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sábado, 17 de junho de 2017

Touro


faz mais de um mês que estou pra postar este texto sobre o signo de Touro. e ainda farei uma piadinha capricorniana (que sou): "é que Touro demora". demora porque tem que acumular força, desejo, ímpeto, até agir e avançar com toda a sua intensidade. densos, estáveis, são tão capazes de enfrentar qualquer coisa como de adiar o enfrentamento de cada coisa o mais que se possa. Touro é capaz de mover uma montanha depois de ter se tornado a própria montanha.

signo de inércia, Touro se sente tão bem no seu estado montanha como quando dispara feito trem-bala. a dificuldade para Touro está na transição entre um estado e outro da matéria. signo de Terra, Touro divide com Virgem e Capricórnio o domínio da matéria e da sensação. Touro é a matéria mais jovem de todas, Touro é a aparição do corpo e de todas as sensações que um corpo é. freio para o exagero de ímpeto de Áries, Touro medita a plenitude das coisas, sendo o ápice da primavera no hemisfério norte.

se Áries é o "eu", Touro é o "meu". assim como Áries, Touro tem vocação pra ser do próprio jeito sem nem sequer observar o ao redor. redor? isto lá é coisa que Gêmeos vai inventar com a linguagem, Touro é o reconhecimento do corpo, este ser vivo cheio de vontades, desejos e imperativos. o ao redor pra Touro é o que pode estabelecer ligações de posse e sensibilidade para o seu eu, o corpo. pragmáticos, simplificadores, taurinos podem ser tão refinados quanto sintéticos.

auto-centrados, sim, egoístas, muitas vezes, os taurinos criam vínculos com a matéria ao redor pra que ela confirme e forneça a energia da sua força. são primários como uma criança, pois o mau humor (que por vezes neles torna-se uma constante) quase sempre é fome ou sono. ao mesmo tempo, quando amam, quando são amigos, taurinos podem fornecer toda a energia que têm para amparar, sustentar, dar chão para alguém. tem uma força de trabalho, amparo e firmeza incomparável.

há quem diga que eles têm a força do boi, que podem carregar qualquer coisa que desejem atrelada no pescoço. mas quando não querem empacam, são inamovíveis. tentar, por exemplo, convencer um taurino a mudar de ideia é o mesmo que pedir pra que uma montanha se mova. vibráteis, taurinos podem ser delicados como uma flor de camomila tomando sol e brisa, como podem ser brutos como a pata do Touro que esmaga a flor sem nem sequer vê-la.

sensuais, passionais, obsessivos e cheios de segredos como seus antagonistas complementares (os escorpiões) taurinos são muito menos emocionais do que estes, mas Touro também é sensibilíssimo às atmosferas e aos ambientes. talvez seja por isso que procurem e conheçam a priori o que é beleza, o belo. em Touro beleza e conforto são uma mesma coisa. esta simplicidade é, sem dúvida, uma das sabedorias de Touro.

Touro bem vivido está sempre rente ao nutrir-se de prazer, taurinos costumam ter o paladar exigente, conheço alguns que cozinham como deuses, e que também podem saltar da calmaria ao nojo com algum cheiro incômodo, um alimento mal feito. são exigentes com o prazer e quanto menos plácidos estão, mais aversões encontram. pessoas com ênfase no signo de Touro podem ficar viciadas pela avidez das sensações e aí passarem a vida a sofrer de incompletudes ou a se estourar pelos excessos de permissividade, a letargia do prazer. são, com ênfase e vitalidade, uns exagerados.

regidos por Vênus, muito se fala da sensibilidade de Touro que pede com que tudo na vida tenha o ritmo que o corpo mandar. é por um respeito ao ritmo orgânico, que taurinos ficam tão contrariados quando pedem pra que eles se apressem. Touro é ritmo. é também a vibração das cordas vocais, Touro é a voz, a garganta. essas áreas de desejo.

é o signo da minha Lua, sou casada com um taurino, tenho dezenas de amigos de Touro e, curiosamente, um punhado de ex-amigos de Touro também. como uma anedota biográfica conto que sempre que espero meu marido pra gente sair (o que acontece toda vez que a gente sai), primeiro me incomodo por estarmos atrasados (sozinha eu nunca me atraso), depois de muito observar me lembro como ele é bonito por estar só colocando o ritmo real do tempo nas coisas. que métodos, adeus calendários, pra que relógio? o tempo da Terra, o tempo está na matéria do corpo: Touro.

é fértil, constante e fecunda, a Terra de Touro.

domingo, 7 de maio de 2017

Áries



gostaria de ter postado este texto enquanto o Sol ainda estava em Áries. mas 15 dias atrás eu estava derrubada pela força da juventude da minha nova vida. coincidentemente, tinha acabado de acabar o trânsito de Urano em Áries quadrando o meu velho Sol em Capricórnio e eu estava de rastros, literalmente de queixo caído com a quantidade de novidade do atual.

aprendi e aprendo muita coisa com Áries. a reconhecer o que é simples pela sua unidade, a não me preocupar tanto, a ligar o foda-se, a fazer sem entender. também aprendo algo que nunca sei o que é, porque quando me atenho a observar, já é um novo instante. Áries é ágil.

