segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

política internacional

essa noite eu tive o sonho mais bizarro da minha vida. primeiro eu andava por um shopping com um sujeito com quem já tive um lance, muitos anos atrás, ele apertava a minha bunda, e de repente ele zarpava pra outro canto e eu estava andando pelo museu de história nacional britânico, que depois virava: era um museu dos assassinatos dos tiranos do século XX. mas não tinha nem painel, nem tela, nem nada disso! eles estavam todos renascidos e eu os via morrer na minha frente. vi partirem: o castelo branco (de quem ontem falei) com um olho arrancado por um cabide, o hitler com uma peixeira atravessada na garganta até o coração, o mussolini estava já dependurado pelo pé pra cuspirem nele, o pinochet foi assassinado por uns esquilos e por último matavam a angela merkel (!!), mas não lembro como. levantei pra fazer xixi estava amanhecendo e eu pensando "mas e o stalin? cadê o stalin?"...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

pra mais tarde

corre o mar vermelho
da retina da visita que - de tarde - vem te ver
ela procura a cura, sentada no alpendre da tua casa
pelo menos no campo se tem repouso
mas és uma raposa que visita a toca
suga teus olhos como uns ovos
de cobra reinada
enrolada, sobre si 
ssssssssssilva pela boquinha verde
dançando pela fogueira
a língua toca o lume
é o fogo quem se queima
acovardado
cresce e nasce
some e desce
vigiado
neste inverno retrógrado
sou toda ouvidos, meu bem
a visita, agora sim, vai de pé
olhando às vezes pra trás acena
o farol sempre
atenta

pede mais chá

VIII

Guardo-vos manhãs de terracota e azul
Quando o meu peito tingido de vermelho
Vivia a dissolvência da paixão.
O capim calcinado das queimadas
Tinha o cheiro da vida, e os atalhos
Estreitos tinham tudo a ver com o desmedido
E as águas do universo se faziam parcas
Para afogar meu verso. Guardo-vos, Iluminadas
Recendentes manhãs tão irreais no hoje
Como fazer nascer girassóis do topázio
E dos rubis, romãs.

X

Há um incêndio de angústias e de sons
Sobre os intentos. E no corpo da tarde
Se fez uma ferida. A mulher emergiu
Descompassada no de dentro da outra:
Uma mulher de mim nos incêndios do Nada.
Tinha o rosto de uns rios: quebradiço
E terroso. O peito carregado de ametistas.
Uma mulher me viu no roxo das ciladas:
Esculpindo de novo teu rosto no vazio.

[de Hilda Hilst, no "Amavisse" no volume Do desejo.]

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

é um rei, vamos combinar

as fotos com o pound me impressionam muito

transformar a transformação

eu pedi à terra
eu pedi à terra
para não ter dúvidas
mas se eu fosse a terra
não seria poeta
os lugares podem mudar
as paisagens podem mudar
o corpo este depósito
de emoções
a yoga mexe com o corpo do grito
e eu querendo ser trigo
e eu querendo ser terra
acho que meus problemas todos nascem de tomar o mar
tomar o mar
a água salina
apodrece o sangue
mas não é isto que eu queria dizer
não
eu ia dizer que o mar com a sua horizontalidade sempre cambiante
talvez venha dele a minha metamorfose
quando todo mundo sabe que é do fogo
que só o fogo é capaz de trazer
aquilo

continua
que por aqui
tem feito dias lindos
e eu pensando
em um jeito
de afirmar tudo
estancar tudo
desencalhar meus músculos direitos
virei a mesa
serei um pano de linho
sobre a table
merci monsieur cesariny
quero ser pedra alucinada
não calçada claudicante
porosidade que se atravessa
minério que se encharca
eu

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

cortei caminho e a parte de cima do lábio cortou-se.
penso sem tardança em me atrasar. resisto a todos os choques e acho que meu sistema imunitário não dá bola pra ser tão antigo e equivocado.
o tempo abriu. meu tempo abriu. eu sou o tempo do aberto,
cortou-se de frio e vento a parte do ventre do lábio direito
mamãe está aqui comigo.
disse que eu e ele fazemos o parzinho mais bonito que ela já viu.
e eu coroada com a hera que maria me deu.
o nietzsche disse que em um milênio tem 34 vidas, eu me pergunto quantos antepassados diretos tenho a um milênio atrás? tudo isto pra desviar da rinietzsche e acho que a resposta é o rizoma.

