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domingo, 8 de dezembro de 2013

sábado, 8 de junho de 2013

alforria blues ou Poemas do Destino do Mar





me esforço tanto pra não ser severa e ríspida,
muito mais pra não ser profissional
que nem coloquei aqui nesse delicioso caderno de rascunhos
as informações de venda do meu livro mais atualmente feito

na foto acima seguro o meu exemplar de "alforria blues ou Poemas do Destino do Mar", ligeiramente inclinado para que o sol ilumine a cratera lunar. cada capa é cada uma, que foram feitas pelo luís numa prensa antiga, que pode ser vista em funcionamento no vídeo feito pelo daniel.

pra comprar o livro temos alguns meios que se indicam no site das Edições Chão da Feira
mas aqui também ilustro os meios:
pode-se comprar pelo e-mail: livros@chaodafeira.com
e também são encontráveis na Livraria Quixote, em Belo Horizonte; na Intermeios Cultural, em São Paulo, na Gato Vadio, no Porto; e na Letra Livre e no Paralelo W em Lisboa.
pra além disso, quem deixar um comentário nesse blogue querendo um exemplar, deixe-o com o endereço de email que daí eu respondo e se combina o fazer dos escambos de papel simbólico por papel simbólico, 

domingo, 19 de maio de 2013

VIII

O que eu acho que estou querendo agora é tão delicado.
Não sei com quem falar disso.
O que estou querendo é tão delicado.
O delicado problemático. Sem volta.
Entendi que pra chegar tenho que dar outra, outra volta.
Mas não posso, meu corpo bom, trocar de terra mais uma vez.
Vou cair em todas.
Insuficientemente permeável à pele das cidades.
Não reconheço nenhum canto desta sala.
Com quem conversar o descanso?
Metade da vida é faxina. A outra metade?
Regresso do pó. E eu querendo algo
agora tão, tão delicado. De passar o vento.
Ou para sentir
só teria que pousar as mãos no pó
até vê-las brancas, espalmadas como um mar
que se instalasse sobre os móveis
mas um rabo de gato
meu dedo na boca
nervoso.
Estou no raio informe.
Se eu traçar uma circunferência estarei no raio do informe.
Do centro dela apita uma luz que ninguém vê.
Por onde, se mexe: é o que a luz diz.
Aqui também, tudo manda mensagens, significa.
Passou um barco que eu achei bonito.
Ele trazia também duas luzes.
Piscavam querendo dizer numa linguagem que não me comunico.
Mas alguém se comunicaria
com as luzes do barco.
Estou procurando um lugar de mim mesma que seja o campo de mim mesma.
Não preventiva.
Cansei de ser o princípio do cuidado descontrolado.
Estou levando uma maçã pra comer mais tarde.
Tão tranquila cidade.
Passo a mão na água.
Quem dera fazer, dos poemas, sinfonia.
Fina de chiados e sintonizações, quem passasse pudesse ouvir
como gruda o ouvido no rádio, a emancipação
do universo feito de palavra, não encontro. Nem saliva,
só aço. Nem tato, olfato.
Os olhos mesmo, perfurados.
Estou dizendo que só viverei naquele
que se enfraquece de ternura, pena carne.


do "alforria blues ou Poemas do Destino do Mar".

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O amor gasta

nesta ante-véspera, possivelmente o primeiro dia da primavera, soltei um grito e tanto que virei uma andorinha. ou muitas. o poema número X fala do amor, e eu o escrevi para o meu

terça-feira, 9 de abril de 2013

véspera I

inicio este blogue pensando se terei que criar outro quando isto terminar. olho no relógio e é exatamente 00:00. de quarta-feira, 10 de abril de 2013. e vim aqui escrever para dizer que o descontrole é que atravessa 60 segundos até às 00:01. não é o desespero. é a regra de medir a medida. a cada dia que saturno se aproxima o descontrole pra mim é medir a medida. 

na verdade, amanhã (que é hoje) é o dia que chega o livro que passei três anos trabalhando nele, falando dele aqui. foi por isso que vim escrever alguma coisa. não é bem um relato isso, é uma transmissão de tensão. a carolina sonhou que as capas chegavam corrigidas pela gráfica, que assim tinham estragado tudo. e depois eu tive meu telemóvel roubado, mas ele estava dentro do bolso do meu casaco de couro vermelho que comprei na c&a de paris e está escrito cindy crawford na etiqueta dentro dele.