Áries o intempestivo, o imediatista, o fogo do princípio, sempre a começar. de novo. e de novo. com seus dons enérgicos, vitais, agudos. o Carneiro é a faísca do zodíaco, existem aqueles que são um fósforo, riscou acendeu e ariano que se preze vive na base do bateu levou.

costumo brincar, em leituras de mapas de pessoas com ênfase em Áries, dizendo: "na vida você vai passar dez mil vezes pelas mesmas coisas achando que é a primeira vez . os conservadores ao redor vão te dizer: 'mas você não aprende?' — e faço a sugestão de que respondam: 'aprender? pra quê? se é sempre a primeira vez!'". e lá vai Áries, dar de cabeça nas coisas. Áries rege a cabeça. li certa vez que isto é porque a cabeça (costuma) sair primeiro no encaixe entre bebê e mãe na hora em que se nasce. Áries está sempre nascendo.

e com que integridade! íntegros a si mesmos, poucos signos são tão associados às noções de rebeldia e descontrole perante às normas. é que Áries está muito antes de qualquer regra, os Carneiros ainda nem passaram pela sensação de ser um corpo que virá em Touro, e assim estão bem antes da linguagem de Gêmeos. antes da sintaxe, os Carneiros estão pra fora de qualquer regra e toda pessoa de Áries se envaidece quando ouve dizer: você é instinto. e instinto, todo mundo sabe, é o imenso componente do desejo. calor e humor.

imperativo desejo, Áries é a morada diurna de Marte. sensuais, sexuais, arianos são vitais. serem regidos por Marte dá em alguns belicosidades descontroladas, ou em artistas do lutar em movimento, a audácia de guerrearem guiando uma biga carregada pela força de dois cavalos: o condutor Áries é cada faísca do animal que é e que age antes mesmo de pensar. às vezes eu acho que Áries sente tudo diretamente no sangue, e quem duvidar lembre-se da última vez que viu um ariano sair do sério.

que se deixe a alteridade para o seu oposto complementar, que Libra procure a harmonia, o que Áries tem não é preciso procurar. existe, está e é: o oposto do outro: Áries é o eu. o tão-único-e-somente-eu-mesmo Áries é uma criança, uma criança antes da intrusão de qualquer sociedade. antes das normas estão as demandas, arianos são capazes de fazer tudo sozinhos e do próprio jeito (e prezam a independência como poucos) e podem ao mesmo tempo ser tão sozinhos quanto demandantes. quanto mais incivilizado é um ariano mais ele parece uma criança carente de atenção e quanto mais carente um ariano está, mais incivilizado ele será.

aventureiros que desconhecem o risco ou que fazem do risco o combustível da sua jornada. enquanto outros calculam, Áries já foi. Carneiro abre caminho. embora Peixes seja a antena da espécie, o insight também é ariano. velozes, radicais, conquistadores. são o fogo do princípio, o louco na beira do precipício, o começo, o acesso, o aceso, o primeiro. a ingenuidade os protegerá.

únicos, afiados e singulares, arianos podem conhecer como ninguém a margem que há entre o egoísmo e a integridade. belos questionadores são os arianos que indagam: eu quem? e olham pra si mesmos de forma a encarnar o prisma de instantes que são. quando gostam de si mesmos e se observam na multiplicidade de instantes que são, arianos reluzem algo tão genuíno como a descoberta do fogo.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Peixes

desde que o sol entrou em Peixes, sem pensar muito claramente fui deixando fluir este texto. acabo por escrevê-lo neste domingo, num momento em que tenho espaço emocional & acabou de acontecer a lua cheia no eixo de oposição complementar que Peixes forma com Virgem. coesão e silêncio, purificação e prazer, dispersão e rigor estão conversando nos céus. pelos vistos para escrever sobre Peixes eu precisava mesmo de um dia em que êxtase e critério estão em questão como hoje. Peixes têm isso: ritmo.

com seus irmãos Câncer e Escorpião, Peixes é um signo de água, signo portanto de emoção, comoção: mutualidade. mais que mutualidade: comunhão: onde os ritmos de dentro e os ritmos de fora da gente são uma mesma coisa. isto também é algo que nos ensina o signo de Peixes. porque, verdadeiramente, sinto que nós temos todos o que aprender com eles, os últimos, os derradeiros, os que passaram por tudo e que são tudo e (ao mesmo tempo) são o vazio. mas não é preciso se curvar para aprender algo com Peixes, nem eles precisam formular opiniões, métodos e verdades como seus primos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário) passam a vida a fazer. é caso de simplesmente se aproximar e deixar fluir, intuir, sentir. sensibilizar, contaminar.

se Peixes se aproxima, encosta e revela sua capacidade de mutualidade imediata. "minha especialidade é a metamorfose" alguém pisciano poderia dizer com afeto, enquanto foge da sua incapacidade de separar as próprias coisas e os problemas dos outros das próprias questões. personalidades piscianas estão sempre a fazer algo pelo outro e às vezes sem nem perceber. muitas vezes é bondade, às vezes é indulgência, ou inconsciência.

podem fazer isso pela compaixão intrínseca que carregam, uma compaixão por vezes sofredora como a de Cristo, em outras liberta como Buda; ou podem fazer pelos outros (perigo!) por uma alienação da capacidade de decidirem o próprio rumo, ou de se aperceberem das próprias sensibilidades. Peixes é tão sensível que às vezes para descansar de si procura anestesias. é compreensível, mas nada é mais perigoso para Peixes do que deixar de sentir.

pessoas com ênfase no signo de Peixes têm que se proteger. corpo/espírito/mente/emoção são uma mesma coisa. seja brisa ou furacão todo movimento ao redor altera os fluxos das ondas, e Peixes está sempre no plural: indo para múltiplos lados. e Peixes que não encontra a própria força de vontade é mais perigoso que rodamoinho no mar.

não quero dizer com essas coisas que piscianos não possam ser bravos. suas altíssimas capacidades de aceitação e perdão vão até depois do depois do perdão, mas uma pessoa de Peixes que seja invadida ou tomada pela revolta pode fincar seu tridente como o mar que avança sem nunca retroceder. tsunamis, mares de ressaca, fúrias sem sentido muito aparente que arrastam tudo o que não quer ser levado. Peixes leva. e embora leve raramente em fúria, Peixes mais naturalmente leva tanto que pode até ludibriar, a lábia da sua postura conciliadora, redentora e/ou de sedução.