neste carnaval vou me fantasiar de marinheiro
e digo mais, argentino. agora vou arrumar minhas coisas
que tenho a yoga mais mística que o coração do brasil já não viu.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

se abro o caminho do caminho, viajo.
se tento me recolher ao erro, vicio.
ontem tentei destruir a destruição. 
fui absolutamente incapaz de fingir que me interesso por ela o quanto me interesso. é porque não sei atravessar os esquecimentos e deixar de te dar a mão, quando me pedes, ou se não pedes. é só uma coisa de estar ao lado. de deixar de tomar um lado, incapaz? há momentos em que um vento ocidental varre os negócios dos ócios e tira os olhos da flexibilização, quem escolhe? posso, inclusive, elaborar essa estratégia de tentar encontrar uma falta de sentido libertadora, um dizer que não seja nada mais que uma mão estendida por dentro de uma garganta. mas é impossível. impossível também com este desânimo de fim de inverno, o corpo todo tomado por isto, mas sei bem mas sei bem mas não vou. digo: sei que amanhã vou subir uma serra e todo o medo será um carpete para pisar o céu. o céu das coisas têm cor de romã e une, o céu das coisas une intenção e gesto. a prática da sinceridade é uma prática de desestabilização dos métodos. há um ponto em que eu resolvo parar de dizer qualquer coisa. há um texto do deleuze que quero muito ler e que se chama "para por um fim no juízo", alguma coisa assim, sempre. e quero tanto ler as coisas que quando abro o primeiro parágrafo quero sugar cada um daqueles líquens de musgo até mastigar as conchas e os vinhos da tua carne dura, ó carne dura, inverno de merda. ontem tentei destruir a destruição e hoje fui recompensada com duas páginas. faltam mais oito nesse pedaço e tenho que desfazer essa espécie de expectativa do suficiente, porque a única coisa que é suficiente nesse campo de mim mesma é a seriedade. e alguma rinite que sobra, que obra, a rinite obra em mim uma precariedade constante. o bate-papo nacional em portugal hoje tem a ver que o governo está dizendo uma coisa e o ministro das finanças falou no ouvido do alemão outras coisas. e portugal está querendo dizer que é outra coisa que não a grécia, por que "se a grécia sair". putz. momento histórico de merda.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

trabalho a prazo

eu e meu irmão num ônibus de londres até paris
demorava 15 dias a viagem, e estávamos só no começo
paramos no graal da castelo branco (aquele onde o flavio compra lenha pro sítio e eu tomo suco de milho)
as poltronas do autocarro eram azuis
15 dias!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

hilda pede mais chá

escrever é um lance embora o cansaço
tanto que desconfio as vezes se escrever não é um lance do cansaço
e parece que quanto mais desconfiança a gente tiver, menos o texto vai
e que o cansaço só nos permite a desconfiança instintiva
A DESCONFIANÇA INSTINTIVA
conta-se que ana cristina cesar, meu bem, ana cristina cesar comia cacos de telha todas as tardes como quem mastigasse cigarras, não, cascas de noz, conta-se que este treino a deixou tão apta que toda a sua desconfiança era instintiva
no futuro falaram que eu tive de matá-la. terão razão. os homens de letras, tão arrazoados. é por isto que aos homens de letras vamos embebedá-los até todos serem bons homens de letras.
toda escrita é uma troca de letra desenfreada
meus dedos digitam como quem não tropeça, trupica
e quem trupica e cai cai cai cai cai cai
num "cai cai cai cai"
que até lembra quando
a gente diz ai quando a gente diz ah
ah ah ah
minha macaca só pensa EM
ela se debruça na porta da geladeira como quem aguilhotina a jaula
abre e fecha
fecha e abre
a minha macaca instruída
e digital
deixa marca em todo traço
que laça.

ps, conta-se que ana cristina cesar queria ser roteirista da globo. e inafiançável é a lembrança de que A DESCONFIANÇA INSTINTIVA seria um belo título no ecrã.

"ECRÃ!"

para dois rapazes

sabe quando um acontecimento é tão acontecimento que ele é disruptivo
isto é, ele cria uma cisão de distância que não é real
parece que faz cem anos, mas faz dois dias
?
então. menstruar é assim.
ou seja, as mulheres todo mês podem recomeçar. tudo.
esta parte já é para a minha amiga
as mulheres menstruam juntas
você tá entendendo?
as mulheres menstruam juntas
fiquei pensando no seu último email falando da revolta que a gente deve ter e infelizmente tem de carregar.
primeiro de tudo a hannah arendt eu quero mandar um beijo pra ela.
tô tão cansada, queria te contar mais coisas, falar de uma história bonita da hannah,
imagem, in fact
que ela diz
o tempo
numa imagem do kafka
é ser empurrado (um homem)
pela frente e por trás
por forças equivalentes
passado e futuro
onde o presente fica preso no intervalo entre um e outro
empurrado, amassado
a imagem é essa,
do kafka. a hannah diz
que maravilhoso era o kafka
mas-e-que se esta imagem-experimento
acontecesse num paralelograma
duas forças contrárias incidindo uma sobre a outra
tem como fluxo resultante um vetor
este vetor, no homem
é o pensamento.

