sexta-feira, 27 de maio de 2011

corte

"você não sabia que dá azar comparar as mãos?"
do persona
eu tenho um corpo
grande e desimpedido
é nele impossível
habitar um só

roubo de quem passa
um mistério, todas as composições do amor
e o encontro

(estou impressionada com
as capacidades do meu
pescoço tentando falar
a um outro: juventude
                  precariedade
                  amor.
não te esqueças nunca.)

o cheiro de cebola nas mãos
não explica porque há meses
não choro

            (sou incapaz de fazer o necessário).

e como um resto de unha
não respeito o apêndice
(quero colocar tudo no corpo)

estou colocada
na lembrança
do nada.

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