sedutores e dramáticos. como sofrem em silêncio, como sofrem em lágrimas. sofrem. e Peixes precisa escutar o próprio sofrimento. precisa aprender a ouvir e a cuidar de seu corpo/espírito/mente/emoção pra não ficar só no blue blue blue, sozinho no fundo da escuridão do mar.

mas Peixes também precisa de alguma solidão pra se recompor, pois em qualquer ambiente Peixes é a antena e a esponja. a capacidade de absorção pisciana é do tamanho do mar inteiro. com isto, Peixes precisa buscar nitidez e algo me diz que o modo de consegui-la passa por criar consigo mesmo a mesma mutualidade que tem, sem mediação, com o fora. Peixes não tem filtro. Peixes tem e precisa de vida interior.

muitas vezes que vejo piscianos sofrendo e desesperados tenho a impressão de que eles não estão exatamente confusos: estão poluídos, contaminados. com isto, todas as formas de cura energética, das psicologias às massagens, das meditações aos xamanismos, isto sem falar nas práticas espirituais sagradas ou não, os processos simbólicos, as festas onde os egos se perdem, os êxtases reveladores das alterações da consciência, todas podem ser recomendadas e serem proveitosas para Peixes.

mistério sempre há de pintar por aí e Peixes têm sempre sempre sempre que limpar, purificar. e quando fazem isto: que calma e paciência antiga possuem de espírito & alma. porque, claro, se há signo que tem espírito e alma, este signo é Peixes. Peixes abarca, Peixes é o colo de Iemanjá.

isto pra dizer que de modo algum a limpeza pisciana se dará de modo higienista e criterioso como seu oposto complementar que é Virgem. Virgem cria meios e modos, Peixes é a entrega à perda de conceitos e às vezes isto mesmo, um pouco de caos ajuda Peixes a se encontrar. a convivência tranquila com sua mutualidade a tudo, às vezes é o suficiente para fazer com que um pisciano se purifique. sendo ambos os signos da cura, Peixes divide com Virgem o eixo da medicina, e com esta responsabilidade certamente é importante que Peixes se firme no espaço-tempo do próprio corpo, mas isto dificilmente se dará por alguma via rigorosa, restritiva. mais proveitoso é acalentar, acolher a própria sensibilidade. Peixes é sensibilidade. é a dança.

signo de silêncio e de escuta, Peixes é música, os poros abertos, os pés ágeis. Peixes ouvem com a pele e muitas vezes se tem o costume de chamar a atenção dos piscianos por eles perderem o contorno da realidade, seja através de drogas, das artes, da loucura. sempre na borda entre o lá e cá, a supraconsciência do delírio, os escapismos, as fugas, as imaginações: Peixes é suscetível. também ao medo de se perder na imensidão. que desespero, mas desconfio às vezes que Peixes se perde para compor-se, para compor.

provavelmente exagero de afeto: mas Peixes parece mesmo inclinado ao poético, a uma capacidade lírica de articular sentido e emoção, imagem e transcendência. com meu ascendente em Peixes e sendo neta, tia, irmã, nora e melhor amiga de cardumes de piscianos sou suspeita, sou por eles encantada. mas quem resistiria? não é o que fazem com todos que se entregam a sensibilidade?

às vezes entendo que a gente vive numa sociedade sistemática e rígida demais para Peixes. quantas vezes atendo piscianos diagnosticados com rótulos diversos, dos psiquiátricos aos espirituais, e tenho a impressão de que nenhuma tarja dará conta de explicar a um pisciano a sua própria sensibilidade. é preciso muito convívio e cuidado. e às vezes acho mesmo, que em termos sociais, temos muito o que aprender com Peixes, enquanto eles correm cotidianamente o risco do descontrole pessoal ou de servirem de epicentro para os sintomas sociais. signo de somatizações, se algo não vai bem em corpo/espírito/emoção todo o sistema cai, seja em doenças psíquicas ou em problemas de imunidade.

dotados de humor como todos os signos mutáveis, a mesma dispersão que às vezes atravessa seus calendários é a diversão que consagram, por não terem medo da falta de sentido, tudo está tão interligado que também são capazes de dar sentido a tudo. são os reis do nonsense. e quem diz que Peixes é desligado não sacou nada. estão é ligados noutra respiração, seja a própria, seja da consciência vegetal ao lado, a observação de um chacra ou de um cartão postal. Peixes viaja.

um dos signos ligados ao êxtase, Peixes é a falta de fronteiras entre os corpos, os planos reais e imaginários da vida, o que não faz sentido pra Peixes é tentar controlar as sensibilidades em certo e errado. Peixes pode nos ensinar que se tratarmos as coisas objetivamente chegaremos cansados de tanto pensar. e que pensar ainda não é sentir. ou seja: relaxa.

Peixes atravessam todas as finas camadas das energias vivas, penetram fluidos em cada sensação e sentem, sentem a existência de cada ser (i)material dos espaço-tempo. e fazem tudo isto de modo passivo, quer dizer, sem perceber que são atravessados por tudo que atravessam e travessia, travessia: Peixes são os vínculos, os transmissores da simultaneidade.

todo Peixes é uma coragem rara, uma coragem terna e delicada: a coragem de ser sensível.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

aquário

me surpreenderam algumas mensagens que recebi pedindo pra que eu escrevesse sobre o signo de Aquário. quiçá esperasse isso dos primos leoninos, ou dos irmãos librianos, mas um aquariano pedindo pra ler sobre si? é quase uma contradição em termos, dadas as populações inteiras que vivem num só indivíduo deste signo.

entendo Aquário como o signo dos muitos povos que nos habitam e que coexistem em simultaneidade. dos muitos povos por vir. vejo como se Aquário pegasse a raiz da ancestralidade escorpiana, transformada em tradição por capricórnio e, virando-a de ponta cabeça, noves fora o futuro a transformasse numa antena. o que deve ser transmitido é transbordante pelo ar: o que no pensamento é suficientemente coletivo pra que seja nítido entre todos.