e sabe abrir o seio como a terra

hóstia não quer dizer hostil

saguão de hotel, estofados laranja. eu, que não sou muito do laranja, parada no corredor esperando pelo elevador. ele chega, eu entro. entram muitos mais. alguém pisa no meu pé. o elevador me irrita. no saguão do hotel encontro uma mulher toda vestida de laranja, como o saguão. ela me abraça. já estou inventando, que eu não lembro mais. queria era sonhar mais, mas acho que ando tão pragmática, que ando sonhando pouco. mas não será esta uma separação muito pragmática também entre sonho e não-sonho. sei que hoje não quero ter de ir longe. já bebi meio litro de chá de erva príncipe. e tenho cólicas.
o b dia desses leu pra mim um trecho que o castañeda conta de umas índias que menstruavam vendo paradas uma fenda se abrir entre as montanhas. quer dizer, tinham que olhar a montanha até verem a fenda. quer dizer, eu já estou inventando, o b disse outra coisa, mas eu gostei dessa imobilidade atenta, também chamada cansaço com sangue.
talvez se eu imaginar um pote com sangue bem escuro fervendo até cheirar sangue pelas paredes como no inverno respiram as paredes o frio e se há fogo transpiram facilmente as paredes se fosse sangue na panela de um bicho ou seu; ficavam cor?
tenho visto muitos romanos de noite, na casa do meu bem, de dia fico assim, vendo romanos, augúrios, augustos, ave! estou pra o que é que tem.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

"eu devo dizer eu guardo um mundo em mim" - aviso de viagem,

olho as graves as traves as aves
o metro passou dia de ontem em greve
a garganta arde pelos graus
se eu fosse um termômetro (a imagem é de ezra pound para o papel do escritor)
vejam ezra pound
se eu fosse um termômetro
meu braço direito anulava a temperatura do coração
tomava tudo
para si

em potes de mercúrio.

no entanto não ando mudo.
viajo no cavalo do tudo, estudo.
sou o lombo do mundo.

quando virei ali na Sé, pra baixo, eram lascas
os galhos das árvores eram estalactites
não sei se a cidade é desta vez uma caverna
ou se o que me governa é a queimada
que virá no rosto da primavera

mas hoje mesmo estive muito vermelha quando me olhei no espelho da casa de chá
digo, pastelaria luso-japonesa, na rua da alfandega, recomendo
não as alfândegas, delas desconfio, inclusive que são tão antigas
tão mais antigas
antigas tanto quanto a desconfiança do homem
atrás dos bigodes
é firme, forte
quase não conversa
mas tem amigos, o homem
rumores de que terá amores
louvores dos primórdios
ele inventa o que virá

com três pés se faz um monstro
ou um poema de amor
"nenhum verso é livre para quem quiser fazer um bom trabalho"
e quando a assombração do ritmo do passado
vem esse corpo de outros, o MEU CORPO
este corte, esta corte
meu rei
abram caminho

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

via carolina, via gustavo: o futuro:

Para compreender o que significa a palavra futuro, é preciso antes saber o que significa uma outra palavra, a qual não estamos mais habituados a utilizar, ou ainda, que estamos habituados a usar apenas na esfera religiosa: a palavra fé. Sem fé ou crença, não é possível futuro. Isto é, há futuro somente se podemos esperar ou crer em algo. Mas, o que é a fé? David Flusser, um grande estudioso de ciências da religião, e ainda há uma disciplina com esse estranho nome, um dia estava trabalhando sobre a palavra pistis, que é o termo grego que Jesus e os apóstolos usavam para fé. Naquele dia, estava passeando e, por acaso, encontrava-se numa praça em Atenas. Num determinado momento, olhando para cima, viu escrito em grandes letras à sua frente Trapeza tés Pistéos. Surpreendido pela coincidência – a palavra pistis – observou com mais atenção. Depois de alguns segundos se deu conta de que se encontrava simplesmente diante de um banco. Trapeza tés Pistéos significa em grego “banco de crédito”. Foi uma espécie de iluminação. Eis, finalmente, o que significava a palavra pistis, que há meses estava tentando compreender. Pistis, fé, é simplesmente o crédito de que gozamos junto a deus e de que a palavra de deus goza em nós a partir do momento em que nela cremos. Por isso Paulo pode dizer, numa famosíssima definição, que a fé é “substância de coisas esperadas”. A fé é o que dá realidade ao que ainda não existe, mas na em que cremos e temos fé, porque nela colocamos em jogo o nosso crédito, a nossa palavra. Algo como um futuro existe apenas na medida em que a nossa fé consegue dar substância, isto é, realidade, às nossas esperanças. Mas a nossa, sabe-se, é uma época de escassa fé. Ou, como dizia Nicolà Chiaromonte, uma época de má-fé; isto é, de fé mantida à força e sem convicção. Portanto, uma época sem futuro e sem esperanças (ou, de futuros vazios e de falsas esperanças). Mas nesta época, muito velha para crer verdadeiramente em algo e muito esperta para ser verdadeiramente desesperada como deveria, o que se faz do nosso crédito? O que se faz do nosso futuro? Porque, parece-me, se se observa bem, há ainda uma esfera que gira inteiramente ao redor do tema do crédito. Uma esfera que englobou toda a nossa pistis, toda a nossa fé. Esta esfera é o dinheiro e o banco, a Trapeza tés Pistéos, é o seu templo. Vocês sabem que o dinheiro é apenas um crédito. Em todas as notas, na esterlina, no dólar, curiosamente não no euro (isto deveríamos deixar sob suspeita), vem escrito que o banco central promete garantir aquele crédito. Está escrito: “o banco pagará ao portador” – libra esterlina, ou dólar, mesmo se agora não há mais o padrão ouro e se a conversão ao dólar não existe mais. Vocês sabem também que a assim chamada “crise” que estamos atravessando – e espero que sejam bastante inteligentes para suspeitar de que o que se chama crise não é algo provisório, mas o modo normal no qual funciona o capitalismo do nosso tempo – começou com uma série desconsiderada de operações sobre o crédito, sobre créditos que vinham descontados e revendidos dezenas de vezes antes de poderem ser realizados. Isso significa, em outras palavras, que o capitalismo financeiro e os bancos, que são seu órgão principal, funcionam jogando sobre o crédito, isto é, sobre a fé dos homens. Isso também significa que a hipótese de Walter Benjamin, para mim uma belíssima hipótese, segundo a qual o capitalismo é, na verdade, uma religião, a mais feroz e implacável religião que já existiu porque não conhece redenção nem dia de festa, deve ser tomada literalmente. O banco tomou o lugar da igreja e dos seus padres, e, governando o crédito, manipula e gerencia a fé – a escassa e incerta crença que o nosso tempo tem ainda em si mesmo. E o faz do modo mais irresponsável e sem escrúpulos, procurando lucrar dinheiro da crença e da esperança dos seres humanos, estabelecendo o crédito que cada pessoa pode gozar e o preço que deve pagar por isso. Hoje estabelecendo e avaliando até mesmo o crédito dos estados que cederam, não se sabe o porquê, a sua soberania. Desse modo, governando o crédito, governa não somente o mundo, mas também o futuro dos homens, este que a crise torna sempre mais curto e a termo. E se hoje a política não parece mais possível, isso acontece, de fato, porque o poder financeiro sequestrou toda fé e todo o futuro, todo o tempo e todas as esperas. Enquanto durar essa situação, enquanto a nossa sociedade, que se crê laica, permanecer servindo a mais obscura e irracional das religiões, eu os aconselho a retomar o seu crédito e o seu futuro das mãos destes sombrios, desacreditados, pseudo-sacerdotes, banqueiros, de uma parte, e dos funcionários das várias agências de rating, de moldings, de Standard & Poor’s, ou qualquer outra denominação que tenham. E, talvez, a primeira coisa a se fazer é parar de olhar tanto ou apenas para o futuro, como eles exortam a fazer, para, ao contrário, voltar o olhar para o passado. Somente compreendendo o que aconteceu, sobretudo procurando compreender como e por que pôde acontecer, talvez, poderão conseguir liberar-se dessa situação. Não a futurologia, mas a arqueologia é a única via de acesso ao presente.

Intervenção de Giorgio Agamben no programa "Chiodo Fisso" da emissora de rádio "Rai 3" no último dia 25/01/2012. (Link para arquivo de áudio original: http://www.radio.rai.it/podcast/A42410486.mp3)

Transcrição e tradução para o português: Vinícius Nicastro Honesko.

[retirei deste blogue aqui: flanagens]

poética

que
eu ad
miro
quem faz algo errado
(e isto fazemos todos)
e quer, compreensivamente, mudar.
eu desprezo
quem evita essas mudanças.
e agora vou sair para aprender o mar.

domingo, 29 de janeiro de 2012

meu diário está em toda parte, onde estão os meus olhos?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

arrumando a mochila pra passar o fds na casa do gajo
que fica há 15 minutos daqui
mas atrás da colina, lá embaixo


me pergunto assim "será que eu levo o focault?"
abro a mala e verifico com os dedos como se alternasse entre fichas
já estão indo "o eliot, a clarice, o pound, outro eliot, o nietzsche"
"turminha".

