Imitamos na frente da loja os gatos japoneses da sorte
mexendo meus bracinhos muito. Sorte haverá?

O amor é pelo mundo em suas formas mais literais.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

ainda não acabou

uma idéia de bamba bamba bamba
passou correndo sem tênis a idéia que eu fiz
era uma idéia-relâmpago, idéia-rasgante 
(embora "rasgante" esteja em baixa nos tempos de hoje)
pego as folhas todas de uma vez e nhac! como um animal a comesse
todos os papéis voados por cima do lixo em pedaços
palavras pra um lado, palavras pro outro, todas as palavras estão acirradas
querendo fazer parte uma das outras
é o bacanal do papel: a idéia que eu fiz de você.

(ainda não acabou)

vem a chuva e molha nosso amor de idéias
(amor? desejo.)
e eu lá sei desejar sem amor amar sem desejo?
(certas coisas, júlia hansen, precisavam recomeçar)

quando estava em sp da última vez deitada em uns colchonetes com 5 amigos
mas era tudo legalizado naquele salão
eu disse assim: CABE. cobertura! quero dizer: eu disse pro meu melhor amigo naquele colchão
(e das pessoas que eu mais gosto no mundo)
"acho que estou numa fase completamente nova na minha vida"

(ou o que conversamos tanto, eu e a minha amiga artista, Serei eu o último dos modernos?)

essa ânsia é uma ânsia? de que o mundo não cesse de recomeçar a cada instante, pra que possa, finalmente acabar e em um lugar pacífico estaremos ultra-, mega-, radicais em paz.

eu comecei aqui pra dizer qualquer coisa, consegui. é manhã, Lisboa, dormi 6 horas de ontem pra hoje e meu nariz escorre, como sempre acontece de manhã, como acontece ainda mais se durmo pouco e algo na minha garganta é pura secura. no mais: meu braço direito está exausto. e eu não paro com ele de datilografar. um dia meu braço direito SALTA PRA FRENTE E INVENTA UM CÉREBRO SÓ PRA SI.

enquanto isso não acontece, vou ali, me alongar e ler Ezra Pound.

(ui ui. irreconheço.)

terça-feira, 10 de maio de 2011

ficar no meu corpo feito tatuagem

sonhei que eu sentava pra fazer uma nova tatuagem, tinha umas 40 idéias, estava com o duda, no estúdio do tinico. pedi pra ele a opinião, podia ser:

um passarinho sozinho de asas fechadas
uma rolha de vinho sem uso
um casal abraçado sem as silhuetas

[tinha mais umas cinco possibilidades - - - ai o futuro. ai o futuro.]

sábado, 7 de maio de 2011

coisas que não deve se esquecer

beibe, simplesmente, escreve.
do Poemacto, de Herberto Helder:

IV

As vacas dormem, as estrelas são truculentas,
a inteligência é cruel.
Eu abro para todo o lado dos campos.
vejo como estou minado por esse
puro movimento de inteligência.
Porque olho,
rodo nos gonzos como para a felicidade.
Mais levantadas são as arbitrárias ervas
do que as estrelas.
Tudo dorme nas vacas.
Oh violenta inteligência onde as coisas
levitam preciosamente!
O campo bate contra mim, no ar onde elas
dormem -
vacas truculentas, estrelas
apaziguadas estrelas - e a inteligência, afinal
selvajaria celeste sobre a minha respiração.

Eu penso mudar estes campos deitados, criar
um nome para as coisas.
Onde era estábulo, na doce morfologia,
fazer com que as estrelas mugissem e as poeiras
ressuscitassem.
Dizer: rebentem os taludes, enlouqueçam as vacas,
que a minha inteligência se torne pacífica.
Unir a ferocidade da noite ao inebriado
movimento da terra.
Posso mudar a arquitectura de uma palavra.
fazer explodir o descido coração das coisas.
Posso meter um nome na intimidade de uma coisa
e recomeçar o talento de existir.
Meto na palavra o coração carregado de uma coisa.
Eu posso modificar-me.
Ser mais alto do que a corrupção.