também associo Aquário a um fio de nylon. pra além da tecnologia envolvida, o nome "ny-lon" é uma aglutinação das iniciais das capitais de New York and London. Aquário é a força de um fio que pode ser estendido da Inglaterra aos Estados Unidos e não arrebentar. e toda a ideia é tecida no invisível, afinal Aquário não é bem um fio de nylon: Aquário é onde já não é preciso a matéria de um fio. pra que situar-se na matéria se com ela Capricórnio já envelheceu tudo com suas normas? no pensamento e nas consciências não existem fronteiras, e Aquário são consciências juntas sintonizando utopia e liberdade.

capazes de aglutinar as mais diversas facetas numa só personalidade, um só aquariano seria capaz de ser caçador de capivaras mas só comer alimentos veganos, ouvir black metal e ser Ogan iniciado filho de santo, um curioso colecionador de borboletas e alfinetes. Aquário é um signo que dá tanto em místicos objetivos como em físicos esquecidos, podendo ser ambos ao mesmo tempo. estes seres melancólicos e bem humorados, radicais e controladores, misturas que Saturno e Urano, que Aquário tem por regentes, compõem.

sendo um signo altamente mental, Aquário tende a certa aridez afetiva na compreensão das emoções. o espaço mental de um aquariano é amplo como um deserto, os lúcidos são luminosos, sempre cristalizando o conhecimento de algo. fortes presenças de Aquário podem se esquecer das tripas que também somos, como se pudessem se ausentar do coração amplo que reina em Leão, do intenso baixo ventre de Escorpião e da voz na garganta do desejo de Touro e partirem pra cima consolidando com conceitos do que é o livre, do que é o novo, aquarianos são teóricos. passam por questões dos signos fixos, certamente, que têm aprendizados nas diferenças entre a teimosia e a obstinação, a duração e a solidez, a conquista e a imposição.

Aquário vem antes da liberação total e compassiva pisciana, muitos aquarianos são controladores que deixam os outros fazerem o que quiser. agora, quando mais que isto, quando permitem a si mesmos, quando Aquário dá pra aceitar o ser único que é, é cada vida que daria um romance! e como se divertem mais em viver quando ligam nas suas tecnologias um botão de não-estou-nem-aí pra isso de ser ou não ser único. aí Aquário pode se desvencilhar do narcisismo do eixo que forma com Leão e de brinde ainda ganha por escapar deixar de se sentir incomodado na sua insegurança.

Aquário é onde o Sol tem seu exílio. conversando com pessoas com fortes presenças aquarianas sempre sinto que há algum lugar naquela pessoa que é de vidro. quebram-se muito mais facilmente do que deixam transparecer e suas elegâncias e levezas podem ocultar mais nervosismo do que aparentam. quando deixam autoritarismos e autoridades de lado, são sensibilíssimos em suas compreensões e leituras do mundo, articulam capitais imaginárias entre todos os povos, são requintados nas artes de nos relacionarmos uns com os outros.

costumo brincar com meus amigos aquarianos dizendo que Aquário é o único signo do qual eu não entendo e que eles são os únicos do zodíaco que ao ouvirem um comentário como este podem se sentir contentes, elogiados, bem interpretados.



terça-feira, 10 de janeiro de 2017

leão

 
 
o homem que (talvez) mais tenha me amado na vida era do signo de Leão. só quem já foi amado por um leonino saberá o que quero dizer com isso. leonino quando ama, não tem o mistério dos seus primos escorpiões ou a necessidade de toca dos caranguejos. Leão? ama.

afinal Leão é regido pelo coração, eu sempre que leio o mapa de um leonino atravesso a metáfora do coração, quer dizer, bato palmas, batuco na mesa ou no peito, para lembrar: o teu estímulo vem do plexo solar. são luminosos, radiantes. nobres. e acreditam nisso.
 
entendo que Leão é sim, o canal em que a luz atravessa o mundo, e alguns leoninos confiam tanto em si mesmos que a ingenuidade os circunda, afinal Leão que quer buscar a luz do mundo pra ser só sua, morre ao vento, mas façam o que quiserem, pois são animais livres para exercerem o seu reinado. mas alguns, de tão fixados em si mesmos, quando bate um vento de mudança, tem leonino que morre engasgado pela própria juba. alguns os vão chamar de metidos, mas até disso, na imagem que fazem disso, um bom Leão há de se orgulhar. do olho misterioso, da boca que ruge grave.

dos fogos o fogo de Leão é a chama, incessante, ardendo, ardendo e ardendo. a arder. Leão é a força de vontade que sabe se concentrar sendo também instinto. certamente, pela roda do aprendizado que estabelece com Áries, o mais novo e Sagitário, o mais velho, Leão, signo fixo em seu meio, é o estabelecimento de uma estação. Leão é o centro do verão no hemisfério norte.

tem Leão que sobe caminho, faz da luz o que luz é: criação. afinal é o signo da criatividade, Leão veio ao mundo criar a partir do seu próprio peito coisas que carreguem a luz que leva no coração, coisas que importem na sua continuidade, de modo a irradiar da vida o que só a vida tem. leão não gosta da morte. Leão quer aumentar tanto a prole que conquista as felinas e felinos ao redor, mas se pular a cerca, fará convicto de que isto é a sua verdade, a sua natureza, de um modo semelhante a aquário que se conecta captando teorias que estão no ar, Leão descobre a verdade sintonizando com o próprio peito.

luz, verdade de Leão, é se estabelecer naquilo que faz seu coração bater como um tambor. prezam a honra, a lealdade, a confiança. alguns podem aparentar excesso de confiança justamente porque não a tem. afinal, nada é mais difícil do que ser si mesmo, e Leão, vivendo bem consigo, o consegue, pois o é.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Virgem




antes que a primavera chegue no hemisfério Sul, com a entrada do Sol no signo de Libra, quero cumprir o prometido, também pela minha gratidão ao signo de Virgem e aqui me ponho a escrever algumas coisas que sei e que tanto aprendo com este signo mutável.