"isto não é vida. isto se chama maratona da pós-graduação".
"você prometeu que não faria piadas de mestrandos"

-alô, julinha, tás fixe?
-tou.
-saudades tuas.
-ohnn. eu também.
-e como está o trabalho?
-vai bem. eu QUERO QUE ESTE EDIFÍCIO CAIA.
-que edíficio? o edifício da poesia?
("ele saca tudo")
-é. QUERO QUE TODOS OS POETAS EXPLODAM JUNTOS.
-mas assim vais também explodir?
-claro. o que eu MAIS QUERO É EXPLODIR.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

munição

imagine um mundo onde tudo é começo
agora imagine o começo deste mundo

m.g.l. disse "o começo de um livro é precioso". 

dentro de toda lacuna  - - - não sei bem onde é que vivo, esse lance tão mútuo é capaz de me causar vertigens: como um cavalo que prende aos dentes a corda que leva outro cavalo e pula puxando-o pelas barreiras os joelhos levantam o suficiente - ele pensa que seu companheiro está morto - mas ele estava enganado. meus senhores, os cavalos também se enganam e este cavalo - o começo - embora estivesse lúcido, não havia percebido que era a corda que ele agarrava pelos dentes que o puxava, não o contrário. ambos, vivíssimos, saltaram as barreiras e alcançaram o começo do começar.

entretanto, estou no princípio do meio da minha dissertação e no princípio do fim do meu livro. dizer do começo é só uma ansiedade com o fim. e o começo é só uma abstração possível pela faculdade de fazer juízo, interpretação, - - - destas duas pernas que inventam sempre saídas e saltam, ah como saltam as pernas boas que tenho.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

vou virar do avesso - não tenho medo
não tenhas medo - quando virar do avesso
é para a cabeça cair para trás
e o coração explodir em vento,

em um mês

fiquei surda com os ouvido direito zumbindo tudo
cortei os dois polegares no mesmo lugar, de modos diferentes, no mesmo dia
tive três crises de rinite
duas noites de insônia, uma por paixão, outra por mudança de planos
dor de cabeça no último dia do ano, enjôo, vertigem
ontem desloquei a omoplata praticando pilates
tá doendo, a noite toda também

tô zuada
alguém me benze
bem-bem

justo eu
bem-bem

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

o amor é uma armadilha ao contrário

junta com o post debaixo
e é nóis










Só eu sei que sou terra
Terra agreste por lavrar
Silvestre monte maninho
Amora fruto sem tratar

Só eu sei que sou pedra
Sou pedra dura de talhar
Sou joga pedrada em aro
Calhau sem forma de engastar

A interpretação é o que quiserem dar
Não tenho jeito p'ra regatear
Também não sei se eu a quero aumentar
Porque eu não sei

Porque eu não sei se me quero polir
Também não sei se me quero limar
Também não sei se quero fugir
Deste animal, deste animal

Também não sei se me quero polir
Também não sei se me quero limar
Também não sei se quero fugir
Deste animal, que anda a procurar

Só eu sei que sou erva
Erva daninha alastrar
Joio trovisco ameaça
Nas ervas doces de enjoar

Só eu sei que sou barro
Difícil de se moldar
Argila com cimento e saibro
Nem qualquer sabe trabalhar

Em moldes feitos não me sei criar
Em formas feitas podem-se quebrar
Também não sei se me quero formar
Porque eu não sei

Porque eu não sei se me quero polir
Também não sei se me quero limar
Também não sei se quero fugir
Deste animal, deste animal

Também não sei se me quero polir
Também não sei se me quero limar
Também não sei se quero fugir
Deste animal, que anda a procurar

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

nocturno en lo oscuro

No dia em que te conheci, foram os olhos as forquilhas que te alcançaram.
Para entender a memória é preciso entender o que são os olhos.
Para entender o que são os olhos
o que me leva pelos lugares do que foi
não a é vontade de neles estar.
Mas saber que não estar neles é hoje estar contigo.
Te acalma com a mão sobre a rocha.
E embora nestes sítios ainda
estalo. Quando passo. O que caço,
me caça. É o amor que vem ou já passou?
Se for o vento, há em mim quem venha só.
Sou estrangeira, não sou ninguém.
Aprendiz que sou mais é do temor
passo a passo
limo até alastrar
a língua
por cima
falo falo
sobre os tremendos ossos dos pés
até perceber que não há como esquadrinhar a angústia – que falar dela é como pegar numa bic e rasurar por cima de uma tabelinha até esconder o grosso – e guardo nos bolsos
o silêncio agora
é como se tivesse um ladrilho tão gelado
a fenda de quando intento fugir
é fascinação pela cria que uma fenda deu entre os meus seios
e se eu me reconheço caverna, casa cativa
por que não seria eu a fenda que alimenta
uma fenda que se cria
o lugar por onde passa a luz
da tua violência.
Sou a fenda por onde passa a luz da tua violência.
É a minha armadilha: forquilha que olha
no fundo, tudo que gosto é de veneno e de desapodrecer
ao veneno puro deste ventre sirvo
este corpo é para isto
serve ao vento de veneno puro, purifico.
E se encontras todos os caminhos fechados
é porque lá não estás.
Então você quando vir a fenda de mim
levante, me olhe
o suficiente e lance:
p ---edra.

caminante nocturno

passo
a passo
a tarde teu rastro
limo a língua até

até perceber que não há como esquadrinhar a angústia - que falar dela é como pegar numa caneta bic e rasurar por cima de uma tabelinha - mesmo assim insisto na grelha


como se tivesse um ladrilho de tão gelado, a fenda de quando eu descobri que a vontade de fugir é porque cria uma fenda entre os meus seios e se eu me reconheço caverna por que não seria eu a fenda se sou uma é fenda também um lugar por onde passa a luz

da tua violência. a fenda por onde passa a luz da tua violência.