tudo isso me faz retornar ao livro. que não é o primeiro nem o último livro do mundo (nem o meu). passei algum tempo pensando que meu segundo livro teria a capa branca, e não é que ele quase-tem? e eu não calculei isso, era o papel que a gráfica tinha. também sabia que iria publicar meu segundo livro em Portugal, mas não imaginava que a situação econômica, emocional e política desse país fosse estar em um momento tão calamitoso como está. 

muita gente já viveu esse momento, de esperar pelo próprio livro no dia seguinte. não me lembro de como foi que esperei o "cantos de estima", nem onde eu estava quando ele chegou. acho que meu pai foi pegar na gráfica em Moema, que eu estava montando a exposição dos 12 exemplares. e ah! eu tenho medo de dirigir. e mais dificuldade em digerir alimentos do que remorsos. ou não, depende.

sei que naquele tempo eu já gostava de escrever assim, de ímpeto. e que o treino vai criando ritmo ao ímpeto. é como voltar e encontrar a casa aberta cheia de velas acesas velando só a noite do coração quente. isso como se existisse uma lareira em toda casa em que eu viver. a sorte da minha editora ser minha melhor amiga. e vice-versa. 

entre o primeiro poema que escrevi para este novo livro e a invenção de seu título passaram seis meses. mas foi o contrário: primeiro eu tive o título: "poemas do destino do mar". lembro que eu ainda vivia na travessa de santa quitéria, onde hoje mora a érica, e na valentine vermelha mais vermelha do que a bandeira chinesa, e num papel de seda branco escrevi um poema que falava da limpeza, dos restos, do estômago. era um poema que não valia nada. n a d a. mas na última linha dele escrevi em caixa-alta POEMAS DO DESTINO DO MAR. 

então percebi que ali o futuro havia falado por mim no papel. no papel dele mesmo, futuro, estrelando o sempre presente. e peguei o rabo do cometa, pensei: é o título do meu livro. então se passaram meses que foram a morte da minha chegada, quer dizer, foram a morte dos motivos pelos quais eu sonhava em vir pra cá: a mesma língua em estrangeira, uma paixão motriz e galopante e distante, recuar são paulo, a família, a exorbitante convivência entre os entes. e tive que ir morrendo aos poucos até ser o dia de escrever o poema I, que como me prometi desde aquele momento: que eu nunca o reproduziria em qualquer outro sítio que não fosse o primeiro poema dos "poemas do destino do mar". então, se tá afim, so sorry, arranja um livro dos que chega amanhã e lê.

mas ei ei ei isso faz muito tempo! foi como se uma retroescavadeira abrisse um canyon de células no meu corpo. está tudo tão diferente que eu só posso dizer: que terminei o livro, que o livro chega amanhã, que sábado é o lançamento, e que meus pais vão estar presentes, e que tenho muita gratidão a eles, aos meus amigos, aos meus bichos, às plantas,... espero também ter a cada dia mais dedicação também. não só ao meu trabalho (que é uma forma íntima de me dedicar aos outros), mas a eles mesmo. sou tão bruta. nem sei porque estou falando disso, já que a ideia era escrever sobre o livro e até mesmo AH ATÉ MESMO pensar em falar mal dos currículos eu já pensei.

tipo eu quero que se foda. o que eu quero é o amor. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

let's play that

firmando ponto final e abrindo parágrafo vem o vídeo de Daniel Ribão, lá na tipografia d'O Homem do Saco, onde o Luís Henriques compôs e imprimiu as 590 capas de "alforria blues ou Poemas do Destino do Mar", que sábado em Lisboa é lançado pelas Edições Chão da Feira.

domingo, 7 de abril de 2013

Saber das coisas não sei

e da flor nasceu maria archer arco e rama, abre o raio e reparte o fruto, diz o poema XVIII dos poemas do destino do mar,

terça-feira, 2 de abril de 2013

Sou apenas um cavalo

cátia sá pereira, rugido da enseada, ou as madressilvas que nascem por ali,
leu a assumição do cavalo, o poema VII

 
sou apenas um cavalo from C. Sá on Vimeo.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Olhos que em terra firme pousaram

susana chiocca norteia o mar, lendo os resquícios da paisagem no último poema do livro

 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Então olhei pro mar e disse

e a érica zíngano leu como se lê
no semi-silêncio que é ler um poema
silêncio de vulcão




terça-feira, 19 de março de 2013

Ver até passar

eis bernardo! meu melhor amigo
lendo o poema V do meu novo livro
que logo logo se publica

quarta-feira, 13 de março de 2013

passo a manhã calculando a provável altura de um tsunami

primeiro vídeo da pequena série dos que tenho pedido
pras algumas das gentes do território, a leitura
aqui o luca argel lê o poema de número IX dos "poemas do destino do mar".