Virgem é um dos signos responsáveis pelo manejo da informação, partilhando com Gêmeos o regente Mercúrio. diferentemente do primo mais novo, em que a alteridade é um tênue fio em que se caminha no equilíbrio de não se diferir entre o bem e o mal, ou a verdade e a mentira, Virgem lida com a informação de modo a diferenciá-la, torná-la útil, construtiva e organizada.

é por isso que a astrologia de memes de internet entende que Virgem seria viciado em tuppewares e obcecado em ter as coisas todas bem encaixadas, controladas. muitos virginianos coincidem com essa simplificação, mas outros tantos, não. provavelmente aqueles que não têm obsessões com a organização da matéria ao redor, estão preocupados em organizar o pensamento, a consciência, primeiramente de si mesmos e dos que estão ao redor. Virgem é cheio de concatenações. de métodos que vão apurar os gestos e de gestos que vão apurar os métodos.

Virgem é uma ponte entre 5 os primeiros signos do zodíaco em que as questões são mais primárias, corpóreas: nascer, comer, falar; e os outros 6 signos que lidam com questões abstratas, conceituais. dizem que é por isso que Virgem cuida da saúde, do corpo físico, do cotidiano, porque só com muito trabalho e cuidado é possível perceber o que é importante no corpo a ponto de tornar-se espírito.

trabalhador, trabalhador e trabalhador, Virgem numa fábula como a da cigarra e da formiga provavelmente seria a cigarra e também a formiga, porque sabe que todas as formas de trabalho produzem resultados úteis. se é produtor de instrumentos, Virgem é em si uma caixa de ferramentas, onde se encontram as funções de chave de fenda, pinça, peneira, escada, martelo, bandeja, tapete. e se é necessário para Virgem servir, ser útil, funcional, Virgem que cuida de si tem que prestar atenção a servir e ser só os instrumentos que realmente desejar. alô, Virgem! cuidado com quem te vampiriza.

desde pequena tenho sempre um ou mais virginianos ao meu redor, e é por isso que brinco dizendo: "tá em dúvida? consulte sempre o seu virginiano favorito". mas cuidado, tenha respeito com seu Virgem amado, porque eles podem resolver tudo por você, sobrecarregando-os ao ponto deles se sentirem tão úteis quanto usados.

se a palavra chave de Virgem é crivo, a pessoa de Virgem que não cuida de optar pela delicadeza nos seus critérios e pela despoluição da sua imensa capacidade mental, torna-se o vulgar "cricri", intolerante, arrogante com seu saber precavido. o problema aí não é nem só a fama de chato com o pessoal ao redor, mas é que a medida cuidadosa que Virgem tanto procura, torna-se desmedida e aí Virgem perde-se naquilo que mais teme: a indiferenciação, o indistinto, o pouco preciso.

dos signos de Terra, Virgem é aquele que vem entender e mostrar que rosas são diferentes de samambaias, que são diferentes de coqueiros e estes não dão amoras. tudo que tem substância pode ter utilidade, e Virgem parece às vezes um botânico coletor de amostras da vida para seus cadernos. tive um grande amigo de Virgem que na adolescência listou todas as catástrofes naturais que tinha conhecimento. um tsunami é diferente de um terremoto, e conhecer a vida é organizar a sua reverberação. Virgens são abençoados pela existência da multiplicidade. tem tanta coisa no mundo e Virgem é quem conhece todas. e como seu intelecto é também sensóreo, Virgem entende.

no entendimento, Virgem divide com Peixes o eixo da medicina, o que o torna responsável pela limpeza, pela higiene e acima de tudo, Virgem é o signo da purificação. muitos astrólogos o associam à figura da Virgem, Maria. e já cantava a canção que "da flor nasceu Maria e de Maria o salvador".

humana e divina, a associação com a Virgem traz também a marca de Virgem ser o signo da bondade. os virginianos que encontram a natural bondade que há em si, a carregam como um amuleto e parecem irradiar uma luz diferente, luz que purifica.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Saturno

grande parte das pessoas que procuram meu trabalho como astróloga estão muito fascinadas, amassadas e/ou erigidas por Saturno. tem gente que não pode nem ouvir falar dele que se recolhe, ou melhor, endurece.

entendo Saturno como o eixo, a linha invisível. Saturno é também a nossa moldura e ela despenca quando os remendos que a gente coloca na gente mesmo estão excedendo os limites da nossa integridade.

sendo um dos senhores do tempo e por excelência o velho, aquele que ensina, que cria a disciplina, Saturno é antes e depois de tudo um mestre. mas não se enganem, Saturno é onde precisamos descobrir a nossa capacidade de disciplina sem que esta seja regida pela normalidade social. Saturno não tolera os desleixados com o próprio caminho e amedronta os cumpridores de papéis.

cumprir um papel social é uma das máscaras de Saturno, que pode, ou não, vestir bem na nossa cara a ponto de nos identificarmos com ela, mas também pode se tornar uma armadura que criamos para nos defender do medo de não correspondermos. mas correspondermos ao quê? à fantasmas, projeções das nossas imperfeições que nos avaliam? ou a crueza radical da integridade? dizem que as coisas quão mais rentes dos ossos mais doem.

Saturno não perdoa ilusões. é uma espécie de ajuste de contas de nós com nós mesmos. assim, Saturno traz, muitas vezes, frustração, uma sensação constante de que precisamos cumprir com alguma coisa e que não vamos dar conta. e a gente só consegue cumprir o necessário quando nos livramos do excesso de peso de ter que cumprir. e aí, simplesmente, com o pouco limitado que cada um de nós é e pode, fazemos.