é minha a armadilha: no fundo, tudo que eu gosto é de beber veneno e sobreviver purificando o veneno/ este corpo é para isto: serve: purificando o veneno.

levanto os braços:
só o suficiente:
p - - - edra.


















tava eu no mato de novo/ num mato sem cachorro/ eu falei tá direito/ que eu nunca tive cachorro ao meu lado

amor

longe de você eu sinto que me falta um gosto
perto também.

sábado, 31 de dezembro de 2011

"ninguém foge da minha raia", diz a menina batendo os pézinhos de pato.
e quando falei em "mas não vamos ter medo",

o que eu quero pra 2012? calma
no descontrole.

ou como m.a. me disse:

"em vê:
olhos que vêem, que somente vêem
olhos que semeiam
(o visto em vida)

é isso índia, no farejo do fruto
vamos
mas que os próprios olhos sejam
frutos
negros
nada adivinhando
vendo porque vivendo"

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

quase vinte e oito

Horizonte de uma seriedade.

Eu querendo sonhar com a história – quanta pretensão, pelo menos quanta pretensão fazê-lo sem sofrimento.

Dois dias depois ele me disse ESTOU DE LUTO e preciso mudar de país.

Dois dias depois dos dois dias depois é Natal.
Aquele choro na vovó. Digo Amém ao telefone.

Dois dias depois dos quatro dias depois dobro a esquina da minha casa que fica de frente para a baía – que eu quis ter – viro a esquina pensando “o corpo este inimigo”.

O horizonte de uma seriedade é que a última vez que eu pensei isto eu mudei de país.
Eu quis ter a minha janela para a baía e tenho.

Sonho que cago nas calças do uniforme e todo mundo vê. Sonho que apanho um comboio e encontro uma pessoa muito chata dos tempos antigos em que usávamos uniformes. Que troco de comboio e ele me leva para o lugar errado.

Tudo fica azul escuro e eu só consigo prestar atenção em como os feixes de músculos no meu corpo me controlam. Escrevo um poema para a minha mãe.

A mulher na casa de fotocópias entra reclamando do filho, que teve horas em parto, vestido de azul o recém-nascido colado ao peito, ela diz em tempos de crise só um filho é muito em tempos de crise um filho é muito em tempos de crise.

Nasceu no inverno.
Um mês antes do que eu, que nasci no verão.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

gente fina, elegante e sincera

a palavra com a qual eu termino o ano é: abdicar.

desde que cheguei aqui Portugal me ensina, em muitos sentidos, a abdicar.
digo isso porque aprendi que há certos ritmos de silêncio entre as pessoas que criam vínculos entre elas. guardar a intimidade muitas vezes é criá-la. digo isso porque abdiquei de muita gente, muitas vezes. do amor. de ter. de gastar. viver com menos. digo isso pra mim mesma, não vou me explicar de novo que Portugal me ensina a abdicar. talvez até dele mesmo, o cabrão.


abdicar
n verbo
 regência múltipla
1    renunciar por vontade própria (a poder soberano ou autoridade suprema)
Ex.:
 transitivo direto, transitivo indireto e pronominal
2    renunciar ou desistir de; privar(-se)
Ex.:


nesta última semana o primeiro ministro daqui disse pros professores migrarem pr'outros países da nossa língua, nomeadamente, angola e brasil.

a manchete do principal jornal na manhã do dia 24 de dezembro deste ano que ainda corre era - quando eu abri a internet pra ver - 75% do subsídio desemprego será cortado no ano que vem.

a galera vai passar fome, já está. não tô de exagero. não.

abdicar.

não precisava ser assim, mundo. não precisava não.

há a memória, amém

vou bebendo chá de tília
enquanto a europa não acaba.

na casa do meu namorado fica rosa.
eu olho bem pra quela cor quase acintosa de prazer e penso: hm proust hmmmm sei sei
sei.
não percebo
porque agora sozinha
aqui é só amarelado.

acho que é o nosso amor.

domingo, 25 de dezembro de 2011

2012

vamos fazer um caminho mais curto em direção ao fim do mundo
desta vez
ou não
vai ser impossível observar os flamingos
que ali, de tão parados
provavelmente são de plástico.

por aqui os chineses andaram comprando as coisas da terra daqui.
que não é chinesa.
nem nunca será.

neste momento considerei a possibilidade de ter acima cometido uma profecia, porém errada.

será caso notável no dia dos olhos de alguém, muito futuros, e tão murchos quanto os nossos, conforme os anos passam, olhando as coisas que mudam e as coisas que não mudam, repararem no delicado equívoco da inocência que todos temos, por estarmos todos em nós procriados o nosso tempo.
e seguiremos ouvindo mercedes sosa.