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

olhos que em terra firme pousaram

segunda-feira. meio de novembro. as cápsulas chinesas harmonizaram a minha temperatura o suficiente para que meu corpo inteiro não esteja doendo o tempo inteiro nessa entrada do frio pelos poros e músculos, também chamada outono. 
2012.
consegui me acalmar em relação as burocracias de renovação dos papéis e me parece que estarei confiante pelo resto da estação. isto tem a ver, sobretudo, com estar conseguindo me sentir em dia com tudo. hoje foi a primeira vez em muitos meses que não tenho nenhum email não lido na caixa de entrada.
não lido means não respondido, no meu vocabulário de convívio.
na quinta-feira passada escrevi um poema do destino do mar. não sei, mas também fazia muitos meses (seis, talvez?) que não escrevia e terminava um poema para o livro. não que eu não estivesse conseguindo escrever, eu não estava é me sentindo identificada com o que escrevia. mesmo as coisas deste blogue. por mais que eu me entregue aos fluxos, não acredito sempre estar entregue a eles, ou estar neles. 
isto estava me fazendo sofrer. não escrever. então escrevi um poema. 
depois chorei duas horas por conta da burocracia dos papéis de renovação do meu visto e toda essa fartura que é ser estrangeira num país em que todas as pessoas estão, umas mais outras menos, infelizes.   é claro que, como disse o daniel, chorar era um ponto furo. 
mas eu choro quando as coisas morrem e eu me sinto feliz. ou eu choro até chegar nesse lugar em que as coisas morrem e eu me sinto feliz. 
então dormi, a cabeça estourando. acordei com as vias respiratórias estourando de secas pelas lágrimas da noite anterior. e ao me sentar para ler o poema, percebi que ele era o último. o último poema do livro, o vinte e seis, que havia tempo já que eu pensava nele. era meu movimento sempre futuro: o último poema, que vai fechar o livro, eu pensava nele como uma cortina que fecha a fábula, assim como o "farewell" foi no cde. 
o XXVI não. afinal, o pdddm não tem a fábula como espectro feito o cde tinha. nele se fala de dúvidas. algo que se quebrou e, no entanto, por haver se quebrado, está mais forte. o XXVI é calmo e leve, só trabalhando com a força que restou. nem heróico, nem infantil. mas estival, aberto.
dito que o XXVI chegou, concluí que todo o resto devia acabar. e o objeto me dizendo livro, claramente, adeus. ainda temos algumas despedidas, mas março, quem sabe, além da primavera, trará "alforria blues ou poemas do destino do mar", impresso, publicado, outro, seu.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

poemas do destino do mar

do livro que estou pra terminar, "poemas do destino do mar", inédito como a vida:

XXV

Quem fundou esta cidade
foi fundo o suficiente?
Quem veio por aqui primeiro
será que eram dois ou vinte ou duzentos
estavam armados
com mais fome do que fé?
Calcularam pelos astros,
Ou vinham tranqüilos
gestantes do acaso
nem se noticiaram a notícia da nova povoação
foram percebendo aos séculos que ficavam, dias
após
que a cada noite dormiam
todo solo tem um imã que nos puxa ou repele
Ou a cada noite dormiam mais tarde
de tão próximos uns dos outros que estavam
começavam a se identificar uns com os outros
até que de outros viraram os mesmos
um povo, uma língua, uma situação,
porque tinham tanta noite por fazer e por falar
Que brigavam
por honra e tédio,
nasceu a cidade.
E bebiam vinho?
E comiam batata?
Só muito mais tarde amuraram
Notaram que o cume os defenderia?
Ou subiram pelo esmero da montanha
e as lavadeiras reclamariam
de ter que viver ao topo e descer dia a dia,
Ou naquele tempo as pessoas de nada reclamavam
ou ainda não havia lavadeiras
porque eram nômades e todos faziam de tudo
ou porque nada limpavam
Ou porque passavam o dia a se lavar
gostavam da água, chapinhar, boiavam imensos
abraços no rio, bolinhas pelo nariz
e sempre muito limpos cheiravam uns as partes dos outros
Com o mesmo amor de quando te olho de cima, cidade,
notaram que você nem sempre esteve aqui
embora esteja e estará por mais tempo do que eu,
Não se deve comparar casas com homens, ruas com homens
mas eu comparo tudo com homens
e por vezes escolho as casas, os homens, as cidades
mas quase sempre estou vendo a cidade por dentro dela demais
e todo mundo sabe que um coração é um labirinto de monóxido de carbono
que o digam os centros das nossas cidades
Os centros das nossas cidades já não fedem a estrume
embora neles floresçam outras pestes
e enquanto olho atenta cidade por cima
dá um vento aqui - é tão alto – e meus ossos doem por dentro.
É inverno e o inverno nos enche de frio, de dúvidas e de ossos
De se quando chegaram nesta cidade
os primeiros habitantes
muito antes de ser uma cidade
muito antes de haver habitantes
quando lá descansaram – porque ainda não era
aqui, - a cidade não lá começou perto do rio? –
um homem e uma mulher se comeram
– como nós também – é inevitável –
encontraremos cidades por fecundar.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