Saturno é dos ossos, das articulações, da pele. sendo a estrutura, facilmente é rígido e por isso costumo lembrar às pessoas saturninas que conheço o que tantas vezes diz o I Ching: que o rígido quebra enquanto o flexível entorta. seja como o bambu que balança com o vento sem se fraturar.

é a fronteira, Saturno. aquele lugar que se atravessarmos não sabemos o que será encontrado. onde não queremos que ninguém entre. e quando atravessaremos a fronteira, embora com medo, descobriremos quem somos. Saturno é a impossibilidade de se fugir de quem se é. costumamos carregar coisas demais, muito mais coisas do que precisamos e, assim, Saturno vem com a sua foice ceifando, porque menos é mais. a gente se sente perdendo alguma coisa, mas no fundo vamos ficar mais leves, mais precisos, só com o necessário.

costumo dizer que Saturno é um trilho e é por isso que em trânsitos intensos dele a gente se sente meio que arrastado pela vida. a intensidade em quilômetros ou metros desse arrastamento vai depender de quão longe/perto se está de si mesmo. mas não é, veja bem, uma questão de mérito ou culpa, é uma questão de responsabilidade.

sendo uma nuvem de chumbo, os por ele atravessados costumam chegar com uma epígrafe ao lado "os ombros suportam o mundo". a melancolia muitas vezes pode levar ao sofrimento naquele lugar onde Saturno está. a nuvem de chumbo também é uma imagem que eu uso pro luto. Saturno encerra, delimita, poda, finaliza. a nuvem de chumbo chove, desce pelos nossos ombros, atravessa os joelhos e pela sola dos pés nos enraíza ao chão do que somos. e eu diria: é mais prudente entrar descalça em si mesmo.
 
 

domingo, 10 de janeiro de 2016

capricórnio



ontem na minha festa de aniversário me perguntaram quando eu escreveria aqui sobre o signo onde o Sol astrologicamente se encontra em todas as transições de ano do calendário gregoriano: Capricórnio. para alguém de outro signo, talvez, esse pedido soasse como uma cobrança fora de ocasião; mas pra mim, que sou de Capricórnio, essa lembrança soa como uma confirmação: trabalho, por prazer & firmeza, este meu lugar no mundo e sou o que faço em qualquer momento da minha existência. que eu escreva, então, de ressaca ainda, enquanto a Lua nova se encontra em Capricórnio e eu ainda não fiz realmente aniversário.

dia desses eu conversava com meu sobrinho de 11 anos, que nasceu na véspera do Natal e que anda interessado em saber mais sobre o nosso signo. ele perguntou: "o que nos define?". eu respondi, na lata: "que nascemos velhos e vamos, aos poucos, descobrindo a alegria disso". ele ficou muito incomodado: "mas que graça tem isso?" e eu respondi "quando me disseram isso eu era mais nova do que você e também detestei. mas com o tempo você vai descobrir". e o lembrei do mesmo menino que ele foi, com 4 anos de idade, me dizendo que andava muito interessado em calendários.

o tempo é aliado dos capricornianos e é por isso que dizem que gostamos de agendas, calendários, compromissos porque, de muitas maneiras, Capricórnio tem a ambição de obrar todo o fazer (im)possível para possuir o seu poder. e o poder da Cabra-Peixe é dominar esse tambor de todos os ritmos, senhor das rodas que nos esmagam e nos constroem: o tempo.

mas o que é o tempo? a melhor definição por milênios é a de Santo Agostinho: que diz algo como: se não me indagam o que é o tempo, eu sei dizer; mas se me perguntam já não sei responder. como o tempo é muito maior do que um indivíduo, amadurecendo Capricórnio aprende que sendo o tempo um aliado, não se pode deixar que ele facilmente se torne um inimigo. não vai dar tempo de fazer tudo que a ambição deste signo quer colocar no mundo e, se não aprender a delegar e a conviver com os outros & os outrem (coisas nas quais Aquário e Peixes serão os mestres) Capricórnio arrebenta. e assim, Capricórnio aprende o que não desejaria: que, como todos, não nasceu pronto para nada. e aí, Capricórnio se torna.

isto porque Capricórnio facilmente vira um servo do tempo: como associa viver com sua imensa capacidade de fazer, Capricórnio pode se desgastar pelo tanto tempo que utiliza fazendo. Capricórnio também tem de aprender que embora o planejamento, a capacidade de antecipação e previsão sejam excelentes instrumentos, elas também não dão conta do imponderável que é viver. e aí Capricórnio nota que tem um rabo de peixe, quando percebe que o imponderável vai sempre mostrar que há uma grande ingenuidade em qualquer tentativa de controle. Capricórnio descobre assim carregar nas suas ambições a ingênua criança no seio da velhice, onde velhos e crianças são manifestações simultâneas da mesma natureza em seus ciclos.

os raríssimos capricornianos humildes que conheci não se vergam a nada nem a ninguém, mas com respeito se curvam ao imponderável dos acontecimentos, aprendem a se reposicionar conforme as coisas acontecem & reconhecem que dentro de todo velho vive uma criança que nada entende. a ingenuidade! fecunda mundos. e ensina o velho a rir de si mesmo. assim, os capricornianos são, antes de tudo, os alegres melancólicos do zodíaco. porque já viram, ouviram, reconheceram de tudo e, embora ainda queiram mais, sabem que sem podar, sem ceifar, sem limitar não há o que cresça, sem tijolos e pedras não há o que se faça para se construir uma fortaleza.

mas Capricórnio tem de aprender também que se preocupar, quer dizer, se ocupar com antecedência, não vai trazer um controle mais garantido pras coisas, pelo contrário, vai dificultar o rebolar do esqueleto da rígida estrutura em que Capricórnio se preveniu de tudo. diferentemente do seu primo mais novo, o cardinal Áries, Capricórnio tem que aprender a dizer sim ao que não imaginou como possível. dizer "não" é o caminho mais fácil para Capricórnio e, por isso mesmo, o mais rígido e sem experiências também.