herberto helder escreveu:

"E sempre assim, sempre: cidades inexplicáveis onde se tem medo. Prados para vacas, não para um poeta di-la-ce-ra-do por uma tormentosa inocência".

a minha tormentosa inocência, no fim de todos os anos sabe que é melhor avantajar o bem dos possíveis, do que os nãos, incabíveis.
 - já tenho idade pra saber que os anos se passarem aos cavalares, alternam em nós as posições de: cavaleiro, corda do poste para amarrar o cavalo, cavalo em si, estrebaria, pista de corrida, feno feno e pasto.

este ano assisti fritzcarraldo, do herzog, com meu pai em são paulo e, vocês sabem, que no fundo meu intento é ser ele.

se você recebeu este meu sinal de mensagem, é porque te amo. assim, fim do ano é aquele momento em que nos deixamos ser vulneráveis e me deixa dizer que te amo, beibe. isto tudo vem bem a propósito. ser mais inteirão. e se eu te amo, é porque eu espero que o ano que vem te seja impossível.

enquanto por aqui seguirei do meu traço, o rastejado.

e conto com vocês para tirarmos todas as botas que nos pisam de cima, pelos lados.

o peito ao acordar: aberto.
quem sabe dar uns gritos, ir ao campo e encontrar resistência na fuligem.
fogueiras. e amores-ímãs,
onde, nos resta saber em que lado é que as peças se encaixam.

para o ano que vem sonho:
corpo de gato, nave de platina.
um mundo menos supérfulo e mais gratuito.
ar aberto
mar floresta
montanha sobre montanha
uma violência cômica.
tudo do seu tamanho.
e alternativas.

sinceramente,

beijos muitos,

júlia.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

dos sonhos eu sou o amor

tcharans

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

rinite sinusite e outras otites

estou densa pela testa
que me avance e meça

quanto frio é para um cavalo enfrentar o frio de dentes
é preciso ter muitas faces
uma primeira arreganhada
ser só tendões: ele me disse: que gostava de ter limites

e quando o vento batia muito forte
sacolejava pelo pescoço
até soltar do nariz

saburra, sem nojo,
meu frio no chão da rua, verniz

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

perigo prático

ele me liga e pede pra que eu veja no google uma coisa que descubro que aconteceu em Himmelpfortgrund.

já terminei a carta pro fedelho. pratico pilates depois de um dia todo na frente do computador e dos livros. amanhã vou copiar um trecho de cada texto e comentá-los. assim começará o meu dia. vou ficando uma pessoa tão prática, um dia as coisas práticas ainda vão tanto me comer que vou escrever a lista de supermercado de amanhã aqui:

*limpa tudo
*carne
*courgete ou gourgete (abobrinha)
*arroz para risoto
*

antes mudei a casa toda de lugar. o varal ainda tá no corredor. minha toalha lambeu o pó quando ele sem querer se dobrou. deixei lá. tudo jogado. no fim de semana ele me mostrou como é que gosta da toalha pendurada. reli tudinho que tinha quê. amanhã tem também o capítulo sobre o futuro. e quando resolvo me deitar levo a era dos extremos - o breve século xx 1914-1991 pro redor da minha cabeceira, pra ler antes de dormir. acho que quando alguém considera leitura prévia do sono a história do século xx - - - algo inominável que eu ia dizer aqui - embora nem sempre ande considerando o sono aquela onda fácil - - não sei onde vai é que vai dar o relaxamento, ô vem cá, meu perigo. atroz,
pensei numa exposição que revelasse todos os negativos
lado a lado cabeça a cabeça os últimos rolos da minha vida
mas daqui uns quatro anos
ou mais ou menos.

pedem de mim definições: é a poesia moderna.

quem me chama de casa sou eu mesma. neste frio alucinatório. 
o amor vai bem, obrigada. ontem assistimos fanny och alexander.
passei o dia todo de hoje vendo o filme nas minhas retinas leitoras. 
ele estava com a pressa de quem está com frio. eu com o trabalho de quem tem prazos.

sou incapaz de tantas coisas. mas desta não sou.

meu sangue latinu-u u uuu.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

cabrum

chucrute inter-estelar
they were trying to contact the brain spirit
deu nisso

agosto de 2008

sou só eu que acordo todo dia como se estivesse crua?
paulinho é incapaz
de fazer susto numa mosca
de roupa azul vai descendo
paulinho quando tem fome
paulinho antes quer dormir

da série: relatos de um dia útil

tirar o som do computador
passar pelas caixas do corpo
entre os fios que se amarram nas pernas da mesa
encontrar a boneca do tamanho de um dedo
que meus pais me deram de um museu californiano
ou chileno - convidaram meu pai para ir a kyoto
mas ele disse que não, que eram muitos papéis
ontem ouvi 4 discos do zeca afonso em seguido
e quando encontrei a boneca por dentro dos fios
a boneca branca que parece que é grega
de tanto que me olha a boneca branca
me acalma, como a música do zeca que tocava
naquela hora que já era hoje
e eu já tinha ido ao supermercado
continuava sentando na cadeira torta
arredia a qualquer espécie de obrigação
mas agora com a boneca de volta
em cima da mesa
eu com a coluna torta
o zeca no último acorde