retorno

(13)

O que eu acho que estou querendo agora é tão delicado.
Não sei com quem falar disso.
O que estou querendo é tão delicado.
O delicado problemático. Sem volta.
Entendi que pra chegar tenho que dar outra, outra volta.
Mas não posso, meu corpo bom, trocar de terra mais uma vez.
Vou cair em todas. 
Insuficientemente permeável à pele das cidades.
Não reconheço nenhum canto desta sala.
Com quem conversar o descanso?
Metade da vida é faxina. A outra metade?
Regresso do pó. E eu querendo algo
agora tão, tão delicado. De passar o vento.
Ou para sentir
só teria que pousar as mãos no pó
até vê-las brancas, espalmadas como um mar
que se instalasse sobre os móveis
mas um rabo de gato
meu dedo na boca
nervoso.
Estou no raio informe.
Se eu traçar uma circunferência estarei no raio do informe.
Do centro dela apita uma luz que ninguém vê.
Por onde, se mexe: é o que a luz diz.
Aqui também, tudo manda mensagens, significa.
Passou um barco que eu achei bonito.
Ele trazia também duas luzes.
Piscavam querendo dizer numa linguagem que não me comunico.
Mas alguém se comunicaria
com as luzes do barco.
Estou procurando um lugar de mim mesma que seja o campo de mim mesma.
Não preventiva.
Cansei de ser o princípio do cuidado descontrolado.
Estou levando uma maçã pra eu comer mais tarde.
Tão tranqüila cidade.
Passo a mão na água.
Quem dera fazer, dos poemas, sinfonia.
Fina de chiados e sintonizações, quem passasse pudesse ouvir
como gruda o ouvido no rádio, a emancipação
do universo feito de palavra, não encontro. Nem saliva,
só aço. Nem tato, olfato. Os olhos mesmo, perfurados.
Estou dizendo que só viverei naquele
que se enfraquece de ternura, pena carne.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


XVIII

Poderia ser o pudor de um deus, as razões
que descobrem nas coisas dos outros
os vivos. Romances, motivos de faltas, traições.
Quem perdeu o olho de quem? Amou
mais do que eu?

Ou esse tobogã de genes que vamos sendo
a fresta do destino nosso de cada dia entre parentes, crescer
com os cachorros presos entre os portões.
E deles se aceitar tudo, eram amados, desde que presos.

Feito esconder a menstruação da sociedade
o mesmo me aconteceu ao virar adulta
prendi os bichos todos de uma vez. Amados.
E depois era de noite, ou já adulta
encontrei um deus esquecido atrás do portão.

Procurando formol, um exercício que me impeça a putrefação,
e se não conseguir, talvez eu peça. Talvez se salgassem a carne viva,
pelo menos a diáspora entre os amigos seria menor.

sábado, 28 de agosto de 2010

IX

Dentro dele mora um bosque de musgo
um nadador a dar ordem as ondas
de cujo olhar ao espelho, o teto do mundo, nasce
arrefece as costas no pássaro que mergulha, céu,
voa.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

hey, resposta

é uma mudança paradigmática, certamente. talvez uma saída do texto como da internet. tantos usamos minúsculas, usarei, serão meus emails assim. mas no poema abaixo e, até segundo acontecimento espontâneo, em todos os novos, quero marcar que foram herberto helder, hilda hilst e iosif brodskii que me convenceram a usar maiúsculas. pelo ritmo, e suas outras possibilidades de clareza e pontuação, não foi ninguém não. nem eu mesma, aconteceu.
 

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