Capricórnio também é a sociedade, o entendimento das regras sociais, das normas que regem a vida entre as pessoas. é claro que isto faz de alguns capricornianos regrados, medrosos, convencionais e também os maiores caga-regras que existem (sorry aos outros signos, mas esse troféu, esse topo também é nosso). mas também é evidente que o entendimento sistêmico das realidades sociais pode ser uma libertação: por reger a moral social, Capricórnio pode perceber que a variabilidade da vida é tamanha, tão ampla, que assim faça cada um o que quiser, a responsabilidade é de quem a tem, pois embora não seja tudo lei, todo ato e gesto lhe será cobrado/recompensado por Saturno, este nosso mestre-regente.

além disso, conhecer as normas e as regras com inteligência pode significar perceber, justamente, o que é preciso ser desmontado pra que a gente chegue na estrutura das coisas. pra citar, rapidamente, três capricornianos que fizeram disso as suas obras: David Bowie, Simone de Beauvoir, Gilles Deleuze. usando esses três casos de exemplo, outros podem dizer que Capricórnio está na frente do seu tempo, mas eu digo outra coisa: Capricórnio está tão fincado no seu próprio tempo, que suas raízes se aprofundam com firmeza na Terra.

por reger as estruturas, tendo a ver Capricórnio como uma alta árvore no alto do cume e, lá de cima, a velha árvore vai muito alto porque está muito ligada a profundidade das coisas. e aí, minha gente, as árvores sabem bem envergar com o vento, já a Cabra-Peixe tem que aprender a ter o que não tem: jogo de cintura.

Capricórnio é o ancião que se retira do mundo para entender o mundo. com sua metade cabra Capricórnio escala todas as montanhas, com seu rabo de peixe Capricórnio mergulha nos mais escuros dos oceanos. se é regida por Escorpião, a ancestralidade também é de Capricórnio, pois é este signo que conhece a tradição na sua estrutura, de tanto a trazer em si. e reconhecer o dom e o peso que isto é, é árdua e doce tarefa capricorniana.

gosto também de lembrar do capricorniano que foi Oswald de Andrade, que na sua autobiografia conta a chegada de um circo na cidade, no final do século XIX, com uma grande máquina de fazer gelo. o antropófago nos conta que todas as pessoas estavam em êxtase, impressionadas com aquela novidade, mas que ele, poeta de nem 10 anos, olhou o que nunca tinha visto (o gelo) e disse assim "mas eles estão impressionados com isto? mas é só isto?".

por ser o mestre da realidade, o problema da realidade para Capricórnio é que ela nunca será suficiente e, por isso, Capricórnio se coloca a obrar as coisas que não foram feitas, ou que não foram feitas suficientemente bem, quer dizer, as coisas que não são estáveis e nem duráveis. aí também o rabo de peixe do símbolo vem mostrar a natureza deste signo: ser híbrido, místico. místico? sim. é curioso que a astrologia moderna das revistas de comportamento tenha praticamente esquecido a ligação deste signo com a magia, dando muito privilégio a ambição capricorniana de possuir dinheiro. certamente o dinheiro interessa aos capricornianos, afinal o que é o dinheiro além do poder simbólico por excelência, de transformar um símbolo em matéria? e o que deseja a magia e a construção, o projeto e a bruxaria, além de transformar a realidade simbólica em obra?

construtor de pontes, sistemas de pensamento, castelos & masmorras, Capricórnio é o signo cardinal de Terra e vem utilizar aquilo que Touro gerou com sua fertilidade e Virgem selecionou com seu crivo. entendo que Touro é a matéria, Virgem a transforma em matéria-prima e Capricórnio a utiliza para fazer a obra-prima. de modo que seu espírito ganhe um brilho definido.

dizem de Capricórnio que, no limite, somos frios. certamente temos muito a aprender com a ternura do nosso oposto complementar que é Câncer. e eu acho que sim, somos frios porque somos práticos, e somos práticos por quê? oras, porque assim ganhamos o tempo. se haverá esforço? rigidez? bem, o que usaremos pra isto, fica guardado em sigilo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

sagitário



prometi, umas semanas atrás, que escreveria sobre Sagitário quando o sol estivesse nesse signo, o do entendimento. dia melhor do que o aniversário (hoje) de 70 anos da minha mãe, não há, afinal Sagitário nunca envelhece. ainda não tinha escrito porque passei os últimos dias tão entusiasmada que agora estou no reverso: esgotada pelo excesso de energia vivificada. o que fala, desde já, da natureza desse signo metade humano, metade cavalo. Sagitário atravessa.

o quê? os mundos, os altos & os amplos. na minha nada sutil opinião, Sagitário é o primeiro dos signos a lidar com a ideia de futuro, por isso lança suas flechas sempre no adiante, no porvir. é também aquele que sempre vai dar sua opinião, e as opiniões de Sagitário vem a galope, ou num trator. o que faz dos seus argumentos atraentes é que eles não são exatamente ponderados, são exagerados e embora isso, são completamente pensados de corpo-espírito. digo mais: são verdadeiros.

embora hoje em dia (quase) todo mundo saiba que as verdades são relativas, Sagitário às vezes se esquece, mas quando se lembra: amplifica, dinamiza. questionador: o lado mais aberto da maturidade sagitariana é dizer: se não sei a resposta, é porque ainda não sei qual é a pergunta. e pra saber perguntar é preciso o quê? viver: experimentar. e experimentar é aprender.