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

cavalos cavalos entre os nossos reparte

"O sentimento de profundo bem-estar que a árvore sente subir das raízes, o prazer de saber que não se é um ser puramente arbitrário e fortuito, mas que se vem de um passado de que é herdeiro, flor e fruto, e que por este motivo se está justificado do que se é, a isto podemos nós chamar hoje o verdadeiro sentido histórico.

Sem dúvida, não é o estado mais favorável para transformar o passado num puro saber." 

disse o Nietzsche em "Considerações Intempestivas"

você tem/ você tem/ que me dar/ seu coração

aquele que vem antes nunca chegará depois

Ânimo de Poeta.
[Segunda versão]

Pois não são todos os vivos teus irmãos?
Não te alimenta, posta a teu serviço, a própria Parca?
Avança então, sem armas,
Vida fora, e nada receies!

Bendito seja sempre para ti o que acontece!
Abre-te à alegria! Que pode, afinal,
Fazer-te ofensa, coração? Que coisa
Atravessar-se no caminho que é o teu?

Pois desde que o canto se soltou de lábios
Mortais, respirando paz, e a nossa melodia,
Bálsamo na dor e na fortuna, alegrou
O coração dos homens, também nós,

Bardos do povo, nos sentimentos bem entre os vivos,
Onde muitas coisas convivem, alegres e a todos dadas,
Abertas a todos; assim é
Nosso antiquíssimo pai, o deus Sol,

Que a pobres e ricos concede o dia alegre,
Que no tempo fugaz a nós, efémeros,
Erectos nos mantém em andadeiras
De ouro, como crianças.

A ele espera-o, acolhe-o também, quando a hora
Vem, a sua maré purpúrea. Olha como declina
A nobre luminária, ciente de que tudo passa,
Descendo, imperturbável, pelo caminho!

Assim passe também, quando o tempo chegar
E ao espírito no mundo inteira justiça for feita,
A nossa alegria! Assim ela possa um dia morrer
Na plenitude da vida, e de uma morte bela!


[Friedrich Hölderlin em tradução de João Barrento]

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

a poeta então sobe
dez metros
cintila e EXPLODE.

um blogue serve

início de fim de ciclo. às vezes fecho os olhos e acho que é para sempre. é que estou escrevendo e escrever não inibe as pausas, antes, usa-as. fico fazendo um cinturão de dança ao redor de tudo. e estou triste por ser fim do mês e ainda não ter dinheiro pra comprar um caderno novo. aqui não posso contar aquelas coisinhas que se abrissem meus diários saltavam. sei que é ali que estão nascendo todos os caranguejos do mundo, aqueles que vão arrancar os olhos das coincidências e interpretá-las. que não seja como barro de mangue, 

fico pensando em um jeito do fim não ser sempre uma hecatombe, mas também as coisas precisam de pontos finais. e depois deles só se começa depois (estou falando de março, digo só pra que eu saiba ao reler).

é que eu processo quedas como saídas,
e saídas como entradas - estou longe e perto - viajo, te verso
e tem vezes que sou incapaz de reler antes de postar.

domingo, 4 de dezembro de 2011

um dia a gente chega

o que tem me impressionado neste amor é a capacidade dele de ser do mundo/ não meu, nem dele, nem de ninguém. meu amor, o amor é do mundo.

isto vejo nos teus olhos.
o amor não deixa desvios vingarem.
e, muitas vezes, o amor é a pura prática de desvios.

o amor quando a gente olha nos olhos e não é miragem
crocodilagem.

jagunçagem

saturno
conjunto a marte-plutão
sextil júpiter-netuno-mercúrio
oposto à lua
amigão

they're waiting



sábado, 3 de dezembro de 2011

vapor quando a jaguatirica abre a boca é de manhã

do limbo despertaram seis ameijôas amestradas faliram com a mariscada da praia de copacabana quando o tataravô português que certamente devo ter tido matou o primeiro índio. a morte é uma sorte dos meus ancestrais, eu ainda não a tive. não sei avisar a órbita dos planetas para que parem. noite dessas pari um acaso danado, depois percebi que era só a rua me deixando passar.

maria minha recente maria recebe um beijo.

acidente de estrelas inibe colisão entre duas árvores que se beijavam

um acidente de estrelas nessa manhã foi um acontecimento invejável em pleno espaço público. a galáxia já disse que vai tomar providências. ativistas de júpiter decidiram pela proliferação de novos cometas. na terra, as plantas ainda crescem.
 

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