Campos abanados pelo silêncio.
Pessoa como eu
mergulhando no que é o obscuro
das vacas dormindo.
Estrelas giradas, de repente mortas
sobre mim.
Ah, penso alterar tudo,recuperar agora as colinas do mundo.
Falando de amor, eu falo
do génio destruidor.
Falo que é preciso
criar a velocidade das coisas.
Que é preciso caçar flores,
golpear estrelas,
meter o sono nas vacas, desentranhar-lhes
o sono,
dar o sono às estrelas.
Enlouquecer.

Que é preciso recriar o criar, meu Deus, ser truculento.
Ser simples e não o ser.
Abandonar os campos, rodopiar
a inteligência, a crueldade.
Abro a porta para não esquecer esta
absurda tarefa.
Esta tão particular
necessidade.
Porque agora deixei totalmente de ser puro.
Levanto-me para dar de comer quentes
estrelas às vacas.
Sou tão puro, meu Deus, tão truculento.
É preciso principiar.

Digo baixo o nome. Corto os pés das estrelas.
Deixá-las na sua seiva estremecente.
Digo baixo que é talento envenená-las.
Minha alegria furibunda é a pureza do mundo.
E é tão belo agarrar com os ossos
que há dentro das mãos
na ponta de um nome, e desdobrá-lo.
Arrancar essa alma apertada.
Porque eu sei o estilo de uma alma
precisamente original.
Corto as estrelas das vacas.
Trago candeias para os campos extraordinários.

Porque eu bato na porta com meu júbilo furioso.
O amor acumula-se.
É para dar o ardor em doce dissipação.
Deus não sabe e sorri, esmigalhado
contra o muro humano.
Respiro, respiro. As coisas respiram.
Esta oferta masculina vocifera na treva.
Criar é delicado.
Criar é uma grande brutalidade.
Porque eu sou feliz. Durmo
na obra.
Só eu sei que a loucura minou este ser
inexplicável
que me estende nas coisas.
A loucura entrou em cada osso
e os campos são o meu espelho.
Esta imagem perfeita arromba os espelhos.
Os nomes são loucos,
são verdadeiros.
o meu novo túnel se chama "o mar que é menor". acho que estou ficando cada vez menos com medo de quem lê, isto é, estou cada vez mais incompreensível. é isto que admiro naqueles que leio, exceção do Drummond. mesmo ele, esse hermetismo sem dom para o hermético. que descubram! que não há segredo! e tudo é segredo!

e todos os meus textos são roubos, plágios.
neste caso michaux, calasso, deleuze, helder, tsvietaieva, os irmãos do deus que nele fala, assaltados pela solidão. a minha.

and left her to the indifferent stars above

A Dream of Death

I dreamed that one had died in a strange place
Near no accustomed hand;
And they had nailed the boards above her face,
The peasants of that land,
Wondering to lay her in that solitude,
And raised above her mound
A cross they had made out of two bits of wood,
And planted cypress round;
And left her to the indifferent stars above
Until I carved these words:
She was more beautiful than thy first love,
But now lies under boards.

(W.B. Yeats)

Um Sonho com a Morte

Sonhei que alguém morrera num lugar desconhecido
Longe de mãos amigas;
E que eles, os camponeses daquela terra,
Ansiosos por nessa solidão a abandonarem,
Tinham pregado tábuas sobre o seu rosto
E erguido acima do túmulo
Uma cruz que construíram com dois pedaços de madeira
E plantado cipestres em redor;
E que a deixaram sob as estrelas indiferentes
Até eu gravar estas palavras:
Ela era mais bela do que o teu primeiro amor,
Mas agora jaz debaixo destas tábuas.