é por isso que ama o desconhecido. saber é viver.

entre os signos de fogo Áries é a faísca, Leão é a chama, Sagitário é a brasa. o fogo amansado e constante, firme brasa do conhecimento do fogo, que segue ardendo nas eternidades humanas: Sagitário cuida da filosofia, das religiões, das universidades. é um signo de mestres, de sábios, de juízes, dos implacáveis, de reis que festejam a estranha mania de ter fé na vida. se o Leão é o rei da floresta, Sagitário é o rei que veio do estrangeiro, rei dos guerreiros de espírito e fé. Sagitário, como Xangô, pega a coroa e coloca na própria cabeça. e tem, com isso, todo o mérito de conhecer que tem a dignidade de quem a tem.

se Escorpião mostrou que há algo do lado de lá, Sagitário vem entender o lado de lá de uma maneira menos profunda, menos pesada, mais ampla e entusiasmada. Sagitário também lida com o "outro", não no sentido da alteridade libriana, ou da coletividade aquariana, mas no reconhecimento de que há muitos outros possíveis: outros estrangeiros, religiões, pensamentos filosóficos. mesmo assim Sagitário não escolhe pelo arbitrário, mas pelo que faz seu fogo interior e vibrante, vibrar. provavelmente estou exagerando, mas acho que Sagitário é o signo que lida com as noções de cultura.

Sagitário é o signo que levanta o dedo pra chamar o outro daquilo que ele é: radical, inconformado, intransigente, pouco detalhista. Sagitário amplifica os entendimentos que Gêmeos, com sua curiosidade por tudo e Virgem, com seus critérios minuciosos, não alcançaram. se Sagitário esmaga com seus cascos as pequenas flores do caminho se posicionando com a brutalidade das patas, é pra melhor mirar o alvo das suas flechas bem atiradas pelo refinamento das suas mãos.

é curiosa a quantidade de vezes que as imagens que representam tal centauro mostram sua parte humana atirando uma flecha no sentido oposto ao que seu corpo de cavalo se direciona. penso que isto fala do aprendizado constante que a pessoa com ênfase em Sagitário tem de lidar: dar mútua alimentação ao seu instinto e ao intelecto. quanto mais alimenta seu instinto, mais Sagitário reconhece que a aprendizagem se dá pelo corpo; quanto mais entende filosoficamente a vida, mais animal a pessoa de Sagitário se torna. animal-humano, Sagitário alimenta-se de conhecimento e galope.

corpo & espírito são uma mesma coisa e a verdade é que Sagitário atira muitas flechas sem se preocupar se alcançou ou não o alvo. o alvo? é só um vulto que Sagitário deixa pra Capricórnio verificar. pra Sagitário é mais importante o caminho que a flecha faz até o alvo, o caminho de si mesmo a viajar pelas densidades da experiência, do que os objetivos fechados, o alvo rígido não interessa tanto como o que se aprende na sua conquista.

se Sagitário é signo do entusiasmo, lembre-se do velho sentido da palavra: estar entusiasmado é ter um deus em si.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

escorpião

Sol e Lua estão em Escorpião. amanhã é lua nova, e eu tento cumprir o que prometi pra duas amigas: escrever sobre este signo, que dizem viver em cio, mas que na minha experiência é fecundado por ser o cio oposto ao cio primaveril que é Touro, isto é, Escorpião é o terreno já pantanoso, em que o cio descobre que é fecundo pelo seu fim.

eu entendo Escorpião como o signo que lida com quase tudo que a singularidade humana não sabe muito bem o que é, seu limite e sua continuidade: a morte, a herança, o sexo, o ódio, o poder e, no limite, o dinheiro. pois são formas de transformação, meios de transição entre uma coisa a outra.

é o signo da dor também. naquele seu jeito de dizer equivocado, a internet diz que foi Drummond, que era do 31 de outubro, quem disse: "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional". Escorpião vive a dor como um veículo da própria potência. seja sofrendo-a e ficando destruído pela fascinação que sente pelo próprio veneno, seja utilizando o veículo da dor, a dor como meio de reconhecimento de que algo não está tão purificado como deveria estar, e assim: transmutar.

pelo que já percebi deste signo, se é o signo do segredo, é também o signo que, se não assume que é violento, sexualizado, poderoso, torna-se auto-mortífero. seja se colocando em escândalos pela facilidade de achar que tem o controle de tudo. seja achando que tem que ter o controle de tudo e assim não permite nem a si nem aos outros, nada. obsessivo e obcecado.

mas há uma outra via, mais inteligente. pois quando assume a violência, vira um estrategista, muitas vezes um pacifista, porque sabe quanto custa morrer. quando assume o sexo entende que ele se trata de uma ligação de mutação total, de um poder no outro e em si que na fusão vira um, e escolhe o sexo que quiser. quando assume que é poderoso é lúcido, paciente, vigoroso.

é o signo que aprende/ensina a necessidade de mergulhar num poço, onde a primeira camada é de água podre, a má água da mágoa, a inveja, o ressentimento, tudo que é podre e que Virgem não conseguiu, por sua natureza mental, limpar, e Libra não pôde medir nem mediar. Escorpião vem trazer a morte do abstrato, do fabricado, do racional, justamente porque é preciso entrar em contato com o denso, o irracional, o emocional.

o mergulho no poço são os processos de crise, mas se Escorpião fica nessa primeira camada do "podre" perde muita experiência na vida, pois quando atravessa essa primeira camada de água velha, Escorpião descobre que uns 90% do seu recipiente-poço-inconsciente é água cristalina, gelada e iluminada, ao mesmo tempo. água nova que é divina & dignifica.

tem gente que morre de rir quando eu digo que Escorpião é um dos signos ligados à pureza, ao límpido. morrer também, deve ser tão depurado em luz. ou trevas.

luz&trevas
sendo a mesma coisa, aliás.

Escorpião é água fixa e eu às vezes o vejo como um sabre de gelo, iluminado cristal por onde a luz atravessa e reflete, ao mesmo tempo.

"se a água fica suja a luz não a atravessa", ouvi uma vez dizer um xamã que tem o Sol em Escorpião no mesmo grau do meu Saturno.
 

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