(tradução de Maria de Lourdes Guimarães e Laureano Silveira)

hands clean

sonhei que eu estava numa praia de rio, deitada numa canga sozinha. na canga ao lado estavam dois amigos que não se conhecem, mas no sonho eles eram namorados. ele tentava fazer cafuné em mim, era uma sedução a qual eu não reagia. eu gostava, mas me enchia, levantava e ia embora. na outra ponta do rio ela aparecia pra me tomar satisfações. ficávamos deitadas dentro da água nos olhando feito duas jibóias. ela entendia de repente que eu não tinha nada haver com aquilo.

teve um sonho também com um menino que eu adoro, mas desse não me lembro nada.

depois era no Rio de Janeiro que eu estava e precisava de uns meios de transporte absurdos pra ir embora pra São Paulo. tinha descoberto uma linha de metrô que me levaria. nada me acontecia, eu ficava sentada numa mesa de plástico de bar, escrevendo com meu caderno verde (que na prática eu detesto, acordada, parece uma árvore de natal com o elásticozinho vermelho junto e o papel finge que é bom pra na prática ser uma bosta que não absorve as canetas que eu gosto de usar. aliás, em três dias, três canetas minhas acabaram)  a não ser um menino que sentava na minha frente e a gente flertava flertava até ele ir pegar um sorvete e nunca mais aparecer.

e ontem sonhei com um cara que nossa história foi a mais existente entre as inexistentes histórias, e que num concerto a gente se re-apaixonava. tudo porque eu sabia lidar com ele dessa vez.

agora, tudo que eu ando sem paixão acordada tenho sonhado dormindo? 
o amor o amor que não me abandona. ainda bem. 
ainda bem. amor amor amor. amor? desejo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

roupa colorida

[acordei pensando na necessidade de escrever isto, que eu disse ontem pro B na longa sessão poética que tivemos na cozinha]

o meu avô, pai do meu pai, era muitas coisas. entre elas um homem muito generoso, que dava pros vizinhos longos metros de tecido (da indústria em que ele trabalhava), garrafas de whisky que ele ganhava de um amigo que vivia em SP, peixes e mais peixes que ele pescava quando se isolava por semanas, ou carnes e mais carnes que ele tinha caçado no Pantanal. meu pai conta que ele voltava com uma caçamba cheia, dava mais da metade, dois terços, ficava com o resto. conhecia as ervas do mato, sabia o que curava, o que sarava, o que protegia. todas as vezes que ouço falar dele me parece que ele era alegre, generoso, lúcido, vivo e contraditório (todos os mortos são contraditórios?). 


[agora havia aqui uma 2a parte do texto, falando sobre meu pai. que a dedicatória de um dos livros do meu pai, talvez do livro mais importante, é para o meu avô. "para o meu pai, vivo em mim". ontem notei que meu pai é mesmo o que vive do meu avô. eu escrevo sobre isso hoje, mas não aqui. ainda não é hora.].

sábado, 30 de abril de 2011

making bread, a new beginning

se eu já escrevi um túnel
agora
eu vou eu vou eu vou eu vou eu vou?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

com as mãos frias mas o coração queimando

O tempo fecha.
Sou fiel aos acontecimentos biográficos.
Mais do que fiel, ah, tão presa! Esses mosquitos que
não largam! Minhas saudades ensurdecidas por
cigarras! O que faço aqui no campo declamando aos
metros versos longos e sentidos? Ah que estou
sentida e portuguesa, e agora não sou mais veja, não
sou mais severa e ríspida: – agora sou profissional.

[my darling beauty, ana cristina cesar]

segunda-feira, 25 de abril de 2011

assim, não

ai gente "as questões do autor" ontem de manhã eram: comprar 4 kilos de farinha de rosca. ele ia segurando o colchão de cima abaixo com os sacos até que na hora de dormir ele furava-os todos e a farinha espalhafatosa pelo chão. o quarto ficava todo um véu. tua vida um breu sem "o autor", viu? é ele que tá te inventando quando você lê isto, não o contrário.  - - - - - - - - - - - - a operação de ler está nos seus olhos, sim, xuxu. eu tava brincando. não fica assim.

dá-me delicadeza na fúria

estou meio cega pelo espelho
se calhar precisava estudar física
ou eu levo as coisas muito à sério
(são piscinas, as coisas)

.

meu pai sempre diz "a gente se mete em cada África".

-

se eles soubessem os códigos de conduta que essas coisas me ensinaram.
 

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